1. ArchDaily
  2. Direito à Cidade

Direito à Cidade: O mais recente de arquitetura e notícia

Moradores de Seattle cedem quintais para abrigar sem-tetos

© Block Project, via CicloVivo
© Block Project, via CicloVivo

Imagine abrigar estranhos no quintal da sua casa. Tempos atrás, a ideia poderia soar absurda, mas a alta do mercado de turismo (antes da pandemia) tornou hospedagens alternativas, como CouchSurfing e AirBnb, soluções bastante requisitadas. Em Seattle, maior cidade de Washington (EUA), um projeto busca voluntários que queiram abrir seus quintais para instalar pequenos abrigos. Diferente dos programas voltados a jovens viajantes, este tem um cunho social: a ideia é que as pessoas possam, de fato, morar em tais espaços. 

O chamado Block Project nasceu do arquiteto Rex Hohlbein, após ele mesmo abrir o terreno de sua casa para abrigar um artista sem-teto. Para Hohlbein, a comunidade precisa se envolver se quiser resolver o problema habitacional que afeta as grandes cidades. Seattle está entre as 100 cidades mais caras do mundo para morar e trabalhar, segundo o levantamento global da Mercer de 2021. 

Como fazer um passeio de Jane Jacobs?

O passeio de Jane faz parte da iniciativa de Jane's Walk, um festival anual que visa homenagear a ativista e urbanista Jane Jacobs realizando ações e passeios de cidades ao redor do mundo, para recuperar as ruas como um espaço público de coexistência e encontro entre os cidadãos. Este texto sobre O Passeio de Jane Jacobs, de autoria de Susana Jiménez, compõe um grupo de guias, disponibilizados pelo projeto "La Aventura de Aprender", concebido e coordenado por Antonio Lafuente e Patricia Horrillo.

Jiménez, música, filósofa e doutora em história da arte, promove e coordena esta experiência em Madri desde 2010. Cada primeiro fim de semana de maio, grupos de vizinhos e pessoas interessadas em planejamento urbano e redes de vizinhança se organizam em assembleias abertas para celebrar esta atividade, que consiste em caminhar pelas ruas dos diferentes bairros propostos e relatar o que neles está acontecendo, seja em relação às questões de planejamento urbano, habitação, eventos, recuperação da memória coletiva etc.

15° Semana de Urbanismo da UNEB

A Semana de Urbanismo da UNEB é um evento realizado anualmente pelo corpo discente e docente do Bacharelado em Urbanismo, único ainda no Brasil, e propõe às pessoas participantes, a possibilidade de assistir, dialogar e debater sobre temas relevantes à temática urbana na contemporaneidade. Tem como objetivo oferecer a estudantes, movimentos sociais, e especialistas do campo do urbanismo e do planejamento urbano-territorial, assim como estudiosos de áreas transversais, um espaço de aprofundamento e sistematização da compreensão do fenômeno urbano. Na edição a ser realizada esse ano, nos aprofundaremos num olhar introspectivo acerca dos 20 anos de promulgação do estatuto da

A Cidade de 15 Minutos é um beco sem saída

As intenções da Cidade de 15 Minutos são louváveis. Há muito tempo acredito que caminhar é o melhor de todos os modos de transporte. Também creio que as cidades devem ser livres das regulamentações comerciais que dificultam o surgimento de pequenas lojas e cafés aconchegantes em bairros residenciais. Um bairro de uso misto vivo e dinâmico pode ser um dos melhores presentes do empreendedorismo urbano.

Nos Estados Unidos, regulamos o empreendedorismo dos pobres muito mais do que o dos ricos. Os ricos inovam no ciberespaço, uma zona, em grande parte, livre de regulamentação. Do outro lado, os pobres inovam na prática, em coisas reais, sob as regras do governo local, que microgerenciam o físico.

Imóveis ociosos e ocupações: revertendo os vazios urbanos

Ruínas de construções elegantes ilustram de forma eloquente o pior que pode acontecer a uma cidade após o fim de um ciclo econômico. As famílias abastadas não têm mais dinheiro para manter seus casarões, e mesmo os edifícios da classe média são parcialmente abandonados quando seus donos, desempregados ou em dificuldades, mudam-se em busca de oportunidades noutros lugares.

Desocupado, sem uso, o patrimônio degrada-se lentamente. A história das cidades está repleta de exemplos, em todas as épocas e continentes: Roma ao fim da Antiguidade clássica, Veneza no início da Idade Moderna, Paraty após a mudança na Rota do Ouro, Detroit nos dias de hoje.

Cidade mineira adota tarifa zero no transporte público

A 60 km de Belo Horizonte, Caeté é a mais nova cidade brasileira a adotar a gratuidade no transporte público. O modelo começou a valer a partir do dia 1 de julho e será testado por seis meses – podendo ser implementado de forma definitiva. O projeto aprovado pela Câmara garante que os moradores possam usar as seis linhas de ônibus, que atendem o município, gratuitamente. Antes, a passagem era de R$ 4.

O custeio veio em forma de subsídio de R$ 90 mil por mês à empresa Transcol Caeté, concessionária de transporte que opera na cidade e cogitou encerrar a prestação de serviço após relatar dificuldades financeiras. 

Plano de Bairro do Jardim Lapenna: implementação de direitos e o fazer em comunidade

O Plano de Bairro é um instrumento de planejamento urbano que incentiva a população a pensar em ações para a melhoria do seu bairro. Ele foi instituído na cidade de São Paulo pela lei municipal do Plano Diretor Estratégico com os objetivos de articular as questões locais com as questões estruturais da cidade, levantar as necessidades por equipamentos públicos, sociais e de lazer nos bairros, além de fortalecer a economia local e estimular as oportunidades de trabalho.

Moradores do Jardim Lapenna no lançamento da publicação “Territórios de Direitos”. Fonte: Denis Oliveira de Souza NevesPraça do mutirão localizada na rua Pascoal Zimbardi. Fonte: Google EarthEcoponto do Jardim Lapenna Fonte: Denis Oliveira de Souza NevesChamamento para participação no plano de bairro no Jardim Lapenna. Fonte: Google Earth+ 9

Economia urbana e acessibilidade à moradia: conversa com Tainá Pacheco e Vanessa Nadalin

Como é calculado o déficit habitacional? O Minha Casa Minha Vida aumentou a acessibilidade à moradia? O que é Outorga Onerosa? Para responder a essas e outras perguntas o Caos Planejado recebeu Tainá Pacheco e Vanessa Nadalin para uma conversa.

Bairros mais caminháveis promovem a ascensão social?

Em um uso revelador de big data, Raj Chetty e seus colegas no Projeto de Igualdade de Oportunidades usaram registros fiscais anônimos para rastrear, a partir da infância, a renda de pessoas que cresceram nos Estados Unidos. Os resultados mostram que os bairros e áreas metropolitanas onde essas pessoas foram criadas têm um grande impacto nas suas perspectivas econômicas durante a vida.

Surpreendentemente, crianças de famílias de baixa renda que crescem em alguns bairros, especialmente aquelas com rendas mistas e níveis mais baixos de segregação racial, se saem melhor economicamente.

Habitação não pode ser um bom investimento e acessível ao mesmo tempo

A promoção da casa própria como uma estratégia de investimento é uma proposta arriscada. Nenhum consultor financeiro recomendaria contrair dívidas para aplicar uma parte tão grande de suas economias em um único ativo financeiro, qualquer que seja, por ser uma grande concentração de risco.

Pior ainda, esse risco não é aleatório: ele recai mais pesadamente sobre os compradores de baixa renda, que recebem condições de financiamento piores e cujos bairros são sistematicamente mais propensos a ter valores residenciais mais baixos ou mesmo em queda, causando resultados devastadores sobre a diferença de riqueza entre grupos raciais.

Mulheres e a luta por moradia: trajetórias de empoderamento e autonomia na experiência do MST-Leste 1

O acesso à moradia adequada é difícil em um país como o Brasil, que possui um déficit habitacional de 6,3 milhões de moradias (FUNDO FICA, 2019). A lógica perversa do mercado imobiliário – em que os custos de compra de terras e imóveis e mesmo de aluguel são altíssimos –, associada à carência de políticas públicas de provisão habitacional – em um contexto social em que famílias com renda de até dois salários mínimos residentes em áreas urbanas gastam 41,2% da renda familiar em despesas de consumo com à habitação (GUERREIRO; MARINO; ROLNIK, 2019) –, fazem com que a aquisição da casa própria seja extremamente difícil para as camadas mais pobres da população.

Instalação Arquitetura na Periferia. Foto © Thiago SilvaApresentação do projeto para as famílias. Image © USINA CTAHFoto © Carina Guedes e Pedro ThiagoProcesso de projeto junto aos moradores: estudo das unidades habitacionais. Image © USINA CTAH+ 6

Gestão de espaços públicos na retomada pós-Covid: escala da cidade e escala da rua

Locais da vida em sociedade, os espaços públicos são elementos chave do bem-estar individual e coletivo. Constituem uma rede de áreas abertas como ruas, praças e parques, e também de espaços abrigados, como bibliotecas públicas e museus. Essa rede cumpre múltiplos papéis nas cidades, incluindo o lazer, o convívio social, a conservação ambiental, a circulação e as trocas econômicas. Apesar do papel vital que exercem na vida urbana, via de regra, nas cidades brasileiras encontramos espaços públicos mal conservados, com iluminação insuficiente, calçadas esburacadas e mobiliário em condições precárias. Espaços que, por si só, desestimulam seu uso e trazem prejuízos sociais e econômicos comumente subestimados pelo poder público e pela própria população. 

Unidade do Programa Centro Aberto implantada no Largo de São Francisco, centro de São Paulo. Foto: SP UrbanismoIluminação cênica de edificações históricas compõe o espaço público no centro da Cidade do México. Foto: Danielle Hoppe / ITDP BrasilAlargamento de calçada e mobiliário urbano em Barcelona. Foto: Edu BayerEm Fortaleza, desde 2018 toda a arrecadação do estacionamento rotativo é direcionada para políticas cicloviárias. Foto: ITDP HQ+ 8

Favela do Moinho: processo de abandono e interesses econômicos no centro de São Paulo

São Paulo teve sua estruturação urbana conforme o seu relevo. De maioria acidentado, foi nas áreas planas das várzeas dos rios e terraços fluviais que foram instaladas as ferrovias, onde podiam se desenvolver em um traçado mais adequado às suas limitações. 

O trem, máquina de cortar cidades atravessando os obstáculos naturais da paisagem numa velocidade de sessenta quilômetros por hora, foi a invenção capaz de abreviar fronteiras. Esse instrumento de fazer conexões originado durante a Revolução Industrial, viabilizou o estabelecimento de uma cadeia produtiva entre as suas várias paradas, ao transportar as manufaturas das fábricas em suas toneladas de maquinário em locomoção.

Silo do Moinho Central. Produção gráfica por Breno FelisbinoEvolução da ocupação. Produção gráfica por Breno FelisbinoMoinho Central e a cicatriz deixada pela ferrovia. Produção gráfica por Breno FelisbinoAproximação da área ocupada. Produção gráfica por Breno Felisbino+ 12

A promoção da (des)igualdade pelo planejamento urbano

O planejamento urbano é um importante meio para reduzir a desigualdade e promover a equidade em uma cidade. No Brasil, a priorização destes objetivos é ainda mais evidente dado não só a profunda desigualdade social na nação como um todo, como a evidente desigualdade no acesso a oportunidades e a infraestrutura e serviços urbanos, o que pode ser traduzido como verdadeiro acesso à cidade.

No entanto, embora muitos acreditem que a desigualdade urbana é fruto de um cenário onde cidades não tiveram planejamento, praticamente resultado do acaso, a realidade é que o planejamento urbano, historicamente e até hoje, vem contribuindo para agravar as desigualdades ao invés de mitigá-las.

Residencial Parque Recreio em Piripiri, no Piauí. Imagem: PACAvenida Guararapes, Recife. Sem data. Imagem: IBGERio de Janeiro. Alargamento da rua Uruguaiana, 1905. Imagem: César Barreto/Itaú CulturalMarginal Pinheiros, São Paulo. Imagem: Mariana Gil/EMBARQ Brasil+ 8

Descentralizar São Paulo: uma promessa difícil de cumprir

São Paulo é imensa e cheia de desafios. Com doze milhões de habitantes, a maior cidade da América Latina sofre para prover uma boa qualidade de vida aos seus moradores. Os congestionamentos são implacáveis. O funcionamento do transporte público ainda está longe do ideal. O Centro Expandido concentra um volume de empregos desproporcional à sua população. Não é surpresa que o deslocamento até o local de trabalho seja uma das principais reclamações dos paulistanos.

A visão da cidade de quinze minutos é otimista, mas improvável. No entanto, alguns princípios podem ser aplicados nas ruas de São Paulo. Imagem de Paris en Commun, traduzida para o portuguêsPaisagem atual da Rua Augusta. Prédios baixos, calçadas estreitas e muito espaço para os carros. Imagem: Lucia Freitas/FlickrMapa da distribuição dos empregos formais na cidade de São PauloTrecho da marginal Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil+ 8

Paisagens efêmeras: um domingo na paulista

Na análise de um projeto arquitetônico é comum que nos debrucemos sobre questões como quais foram as demandas e contexto histórico daquele projeto, como foi seu processo de elaboração e representação, de que forma foi construído. Tendemos a estudá-lo como um processo finalizado. Entretanto, no momento em que a obra é construída ela se abre à cidade e a terceiros, se torna vulnerável a falhas, imperfeições, requalificações e apropriações não previstas a priori. As consequências derivam então de conflitos, relações sociais e políticas que atuam na cidade formando uma paisagem fluida e mutável. 

Análise de evento . Image © Laura PetersAnálise de evento . Image © Laura PetersAnálise de evento . Image © Laura PetersSobreposição de eventos. Image © Laura Peters+ 13

Maus exemplos diários dificultam as “cidades para pessoas”

Viver, trabalhar e experimentar cidades com ruas, centros e parques vibrantes, passeios com dimensões adequadas, transporte público eficiente e um baixo nível de congestionamento são desejos de muitas pessoas ao redor do mundo. Atingir estas condições não é uma tarefa fácil, e cidades que possibilitam tais situações certamente não as obtiveram através de um planejamento orientado ao automóvel.

Frente a uma população que experimenta diariamente maus exemplos de como uma cidade deve operar, alguns paradigmas, fenômenos e medidas dificultam o planejamento e funcionamento de “cidades para pessoas”.