
A praça Castro Alves é do povo
como o céu é do avião
um frevo novo, eu peço um frevo novo
todo mundo na praça
e muita gente sem graça no salão
(Um Frevo Novo - Caetano Veloso)
Para Caetano, a verdadeira alegria está na apropriação da praça e não no salão. Mas esta interpretação da maior manifestação cultural brasileira não é unânime.
Quando o samba surgiu, entre as décadas de 1900 e 1910, o carnaval oficial do Rio de Janeiro acontecia na Avenida Central e era destinado à elite, seguindo os padrões da Belle Époque. Não era permitido aos negros, mulatos e pobres percorrerem as ruas centrais da cidade durante os dias de folia. O carnaval dos moradores das favelas, por sua vez, acontecia nos fundos de quintais, nos terreiros de santo, nas feijoadas organizadas pelas “Tias Baianas”. Era uma música de improviso, de desafio em rodas de samba. No entanto, a despeito das proibições, muitos moradores do morro e sambistas desafiavam a ordem vigente e saíam em blocos nas ruas centrais da cidade, o que lhes garantia muito prestígio em suas comunidades de origem.




