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Clássicos da Arquitetura: Teatro Oficina / Lina Bo Bardi e Edson Elito

Clássicos da Arquitetura: Teatro Oficina / Lina Bo Bardi e Edson Elito
Clássicos da Arquitetura: Teatro Oficina / Lina Bo Bardi e Edson Elito, © Nelson Kon
© Nelson Kon

© Nelson Kon © Nelson Kon © Nelson Kon © Nelson Kon + 40

O Teatro Oficina Uzyna Uzona, popularmente conhecido como Teatro Oficina, localizado na Rua Jaceguai, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, foi fundado na década de 1960, mais especificamente em 1958 por José Celso Martinez Correa, agindo como um teatro manifesto, marcado por grandes espetáculos entre expressões teatrais, apresentações de música, dança e performances.

Entre as diferentes décadas, o teatro revolucionou seus espetáculos cênicos de modo que a arquitetura colaborou para o acontecimento e permitiu que a dramaticidade dos espetáculos tivesse contato mais próximo ao público. A ideia inclusive foi pautada por Teat(r)o oficina, focando-se no ato, ou seja, na incorporação e diversidade de meios artísticos e espetáculos. Em uma de suas citações, o arquiteto Edson Elito, que posteriormente veio a desenvolver a reforma do Teatro, relata sua visão:

© Nelson Kon
© Nelson Kon

Em 1958, um grupo de alunos das arcadas do Largo São Francisco, entre eles Renato Borghi e José Celso Martinez Correa, decidiram alugar o Teatro Novos Comediantes de um grupo espírita, para instalar na Rua Jaceguai 520 a sua companhia de teatro. Era um tempo de perspectivas de progresso social, construção de Brasília, crítica ao american way of life, leitura de autores russos e Brecht.

Para que o espaço respondesse à concepção teatral do novo grupo, foi feita uma reforma a partir de projeto do arquiteto Joaquim Guedes, que criou um teatro tipo ‘sanduiche’, com duas plateias frente a frente e separadas pelo palco central, que assim permaneceu durante essa primeira fase da companhia, até 1966 quando um incêndio destruiu totalmente o teatro”. [1]

No ano de 1966, o teatro que até então possuía formato de arena, com duas plateias opostas, teve seu espaço cênico transformado por nova reforma, após o incêndio.

Em 1981, o Teatro foi tombado pelo CONDEPHAAT, após situação precária e importância histórica à arte do Teatro nacional, visto que este foi palco de inúmeras transformações na cena da arte, evocando um rasgo no tradicionalismo e provocando um novo momento ao teatro brasileiro. Segundo Elito:

“No ano seguinte, houve a desapropriação do imóvel e sua incorporação ao Patrimônio Público Estadual sob administração da Secretaria de Estado da Cultura, e é dessa época o primeiro estudo feito por Lina Bardi e Marcelo Suzuki, não levando adiante, onde já era proposto o conceito de RUA” [2].

© Arquivo Teatro Oficina
© Arquivo Teatro Oficina

Na década de 1990, especificamente em 1984, passa por novo processo de reforma comandado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi em parceria com o arquiteto Edson Elito. O projeto de reforma ocorre até 1989 e por algumas interrupções no processo, teve obra concluída em 1994.

Nesse novo projeto, a ideia central aproximava a nova arquitetura ao contexto territorial, de modo que a Rua parece invadir o espaço cênico, promovendo um teatro democrático pela hibridez de sua estrutura programática.

© Nelson Kon
© Nelson Kon

Assim, o teatro desenvolve-se por meio de uma faixa de terra, conformando a passarela central com cerca de 1,50 metros de largura sobre pranchas de madeira e com extensão de 50 metros de comprimento entre o acesso frontal e fundos, aproximando a ideia de Rua, marcando o eixo do espetáculo e desfragmentando os limites entre o palco e a plateia. No eixo, que tem sua cota diminuindo pelo percurso, à medida que se chega próximo ao centro, os arquitetos concebem um elemento surpresa: uma cachoeira, composta por sistema que deságua no espelho d’água construído e re-circulando.

© Nelson Kon
© Nelson Kon

O público é posicionado em galerias laterais instaladas sobre esbeltas estruturas desmontáveis com perfis tubulares de aço, propiciando uma plateia com até 350 lugares distribuídos em quatro diferentes níveis. Nessa configuração, o público parece se aproximar dos limites do espetáculo, passando a fazer parte cênica, já que não há barreiras entre as diferentes áreas como em um teatro convencional.

© Arquivo Teatro Oficina
© Arquivo Teatro Oficina

Vale dizer que ao longo de sua Obra, Lina se apropriou de diferentes recursos e espacialidades como possível laboratório de experimentações, tentando reafirmar a ideia de aproximação entre cultura e simbolismo à Arquitetura. No caso do Teatro Oficina, o discurso criado tenta conectar o edifício à Cidade através da ideia de Rua, conectando os espaços pelo eixo demarcado e suas diluições entre palco e plateia, reforçando sua ideologia.

Ainda se nota que a arquitetura busca resgatar o papel do Homem ao Espaço, de modo que a disposição espacial, tenta causar certa inquietude no espectador, fazendo-o buscar novos pontos de vista ao espetáculo, sob diferentes níveis e percurso. A partir disso, talvez seja peculiar pensarmos que o espaço construído por Lina busca desconstruir o possível raciocínio direto comum ao espetáculo e a arquitetura permite que o espectador conceba sua própria lógica, participando indiretamente da expressão teatral.

O projeto também conta com alguns recursos que favorecem a qualidade do conforto térmico, pois por meio de simples soluções como aberturas no nível do térreo e exaustores eólicos na cobertura, há circulação de ar pelo chamado efeito “chaminé”, além de materiais que permitem propriedades à qualidade acústica e luminotécnica.

© Nelson Kon
© Nelson Kon

As paredes laterais, com peças em concreto auxiliando no travamento e contraventamento das esbeltas paredes em tijolos aparente, inalteradas, com pé direito aproximado de 13 metros, foram sobrepostas junto ás novas estruturas metálicas, estabilizando-as e abrigando novas áreas como plateia, áreas técnicas, sanitários, camarins e depósitos.

Ainda é possível notar a presença de arcos plenos, nos resquícios da construção, como simbolismo da marca histórica do tempo no edifício.

As novas estruturas metálicas são responsáveis por suportar as cargas da cobertura e mezaninos lateral e do fundo. O sistema construtivo misto ainda permite que as vigas e pilares metálicos sejam unidos junto às peças tubulares metálicas desmontáveis, tornando-se um só corpo.

© Isidoro Singer
© Isidoro Singer

A cobertura metálica, conta também com sistema parcial deslizante que ajuda na circulação dos ventos, como já mencionado e ainda permite outra possibilidade de comunicação com a área externa, no background entre céu e copa das árvores.

© Nelson Kon
© Nelson Kon

Ainda sobre tal relação, em um dos lados, ainda há grandes panos de vidro que permitem aproximar poeticamente as áreas interna e externa. Lina e Edson ainda introduzem uma série de elementos vegetais sobre o espaço interno, como num canteiro por exemplo, desfragmentando os limites do território, ora espaço interno, ora externo.

Sendo assim, os elementos naturais e a tropicalidade brasileira tão amada por Lina são incorporadas ao projeto de maneira harmoniosa, ajudando a conceber de maneira poética e técnica o edifício, de forma que o ar, a água, a vegetação invadem o espaço e os resquícios da história do local são pontuados pela presença das antigas materialidades nas paredes do edifício.

© Isidoro Singer
© Isidoro Singer

Com isso, a ideia que nasceu da visão de mundo particular de Lina, sobretudo, de seu olhar ao território, assim como manifestado em outras de suas Obras, buscou reafirmar a linha tênue entre o Espaço e o Homem, de maneira harmoniosa e flexível, sob o verdadeiro significado do Teatro.

Notas

[1] ELITO, Edson. Teatro Oficina - 1980-1984. Lisboa: Editora Blau, Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1999. P.10. Disponível em: <https://ayrtonbecalle.files.wordpress.com/2015/07/bo-bardi-lina-elito-edson-teatro-oficina.pdf>. Acesso em 13 Agosto 2017.
[2] ELITO, Edson. Teatro Oficina - 1980-1984. Lisboa: Editora Blau, Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1999. P.11-12. Disponível em: <https://ayrtonbecalle.files.wordpress.com/2015/07/bo-bardi-lina-elito-edson-teatro-oficina.pdf>. Acesso em 13 Agosto 2017

Referências

ELITO, Edson. Teatro Oficina - 1980-1984. Lisboa: Editora Blau, Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1999.  Disponível em: <https://ayrtonbecalle.files.wordpress.com/2015/07/bo-bardi-lina-elito-edson-teatro-oficina.pdf>. Acesso em 13 Agosto 2017.
Teatro Oficina. Disponível em <http://elitoarquitetos.com.br/teatro-oficina.html>. Acesso em
Desenhos Teatro Oficina – Arquivo Instituto Lina Bo e P.M. Bardi. Disponível em <http://www.institutobardi.com.br/desenhos_simples.asp?Palavra_Chave=teatro%20oficina&Codigo_Referencia=&Data_Inicial=&Data_Final=>. Acesso em 13 Agosto 2017.

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Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato. Cita: Matheus Pereira. "Clássicos da Arquitetura: Teatro Oficina / Lina Bo Bardi e Edson Elito" 23 Ago 2017. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/878324/classicos-da-arquitetura-teatro-oficina-lina-bo-bardi-e-edson-elito> ISSN 0719-8906