Em espaços para crianças, "temos a oportunidade de criar um projeto que em muitos aspectos é uma arquitetura não-formulada. As crianças reagem aos ambientes de forma completamente espontânea. É quase uma arquitetura aprimorada", diz Dorte Mandrup. A implicação descrita é que o projeto pode contribuir para formar um pensamento crítico, incentivando a autonomia, a responsabilidade e ajudando a formar futuros cidadãos. Em sua maior parte, o sistema educacional e sua expressão espacial não mudaram significativamente nos últimos cem anos. No entanto, com o acesso à informação se tornando onipresente, o foco está lentamente se deslocando do acúmulo de informação para o desenvolvimento do pensamento crítico, e novos métodos de ensino abrem uma nova área de experimentação arquitetônica. A seguir exploramos o impacto do espaço no aprendizado, especificamente no ensino primário e secundário, discutindo como a arquitetura poderia auxiliar o processo educacional, tornando-se uma ferramenta de ensino.
No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
No episódio desta semana, Sara conversa com a arquiteta Paula Santos sobre o projeto do Colégio Efanor, Polo II localizada em Senhor da Hora. Ouça a entrevista e leia a transcrição da conversa, a seguir:
A pandemia, que a mais de um ano nos acompanha, marcou uma profunda ruptura nas rotinas diárias de milhões de pessoas ao redor do mundo. Obrigados ao confinamento doméstico prolongado e em muitos casos, a uma mudança definitiva para o modo de trabalho remoto, a separação entre o espaço da vida cotidiana e o escritório improvisado tornou-se extremamente turva. Neste contexto, alguns dos tópicos mais discutidos ao longo deste último ano foram a criação espaços de trabalho flexíveis em ambientes domésticos e se os próprios edifícios de escritórios são um modelo ultrapassado e que já não mais servem ao nosso atual modo de vida. Embora tenhamos discutidos amplamente uma série de assuntos relacionados à pandemia, no entanto, pouco tem se falado sobre o impacto da corrente situação no dia a dia das nossas crianças, especialmente daquelas em idade escolar.
Dentro do conjunto de debates no campo da arquitetura, a relação entre o desenvolvimento projetual e a educação – especialmente infantil – tem ganhado destaque. A relação entre o campo da arquitetura junto à sociologia e filosofia, por exemplo, é notória. Muitas vezes, ao desenvolver um projeto, discussões entre estes campos são imbuídas projetualmente como instrumento potencializante das relações entre espaço e usuário. Quando pensamos especificamente na tipologia educacional dedicada a crianças, tomamos mecanismos que vão muito além de questões físicas de ergonomia, mas pensamos na arquitetura como ferramenta educacional.
As universidades são territórios caracterizados pela relação intrínseca entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Como entidades pluridisciplinares responsáveis pelo cultivo e divulgação do conhecimento, as diferentes instituições que constituem uma universidade não só traduzem espacialmente (de forma direta ou indireta) os princípios relacionados à promoção do ensino, pesquisa e extensão, mas também são palco das múltiplas dinâmicas e atividades que fazem parte do espaço universitário.
Woodland Elementary School / HMFH Architects. Image Cortesia de HMFH Architects
É um direito dos estudantes, educar-se em um ambiente seguro, saudável (ambientalmente falando) e atrativo. Especialmente quando se trata de alunos com idades mais jovens, quando a importância de todos esses fatores é ainda mais evidente. No que diz respeito à ergonomia das cadeiras, por exemplo, está comprovado que, quando inadequada, prejudica muito a concentração e o desenvolvimento da caligrafia, por exemplo. É sabido também, que a eficiência do método tradicional de ensino está sendo cada vez mais questionada e, ao mesmo tempo, a qualidade de metodologias alternativas está sendo cada vez mais considerada nas escolas do século XX. Em outros artigos abordamos com mais detalhes sobre o ambiente montessoriano e sobre a atmosfera dos interiores waldorfianos.
Abordaremos neste artigo a respeito da importância da escolha do mobiliário e alguns aspectos que devem ser considerados na hora de organizá-lo no layout de salas de aula para as escolas do futuro.
O escritório holandês Mecanoo foi contemplado no concurso internacional de arquitetura para o desenvolvimento do Senezh Management LAB. O masterplan ganhador destaca uma arquitetura que responde aos seus arredores e gera um ambiente rico com uma variedade diversificada de funções e espaços.
Cortesia de Fay Jones School of Architecture and Design, University of Arkansas / Grafton Architects
A Grafton Architects acaba de ser escolhida como a grande vencedora do concurso internacional de arquitetura para o projeto do novo Centro Anthony Timberlands de Inovação em Design e Materiais da Universidade do Arkansas. Desenvolvido em colaboração com os arquitetos do Modus Studio, o centro de pesquisa deverá entrar em fase de projeto executivo ao longo dos próximos meses.
Introduzida por Rudolf Steiner, a pedagogia Waldorf é alimentada por princípios da filosofia antroposófica. Uma das principais características de sua abordagem pedagógica é a suposição de que a formação de um ser humano deve ser holística: seus sentimentos, sua imaginação, seu espírito e seu intelecto como uma composição única, visando uma completa integração entre o pensamento, o sentimento e a ação (o pensar, o sentir e o agir estão sempre ligados).
O foco da filosofia é desenvolver indivíduos capazes de se relacionar com si mesmos e com a sociedade (inteligência inter e intrapessoal), habilidades que são fundamentais para os desafios que o século XXI desenhou. Esse aprendizado ocorre, em grande parte, devido à força característica das escolas que seguem esse método de introduzir famílias no ambiente escolar, transformando-as em uma comunidade. Abordaremos como isso é feito, a seguir.