Espaços de aprendizagem: a arquitetura como ferramenta de ensino

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Erlev School by Arkitema. Image © Niels Nygaard

Em espaços para crianças, "temos a oportunidade de criar um projeto que em muitos aspectos é uma arquitetura não-formulada. As crianças reagem aos ambientes de forma completamente espontânea. É quase uma arquitetura aprimorada", diz Dorte Mandrup. A implicação descrita é que o projeto pode contribuir para formar um pensamento crítico, incentivando a autonomia, a responsabilidade e ajudando a formar futuros cidadãos. Em sua maior parte, o sistema educacional e sua expressão espacial não mudaram significativamente nos últimos cem anos. No entanto, com o acesso à informação se tornando onipresente, o foco está lentamente se deslocando do acúmulo de informação para o desenvolvimento do pensamento crítico, e novos métodos de ensino abrem uma nova área de experimentação arquitetônica. A seguir exploramos o impacto do espaço no aprendizado, especificamente no ensino primário e secundário, discutindo como a arquitetura poderia auxiliar o processo educacional, tornando-se uma ferramenta de ensino.

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Escola Primária Xinsha / 11ARCHITECTURE. Imagem © ACF

A pandemia sem dúvida provou a importância da coletividade e do aprendizado presencial, mas outro fator importante e frequentemente negligenciado, que influencia a educação é o espaço. As decisões de projeto têm implicações para o resultado do processo educacional, como demonstrado por um estudo da Universidade de Salford de 2015, que concluiu que salas de aula bem projetadas poderiam impulsionar o progresso do aprendizado em até 16% em um único ano. Os fatores avaliados foram iluminação, acústica, temperatura, qualidade do ar e vínculos com a natureza, formando juntos o parâmetro de conforto físico, propriedade, flexibilidade e conexão, definidos como um estímulo de individualização e complexidade. O estudo descobriu que a conexão com a natureza melhora a plasticidade mental, e quando as crianças se sentem donas do seu espaço, isso as ajuda a desenvolver sentimentos de responsabilidade. Além disso, o conjunto de fatores que compõem o conforto físico tem o impacto mais significativo na aprendizagem.

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Biblioteca do Hankou Junior High School. Imagem © Hey! Cheese

Surpreendentemente, o projeto das circulações e outras áreas comuns tem menos importância no resultado da aprendizagem, já as salas de aula, onde as crianças passam a maior parte do tempo na escola, têm o impacto mais significativo no progresso educacional. Este espaço é também muitas vezes negligenciado na experimentação arquitetônica. Outras pesquisas sugerem que crianças expostas à baixa distração visual têm melhor desempenho acadêmico do que aquelas em espaços com alta distração visual, destacando assim a necessidade de moderação no projeto dos espaços de aprendizagem. Da mesma forma, altos níveis de complexidade espacial prejudicam o processo de aprendizagem, tornando-se uma distração; entretanto, espaços diferenciados apoiam a colaboração. A aprendizagem prática, através de experiências sensoriais, melhora a retenção de informações e aumenta o envolvimento das crianças com o tema; portanto, espaços que estimulam a experimentação, principalmente em ambientes externos, auxiliam no processo educacional.

À medida que o modelo educacional evolui para métodos de ensino mais diversos, a arquitetura tem a oportunidade significativa de criar ambientes de aprendizagem que conduzam à colaboração, resolução de problemas e compreensão profunda. Edifícios educacionais que têm um impacto positivo na aprendizagem consideram cuidadosamente a distribuição funcional, incorporam espaços polivalentes e maximizam o potencial de cada área para contribuir com a aprendizagem, seja ampliando circulações para se tornarem extensões das salas de aula, aproveitando escadas como anfiteatros ou por meio de coberturas com jardins e playgrounds. Adaptabilidade e flexibilidade espacial são fundamentais para edifícios educacionais contemporâneos, pois eles precisam acompanhar as mudanças sociais, facilitando a implementação de múltiplas abordagens de ensino ao longo de sua vida.

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Jardim de Infância Fuji / Tezuka Architects. Imagem © Katsuhisa Kida

Há um novo entendimento de que o projeto para crianças e espaços de aprendizagem, em particular, deve permitir aos jovens experimentar o espaço aparentemente sem orientação, uma ação que promove autonomia e responsabilidade. Os espaços ao ar livre também são uma característica da arquitetura propícia ao aprendizado, com alguns projetos incorporando momentos de ensino na paisagem adjacente à escola, como no caso do projeto de LINK Arkitektur, ainda não construído, para uma escola amiga da chuva, próximo de Gothenburg, e outros tornando-se parte essencial da visão educacional, como é o caso do premiado Jardim de Infância Fuji, de Tezuka Architects. A arquitetura dos espaços educacionais tem o potencial de impactar positivamente o processo de aprendizagem e o assunto está constantemente despertando o interesse de psicólogos, especialistas em ensino e arquitetos. O tema merece maior exploração e revisão do corpo de pesquisa existente, de modo a identificar mais estratégias de projeto que estimulem o aprendizado.

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Sobre este autor
Cita: Cutieru, Andreea. "Espaços de aprendizagem: a arquitetura como ferramenta de ensino" [The Design of Learning Spaces: Architecture as a Teaching Tool] 24 Dez 2021. ArchDaily Brasil. (Trad. Bisineli, Rafaella) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/972437/espacos-de-aprendizagem-a-arquitetura-como-ferramenta-de-ensino> ISSN 0719-8906

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