O Brasil ocupa atualmente uma incômoda posição em relação à gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), reflexo do processo de exploração colonial. Do século XVI ao XIX, as condições de higiene das cidades eram muito precárias: nas casas, os detritos acumulavam-se em tinas nos recintos domésticos - esvaziadas periodicamente por escravos, os tigres. Nas cidades litorâneas, como no Rio de Janeiro, havia maior dificuldade para enterrar os resíduos devido às condições do solo, e as águas do mar sempre acabavam como destino final.
Costuma-se dizer que as melhores soluções surgem quando um projeto é acompanhado por um conjunto muito rígido de parâmetros e restrições. Isso faz tanto sentido que jogos de arquitetura, com suas regras e códigos, tendem conduzir a um tipo particular de solução criativa de problemas. Recentemente, jogos como SimCity e Cities: Skylines têm inspirado arquitetos e designers a experimentarem construir cidades virtuais sem medo das consequências reais. Estas criações fictícias, por sua vez, tem têm oferecido novas perspectivas sobre projetos reais.
A mais nova opção no mundo dos jogos de arquitetura é o Block’hood, um simulador que desafia os jogadores a criar uma comunidade funcional a partir de blocos de 1x1x1 com programas variados. A interface apresenta gráficos simples mostrados a partir de vistas axonométricas que alternam ciclicamente entre dia e noite. Block’hood aborda o simples desejo de brincar com blocos e, então, torna estes vulneráveis às condições ambientais.
Praticamente todos projetos residenciais devem considerar este espaço em seu desenho, mas apenas poucos casos são exemplares de inovação. Garagens podem ser mais do que um "espaço necessário" e podem até mesmo ter o potencial para se tornar a espinha dorsal do projeto arquitetônico.
A combinação e integração entre estacionamentos, espaços interiores e fachadas, pode apresentar resultados extremamente interessantes e originais nos quais as garagens desempenham um papel fundamental no projeto.
Selecionamos sete projetos dos nosso arquivo que ilustram o protagonismo que uma garagem pode ter. Veja a seguir.
Cortesia da Pontificia Universidad Católica del Perú
A costa peruana se caracteriza por ser um território vulnerável a desastres naturais de intensidade variada, uma ameaça constante que se agrava com as consequências do aquecimento global. Apesar desta realidade eminente, a habitação autoconstruída (que conforma a grande maioria das edificações desta região do país) não apresenta as condições adequadas para suportar um evento sísmico de grande magnitude ou um maremoto. Ante esta problemática, um grupo de estudantes da Pontifícia Universidade Católica do Peru propõe La Matriz, um módulo dobrável de emergência a ser utilizado como refúgio temporário em caso de desastres naturais, pensado em função das variáveis econômicas, climáticas e tecnológicas características da costa peruana.
Nos últimos anos tem havido muita discussão acerca do propósito último da arquitetura - com respostas variando da criação de formas à cura dos males da sociedade. Mas, de acordo com Lance Hosey, talvez a definição menos útil atualmente em debate seja a de que a arquitetura é uma "arte". Neste artigo, originalmente publicado no blog do Huffington Post, Hosey argumenta que o conceito de arquitetura como forma de arte não é apenas enganosa para o público, mas também potencialmente danosa à sociedade.
Em julho, escrevi que quando arquitetos usam corpos de mulheres específicas, como Marilyn Monroe ou Beyoncé, como "inspiração" para edifícios, eles objetificam tanto as mulheres como a arquitetura. Muitos leitores não gostaram disso: "Qualquer um que reclame de onde um artista busca sua inspiração, não compreende o que é um artista ou a arte", protestou um deles."O que há de errado em usar a forma feminina como inspiração artística?", perguntou outro; "Não consigo pensar em nada mais belo." E ainda outro: "Música, estruturas, pintura, qualquer coisa que seja artística não é degradante. É belo."
A mensagem geral é a seguinte: Arquitetura é arte, e onde os artistas buscam sua inspiração está fora de discussão, já que é pessoal do artista.
A página Daily Overview, que compartilha diariamente imagens de satélite de diferentes locais do globo, mostra como a atividade humana tem alterado o ambiente natural.
Inspirado na ideia de mostrar perspectivas similares às dos astronautas no espaço, a página recorre ao Efeito de Visão Geral que, como sugere seu nome, consiste em apresentar uma imagem total de um lugar em particular.
O Paseo La Castellana é um dos pontos de entrada do centro histórico de Madri, por onde circulam diariamente 800 mil automóveis. Por este motivo, a Prefeitura da capital espanhola está elaborando um plano de intervenção nesta avenida que dedicará mais espaço aos pedestres, ciclistas e usuários do transporte público.
Embora ainda não estejam definidas todas estratégias de remodelação, estima-se que o projeto seja concluído até maio deste ano. Até o momento, a única certeza é que as dez pistas atuais para automóveis serão reduzidas, de modo a redistribuir o espaço viário entre os diferentes modais de transporte.
Deste modo, prevê-se que parte das pistas para veículos sejam convertidas em novos espaços peatonais arborizados, ciclovias e corredores exclusivos para ônibus.
Originalmente publicado em ArquitecturaAhora, a arquiteta Camila Cociña aborda o surgimento e desenvolvimento do conceito de 'informalidade' quando se trata de cidades informais, de presença marcada no Sur Global. Desde os informativos do inglês John Turner surgidos no calor da experiência no Peru dos anos sessenta até as intervenções em grande escala em Medellín pós-Pablo Escobar e as favelas do Rio de Janeiro, Cociña abre-se a discussão sobre a verdadeira capacidade da nossa disciplina para reconhecer e atuar 'em sistemas de normas distintas às institucionalizadas'.
A discussão sobre o papel dos arquitetos e planejadores urbanos na cidade informal não é nova. Quando Rem Koolhaas decide dedicar, ao mesmo tempo que desenhava edifícios corporativos com tecnologia de ponta, um trabalho de viés artístico e pretensões sociopolíticas sobre Lagos (Nigéria), apresenta - no formato de vídeo com uma dose de intriga para o espectador - um manisfesto sobre a atenção que, inclusive um archstar como ele é, estava dando ao Sur Global.
O delicado mashrabiya (muxarabi em português) ofereceu uma proteção eficaz contra a luz solar intensa no Oriente Médio durante vários séculos. No entanto, hoje em dia este elemento tradicional de janela islâmica, com sua treliça característica, é usado para cobrir edifícios inteiros como um ornamento oriental, proporcionando identidade local e um elemento de brise para resfriamento. Na verdade, arquitetos têm transformado esta estrutura vernacular de madeira em sistemas responsivos de luz do dia de alta tecnologia.
Jean Nouvel é um dos principais arquitetos que influenciou fortemente o debate sobre os muxarabis modernos. Seu Institut du Monde Arabe, em Paris, foi apenas o precedente a dois edifícios que ele projetou para o forte sol do Oriente Médio: A torre de Doha, que foi completamente envolvida com uma reinterpretação do muxarabi, e o museu Louvre Abu Dhabi com a sua cúpula luminosa.
O plástico é o material mais presente na contaminação de rios e oceanos de todo o mundo, alcançando a alarmante proporção de 90% de todo os dejetos nas águas poluídas, de acordo com um estudo publicado pela revista Science.
Em relação a isso, são várias as iniciativas que vêm sendo promovidas por cidades de todo o mundo para tentar solucionar este problema.
Lar de grandes marcos geológicos, como o deserto de Gobi, a Mongólia não é um país frequentemente associado ao desenvolvimento urbano. Mas após reformas econômicas que vieram com o desmonte da União Soviética em 1990 e a descoberta de grandes reservas de carvão, ouro e cobre, parte significativa da sociedade historicamente nômade da Mongólia começou a se estabelecer, particularmente na capital do país, Ulaanbaatar, onde vive praticamente metade dos 3 milhões de habitantes do país.
Infelizmente, a infraestrutura da cidade ainda não alcançou este rápido crescimento, resultando em assentamentos informais caracterizados pelas tradicionais barracas de tecido - conhecidas como gers - em torno das cidades. É rara a presença se edifícios cívicos nesses bairros e se deslocar nas cidades é difícil devido à insuficiência de mapas oficiais.
Nesta TED Talk, o físico Geoffrey West começa se perguntando se é possível criar uma teoria científica que use princípios gerais para prever o futuro das cidades.
Segundo ele, as cidades seriam regidas por simples leis matemáticas. Assim, fatores como mobilidade, delinquência, riqueza e outros aspectos da vida de uma cidade podem ser previstos a partir de um só número: a população.
https://www.archdaily.com.br/br/783451/ted-talk-com-geoffrey-west-a-surpreendente-matematica-das-cidadesEquipo Plataforma Urbana
A partir do uso de peles de animais para criar o envelope de uma tenda, passando pela construção de estruturas a partir de ossos e o uso de lama seca para alvenaria, os seres humanos há muito tempo se volta à natureza em busca de inspiração sobre quais materiais devem ser utilizados para a construção.
Neste mês, queremos destacar as formas versáteis que os arquitetos podem abraçar através de tradições antigas. Por isso, o Museu de Arte Popular da Academia de Artes da China, projetado por Kengo Kuma é o projeto do mês. Este é um edifício concebido através da combinação de técnicas tradicionais com materiais reciclados, resultando numa estrutura sutil, mas poderosa.
https://www.archdaily.com.br/br/783780/projeto-do-mes-fevereiroAD Editorial Team
Antes e depois. Imagem via Leandro Cabello | Carquero Arquitectura
Em 2011, após o colapso parcial da Torre Medieval do Castelo de Matrera em Villamartin, Cádiz (datado do século IX dC), decidiu-se finalizar a restauração do projeto, com o objetivo de controlar o risco de colapso total e evitar assim, a destruição dos poucos itens que ainda restavam.
O desafio da execução do projeto de restauração ficou à cargo do arquiteto espanhol Carlos Quevedo Rojas, cujo projeto foi aprovado pela Junta da Andaluzia em conformidade com a Lei Andaluz de Patrimônio Histórico, que proíbe tentativas de reconstrução mimética e que exige o uso de materiais que se diferenciem dos materiais originais da obra.
Segundo o arquiteto: "Esta intervenção pretende atingir três objetivos básicos: consolidar estruturalmente os elementos emergentes em risco; diferenciar a intervenção adicionada ao item original (evitando as reconstruções miméticas que são proibidas por Lei) e recuperar o volume, textura e tonalidade que tinha a torre originalmente. Sendo, portanto, uma realidade aparentemente antagônica, a essência do projeto não se destina a ser, portanto, uma imagem do futuro, mas sim um reflexo de seu próprio passado, de sua própria origem ".
A controversa restauração não só gerou uma ampla discussão internacional sobre a restauração do patrimônio, mas será levada para a Comissão da Cultura do Parlamento de Andaluzia pelo grupo Izquierda Unida, para ver se este era o resultado esperado pelo Ministério da Cultura. Por outro lado, o edifício que antigamente recebia visitas esporádicas hoje tornou-se a nova atração turística da região.
Por que essa restauração tem causado tanta controvérsia? É realmente um "atentado patrimonial", como chamaram os meios de comunicação? Você acha que poderia ter sido feito de melhor maneira?
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Ao se produzir um modelo virtual 3D, assim como uma maquete física, um dos maiores desafios é como transmitir efetivamente a atmosfera do projeto de interiores. Isso é dificultado ainda mais pelo fato de, historicamente, os modelos virtuais 3D e softwares de visualização abordarem a modelagem a partir de um objeto em torno do qual o usuário orbita, em vez de um espaço visto de dentro.
No entanto, há uma variedade de técnicas que podem ser usadas para exibir interiores de modo mais eficiente. No segundo artigo da série Selected by Sketchfab , nossos parceiros do Sketchfab escolheram os melhores exemplos de modelos disponíveis em sua plataforma que mostram os espaços internos de modo inventivo.
Para muitos arquitetos, uma obsessão com o projeto vem desde uma idade muito jovem - muitas vezes, uma carreira de arquitetura começa com brinquedos como blocos de madeira ou o clássico LEGO. Nos últimos anos, porém, um novo concorrente surgiu para inspirar mentes arquitetônicas jovens: Minecraft. Neste artigo, originalmente publicado em Autodesk's Line//Shape//Space como "Minecraft Architecture: What Architects Can Learn From a Video Game,", Kim A O'Connell analisa a influência crescente do Minecraft no desenho e educação arquitetônica, incluindo a crescente presença da equipe global da "Blockworks".
Desde que estourou no cenário dos jogos em 2009, Minecraft tornou-se um dos jogos mais populares do mundo, tanto que a Microsoft comprou o jogo e a companhia que o produzia por uma quantia de $ 2,5 milhões, em 2014.
Hoje, a plataforma de construção também tem atraído a atenção de arquitetos e designers. Poderia um jogo de computador realmente mudar a forma como a arquitetura é ensinada e praticada?
Este mês compartilhamos o passeio virtual por uma residência bela e simples de estrutura metálica projetada por Charles Eames e Eero Saarinen. O Case Study House Program, iniciado por John Entenza em 1945 em Los Angeles, foi concebido para oferecer ao público modelos de habitações modernas de baixo custo. Prevendo o boom na construção civil após a Segunda Guerra Mundial, Entenza convidou renomados arquitetos, como Richard Neutra, para projetar e construir casas para clientes usando materiais doados de fabricantes e da indústria da construção.
Entenza era o editor da revista mensal Arts & Architecture, na qual publicou as ideias dos arquitetos que havia convidado. Dois destes arquitetos eram Eero Saarinen e Charles Eams, que, para a Case Study House n° 9, Entenza convidou a projetarem sua própria casa. A residência foi construída a apenas alguns metros da casa Charles e Ray Eames, que a dupla também construiu como parte do programa.
Estacionar o carro sobre uma ciclovia é algo claramente errado. Parece simples na teoria, porém, na prática, algumas pessoas continuam fazendo isso.
Com isso em mente, o portal canadense The Coast produziu um vídeo irônico chamado "How to park in a bike lane" [Como estacionar em uma ciclovia], que busca, segundo os próprios criadores, servir de "guia amigável para os condutores sobre os lugares onde os ciclistas pedalam".