Para além da iluminação artificial: museus que exploram os benefícios da luz natural

Para além da iluminação artificial: museus que exploram os benefícios da luz natural

O desenvolvimento de um projeto de iluminação para os espaços expositivos de museus pode revelar-se uma tarefa bastante desafiadora, pois, ao mesmo tempo, a luz deve ser responsável por valorizar o espaço, preservar ao máximo a integridade das obras e enfatizá-las de forma a fornecer ao visitante as melhores condições para a sua fruição.

Além de possuir o mais alto CRI (Índice de reprodução de cor), a luz solar atribui uma sensação de conforto e bem-estar aos usuários de determinado espaço. Assim, em espaços expositivos, a iluminação natural é importante tanto para revelar com precisão as cores dos objetos expostos — o que adquire particular relevância ao tratar-se de obras de arte — como para proporcionar uma maior sensação de conforto aos visitantes, possibilitando uma leitura clara daquilo que está exposto.

Museu Jumex / David Chipperfield Architects. Imagem: © Simon MengesMuseu Cantonal de Belas Artes / BAROZZI VEIGA. Imagem: © Simon MengesMuseu de História Natural Yingliang Stone / Atelier Alter Architects. Cortesia de Atelier Alter ArchitectsMuseu de Belas Artes das Astúrias / Francisco Mangado. Imagem: © Pedro Pegenaute+ 13

Mas, na maioria dos projetos de museus, é impossível utilizar a iluminação como única fonte de luz nos espaços expositivos. Seja pela exposição dos objetos em horários em que a luz solar não está mais presente ou pela necessidade de prever iluminação focal para as obras ou objetos expostos, estes espaços costumam demandar um projeto de iluminação artificial com especificação de luzes adequadas. Nesses casos, a iluminação LED pode ser uma alternativa para uma reprodução próxima da luz natural, atingindo índices semelhantes às propriedades da luz solar, como o CRI e a temperatura da cor.

Nesse sentido, pensar a iluminação dos espaços de museus para além daquela artificial, de modo a tirar proveito da incidência da luz do sol (de forma controlada) pode ser um caminho para proporcionar melhores condições tanto para os objetos expostos como para os visitantes dos museus, como demonstram alguns projetos ao redor do mundo. 

Museu Jumex / David Chipperfield Architects. Imagem: © Simon Menges
Museu Jumex / David Chipperfield Architects. Imagem: © Simon Menges
Corte. © David Chipperfield Architects
Corte. © David Chipperfield Architects

O Museu Jumex, projetado por David Chipperfield Architects e localizado na Cidade do México, abriga uma das maiores coleções particulares de arte contemporânea na América Latina. A emblemática cobertura do museu, em formato de dente de serra, possui aberturas para iluminação natural, que penetra de forma difusa e uniforme na galeria do andar superior. A luz natural também pode ser controlada de forma a atender aos requisitos estabelecidos pela curadoria em exposições específicas.

Kult / Pool Leber Architekten + Bleckmann Krys Architekten. Imagem: © Brígida González
Kult / Pool Leber Architekten + Bleckmann Krys Architekten. Imagem: © Brígida González
Diagrama. Cortesia de Pool Leber Architekten e Bleckmann Krys Architekten
Diagrama. Cortesia de Pool Leber Architekten e Bleckmann Krys Architekten

Já no Museu Kult, projeto dos escritórios Pool Leber Architekten e Bleckmann Krys Architekten em Vreden, na Alemanha, as aberturas para iluminação natural localizam-se no átrio, de forma a proporcionar uma iluminação natural equilibrada a todos os pavimentos e facilitar a orientação dos visitantes a partir do centro do museu. No primeiro andar, destinado à parte secular da exposição, as janelas direcionam a vista ao porto medieval, enquanto as aberturas do segundo andar, onde encontra-se a área de exposição clerical, enquadram as duas igrejas de Vreden.

Museu de Belas Artes das Astúrias / Francisco Mangado. Imagem: © Pedro Pegenaute
Museu de Belas Artes das Astúrias / Francisco Mangado. Imagem: © Pedro Pegenaute
Corte. Cortesia de Francisco Mangado
Corte. Cortesia de Francisco Mangado

De forma semelhante à obra anterior, o projeto de Francisco Mangado para o novo edifício principal do Museu de Belas Artes das Astúrias em Oviedo, Espanha, tem como elemento central um pátio coberto com “uma grande claraboia que articula e estrutura os elementos de acesso e comunicação, tornando-se um espaço de referência no complexo”. As claraboias são posicionadas de forma afastada da fachada, o que reduz seu impacto formal no exterior, ao mesmo tempo em que potencializam a qualidade da iluminação natural no interior.

Museu de História Natural Yingliang Stone / Atelier Alter Architects. Cortesia de Atelier Alter Architects
Museu de História Natural Yingliang Stone / Atelier Alter Architects. Cortesia de Atelier Alter Architects
Corte AA. Cortesia de Atelier Alter Architects
Corte AA. Cortesia de Atelier Alter Architects

A luz solar também desempenha um papel importante no projeto para o Museu de História Natural Yingliang Stone, do escritório Atelier Alter Architects. A inserção do museu no prédio da uma empresa de mineração em Xiamen, na China, significaria uma limitação da iluminação natural nos escritórios, portanto, a luz foi uma questão-chave desde o início do desenvolvimento do projeto. Como solução arquitetônica, foram introduzidos cristaloides verticais e horizontais que, interceptados no espaço do átrio, fazem uma mediação entre a luz do sol que atravessa as claraboias preexistentes e os espaços de exposição.

Museu Cantonal de Belas Artes / BAROZZI VEIGA. Imagem: © Simon Menges
Museu Cantonal de Belas Artes / BAROZZI VEIGA. Imagem: © Simon Menges
Corte transversal. Cortesia de BAROZZI VEIGA
Corte transversal. Cortesia de BAROZZI VEIGA

Por sua vez, o projeto para o Museu Cantonal de Belas Artes em Lausanne, na Suíça, do escritório BAROZZI VEIGA, explora uma intercalação das aberturas para o exterior. Se ao Sul a fachada tem poucas aberturas, de forma a proteger as coleções do museu e evitar a perturbação dos trens nos espaços internos, ao Norte é caracterizada por aberturas grandes e altas que permitem a entrada de luz natural e vistas para a cidade. De forma a evitar a incidência solar direta, são propostas aletas verticais entre as janelas. Além das aberturas laterais, foram projetadas coberturas modulares com um sistema de obturador interno para controlar a quantidade de luz solar que ilumina o pavimento superior.

Extensão do Museu Kunsthaus Zürich / David Chipperfield Architects. Imagem: © Noshe
Extensão do Museu Kunsthaus Zürich / David Chipperfield Architects. Imagem: © Noshe
Corte. Cortesia de David Chipperfield Architects
Corte. Cortesia de David Chipperfield Architects

Também localizado na Suíça, mas na cidade de Zurique, o projeto de David Chipperfield Architects para a Extensão do Museu Kunsthaus Zürich, combina tradição e inovação por meio das soluções arquitetônicas adotadas. A inspiração formal do edifício na antiga escola cantonal alia-se à adoção de aletas verticais de calcário local distribuídas regularmente ao longo das fachadas. Os espaços expositivos são caracterizados pela abundância de luz solar - através das aberturas laterais no primeiro andar e das claraboias no segundo - que, combinada à iluminação artificial, colocam a “experiência imediata da arte no centro da experiência do visitante”.

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As citações no texto foram retiradas dos memoriais enviados pelos autores de cada projeto. 

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Sobre este autor
Cita: Susanna Moreira. "Para além da iluminação artificial: museus que exploram os benefícios da luz natural" 24 Abr 2021. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/959352/para-alem-da-iluminacao-artificial-museus-que-exploram-os-beneficios-da-luz-natural> ISSN 0719-8906

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