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Clássicos da Arquitetura: Bairro Gallaratese / Aldo Rossi e Carlo Aymonino

Clássicos da Arquitetura: Bairro Gallaratese / Aldo Rossi e Carlo Aymonino
Clássicos da Arquitetura: Bairro Gallaratese / Aldo Rossi e Carlo Aymonino, © Gili Merin
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À medida que a poeira abaixava após a Segunda Guerra Mundial, grande parte da Europa permaneceu com uma escassez habitacional. Em Milão, uma série de planos foram elaborados em resposta à crise, estabelecendo comunidades satélites para a cidade do norte da Itália, onde cada uma seria habitada por entre 50.000 e 130.000 pessoas. A construção da primeira dessas comunidades começou em 1946, um ano após o fim do conflito. Dez anos mais tarde, em 1956, a adoção do Il Piano Regolatore Generale -um novo plano diretor- preparou o cenário para o desenvolvimento da segunda, conhecida como "Gallaratese". O terreno da nova comunidade foi dividido em partes 1 e 2, sendo esta última propriedade do Monte Amiata Società Mineraria per Azioni. Quando o plano permitiu o desenvolvimento privado de Gallaratese 2 no final de 1967, a comissão para o projeto foi dada ao Studio Ayde e, em particular, seu sócio Carlo Aymonino. Dois meses depois, Aymonino convidaria Aldo Rossi para projetar um edifício para o complexo e os dois italianos começaram a realizar suas respectivas visões para a comunidade microcósmica ideal. [1]

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Aymonino e Rossi eram conhecidos nos campos dos estudos urbanos e morfologia na época em que começaram a trabalhar no novo desenvolvimento. Seu interesse não residia na arquitetura solitária, mas nas comunidades urbanas com todos os elementos díspares necessários para uma sociedade em funcionamento: residências, comércio, indústria e muito mais. Gallaratese era, então, a oportunidade de combinar esses elementos e criar uma nova comunidade a partir do zero. O formato que aplicaram ao projeto inspirou-se em uma série de experimentos conduzidos na década de 1950 por um grupo de arquitetos modernistas chamado "Projeto X". Começando com a Unité d'Habitation de Le Corbusier, o grupo acrescentou elementos como pavimentos ao ar livre e passarelas para converter os blocos residenciais isolados em distritos urbanos mais unificados. [2]

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As ideologias urbanas utópicas dos dois arquitetos se fundiram em um complexo de cinco edifícios: A1, A2, B e C foram desenhados por Aymonino, enquanto D foi a contribuição de Rossi. Inspirado pelas formas escalonadas, percursos de circulação interinos e externos e a organização espacial celular de exemplos romanos como o Mercado de Trajano, Aymonino incorporou as mesmas características em A1 e A2, os blocos de 8 pavimentos que formam o limite sul do lote. No ponto onde os dois se encontram em um ângulo raso implanta-se o B, de 6 pavimentos, que se estende para o norte a partir da interseção. Este ponto de interseção é também o lar de um anfiteatro ao ar livre; Para ambos os lados, abrigados pelos três blocos de apartamentos, estão duas praças triangulares para uso comunal. Aymonino projetou A1, A2 e B com uma variedade de plantas residenciais diferentes, variando de apartamentos pátio acessíveis de um patamar público às unidades alcançadas de um único corredor interior como no exemplo de Le Corbusier. O edifício final de Aymonino, C, é um conector de dois andares ligando D ao resto do complexo. [3]

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Em contraste com os projetos visualmente e formalmente complexos de Aymonino, Rossi optou por uma uniformidade tão completa que é quase surpreendente. Sua inspiração não veio da Roma Antiga, mas a partir da década de 1930 -especificamente, as pinturas de Giorgio de Cherico. Todos os elementos visíveis do edifício são estruturais, sem ornamentação para distrair da repetição de janelas e aberturas que abrangem todo o comprimento do bloco (200 metros). Cada unidade residencial é acessível a partir de uma galeria, enquanto uma arcada aberta, minimalista e sem adornos como o restante da estrutura, ocupa o piso térreo. Assim como a simplicidade morfológica de D o distingue da variegação do resto do complexo, sua pintura branca também se destaca dos vermelhos e castanhos apagados das unidades de Aymonino; Apenas o anfiteatro, pintado de amarelo brilhante, se aproxima da mesma ênfase cromática. [4,5]

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Oficialmente intitulado Conjunto Habitiacional Monte Amiata por seus proprietários, a obra de Aymonino e Rossi foi imediatamente objeto de controvérsia e debate após sua conclusão em 1972. A pressão de grupos da Liga Comunista tornou o complexo habitação para os sem-teto, com um resultado  resultados tão desastroso que todos os inquilinos o abandonaram em 1974. Nos últimos quarenta anos, porém, Gallaratese ressuscitou das cinzas e prospera sob sua atual ocupação. Os ideais de planejamento urbano evoluíram muito desde que Aymonino e Rossi começaram a trabalhar em 1967; entretanto, ignorando a passagem do tempo, Gallaratese continua a servir como a comunidade movimentada seus criadores tão ansiosamente imaginada. [6]

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Referências
[1] Sherwood, Roger. "Gallaratese." Housing Prototypes. Acesso em 11 de Março de 2017. [link].
[2] Castex, Jean. Architecture of Italy. Westport, CT: Greenwood Press, 2008. p83.
[3] Sherwood.
[4] Castex, p84-85.
[5] Sherwood.
[6] Castex, p83.

  • Arquitetos

    Aldo Rossi e Carlo Aymonino
  • Localização

    Via Enrico Falck, 37, 20151 Milão, Itália
  • Arquiteto Principal

  • Ano do projeto

    1972
  • Fotografias

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Sobre este escritório
Cita: Fiederer, Luke. "Clássicos da Arquitetura: Bairro Gallaratese / Aldo Rossi e Carlo Aymonino" [AD Classics: Gallaratese Quarter / Aldo Rossi & Carlo Aymonino] 03 Abr 2017. ArchDaily Brasil. (Trad. Souza, Eduardo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/868383/classicos-da-arquitetura-bairro-gallaratese-aldo-rossi-e-carlo-aymonino> ISSN 0719-8906

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