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Arquitetura Flutuante: O mais recente de arquitetura e notícia

Os desafios de construir um edifício flutuante de madeira, autossuficiente e completamente reutilizável

Todos que já construíram alguma coisa; uma maquete, uma casa de passarinho ou um pequeno mobiliário, têm a clara noção da quantidade de coisas que podem sair errado durante o processo. Um parafuso que é impossível de apertar até o fim, uma tábua de madeira empenada, uma desatenção ou um erro de cálculo que podem frustrar os planos de uma hora para outra. Quando transportamos isso para uma escala de uma edificação, com inúmeros processos e diferentes pessoas envolvidas, sabemos o quão complexo uma obra pode se tornar e quantas coisas podem sair do controle, demorando mais tempo e demandando mais recursos para finalizar. E ao falarmos de uma edificação que precisa flutuar, ser completamente autossuficiente e, depois de cumprir sua vida útil, poder ser completamente reutilizada. Você conseguiria imaginar os desafios técnicos de construir algo assim?   

Ko Panyi: uma aldeia flutuando no mar tailandês

Quando se fala em cidade ou suas variações menores, – aldeia, vila, comunidade – somos habituados a evocar cenários estereotipados que correspondem a ruas, carros, construções e, muitas vezes, acabamos esquecendo que sempre podemos nos surpreender com outras formas dotadas de originalidade.

Muito se especula sobre momento exato no qual as cidades foram inventadas, sendo obras abertas, inacabadas e objeto dos mais variados estudos desde então. Há quem pressupõe que sua natureza se deu pela necessidade de proteção, o que fez com que o homem deixasse a vida nômade e se agrupasse em um determinado território a fim de aumentar suas chances de sobrevivência.  

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Como as arquiteturas flutuantes não afundam?

O ambiente aquático sempre fascinou sonhadores e pesquisadores. Por volta de 1960, em meio à acirrada corrida espacial da Guerra Fria, o explorador francês Jacques Cousteau desenvolveu equipamentos para desvendar as profundezas do mar - como o Aqualung - que permaneciam tão ou mais inexploradas que o próprio espaço sideral. Ele chegou a afirmar que em 10 anos poderíamos ocupar o fundo do mar como “aquanautas” ou 'oceanautas”, onde seria possível passar períodos longos, extraindo recursos minerais e até cultivando alimentos. Sessenta anos depois o fundo do mar ainda é reservado a poucos, e a humanidade tem se preocupado mais com as enormes quantidades de plástico nos oceanos e o aumento do nível dos mares por conta do aquecimento global. Mas estar próximo de um corpo d’água continua fascinando grande parte das pessoas. Seja por interesse ou pela necessidade de ganhar espaço em cidades com riscos de inundação ou populosas demais, propostas utópicas e exemplos interessantes de arquiteturas flutuantes têm figurado no arquivo de projetos do ArchDaily. Mas quais as diferenças fundamentais entre construir casas em terra e casas na água e de que forma esses edifícios permanecem na superfície e não afundam?

Arquitetura no mar: pavilhões flutuantes e a beleza da impermanência

Frequentemente, a arquitetura é definida por sua capacidade de permanência. Embora os trabalhos mais celebrados de nossa disciplina sejam usualmente aqueles construídos para durar, há uma certa beleza e valor inerente à impermanência. Mais além do que apenas edifícios convencionais e considerando os impactos ambientais e sociais da construção civil, estruturas temporárias têm o potencial de transcender os limites da própria arquitetura, sendo considerados, muitas vezes, obras de arte.

Cortesia de Bulot+Collins© Wolfgang Volz© Studio Tom Emerson© Ahmad El Mad+ 10

Marshall Blecher & Studio Fokstrot projetam ilhas flutuantes no porto de Copenhague

Marshall Blecher e o Studio Fokstrot projetaram uma série ilhas flutuantes no porto da cidade de Copenhague. Alterando a paisagem urbana, o projeto pode ser usado por velejadores, pescadores, nadadores ou pessoas interessadas em fazer piqueniques ou observar as estrelas.

Powerhouse Company projeta edifício corporativo de madeira flutuante em Roterdã

A Powerhouse Company divulgou novas imagens o seu projeto para a sede da Global Commission on Adaptation. Chamado de Floating Office Rotterdam (FOR), o edifício da sede da GCA será inteiramente construído em estrutura de madeira além de ser auto-suficiente em energia. Com o início das obras de construção planejado para a primavera de 2020, a sede flutuante da GCA deverá ficar temporariamente implantada em Rijnhaven, em pleno coração da cidade de Rotterdam.

Arquitetura Flutuante na Amazônia: Folies Tropicales

Cortesia de Architectural Association Visiting School AmazonCortesia de Architectural Association Visiting School AmazonCortesia de Architectural Association Visiting School AmazonCortesia de Architectural Association Visiting School Amazon+ 22

Flutuar é uma das formas de viver e se locomover mais antigas da humanidade. Esta prática ancestral hoje em dia é de grande interesse devido às mais frequentes inundações devidas ao Câmbio Climático.

Os povos ribeirinhos da floresta Amazônica flutuam há séculos com diferentes estratégias. Estudando as soluções arquitetônicas das comunidades locais e com o uso de tecnologia de materiais contemporâneos, os co-diretores da Architectural Association Visiting School Amazon o arquiteto Marko Brajovic e designer Nacho Martí organizaram um workshop internacional para experimentar com o tema da arquitetura flutuante.

Arquitetura flutuante: 15 projetos para se inspirar

Mais da metade do planeta é composta por corpos hídricos e maior parte da população vive em suas proximidades. Estes locais são cada vez mais afetados por catástrofes ambientais ou pelo aumento de níveis de água, causados pelo aquecimento global, conformando um cenário que traz novos desafios para o modo que habitamos e pensamos os edifícios no litoral ou em áreas ribeirinhas.

A arquitetura flutuante pode se adaptar às variações de níveis de água e diferentes condições climáticas, sinalizando um possível caminho para solucionar os problemas apontados. Para aumentar seu repertório de referências flutuantes, reunimos aqui 15 projetos que foram implantados diretamente nas águas e possuem os mais diferentes usos: habitacional, cultural, educacional, recreativo e de infraestrutura.

Projeto pretende criar centro de aprendizagem flutuante na Amazônia

No final de agosto deste ano ocorreu a terceira edição da AA Visiting School Amazon. Após oito dias de imersão na floresta amazônica, estudando sua natureza e compreendendo conceitos de biomimética, os professores Marko Brajovic, Nacho Martí e Alessandra Araujo, juntos de um grupo internacional de arquitetos e estudantes, projetaram um centro para educar as pessoas do Lago Mamori e ajudá-los a imaginar as mudanças que precisam fazer em suas vidas para se adaptarem às mudanças climáticas e possíveis desastres ambientais decorrentes delas.

Precisamos pensar em arquiteturas flutuantes?

Muito se fala sobre os avanços arquitetônicos nos quesitos social, político, técnico-construtivo e ambiental. Contudo, nos mais variados discursos e ocasiões, a estaticidade sempre assumida pela Arquitetura ainda é pouco comentada. Quando falamos sobre o tema imediatamente imaginamos “corpos” pesados e estáticos. A humanidade historicamente desenvolveu-se trabalhando em conjunto com a natureza, através da observação, adaptação e o respeito a ela. E esse fator é mais latente quando pensamos na água, que cobre aproximadamente 71 por cento da superfície do planeta. 

Com mais da metade da área do planeta recoberta por corpos hídricos e milhares de pessoas vivendo em suas proximidades ou zonas afetadas por catástrofes ambientais, pensar sistemas capazes a adaptar-se, por meio de arquiteturas flutuantes, pode ser imprescindível para o futuro no campo da arquitetura.

O que o arquiteto pode aprender com a natureza para enfrentar os desafios do futuro?

© Mert Kilcioglu and Cenk Gencer. ImageProjeto realizado por Mert Kilcioglu e Cenk Gencer durante AA VISITING SCHOOL AMAZONAS
© Mert Kilcioglu and Cenk Gencer. ImageProjeto realizado por Mert Kilcioglu e Cenk Gencer durante AA VISITING SCHOOL AMAZONAS

A partir de 25 de agosto, a floresta amazônica mais uma vez será anfitriã de um workshop de Arquitetura Flutuante liderado por especialistas em biomimética e ex-alunos do WDCD, Marko Brajovic e Nacho Marti, professor da AA. Desta vez, o curso também estabeleceu um objetivo novo e emocionante: gerar ideias para o WDCD Climate Action Challenge.

Inscrições abertas para o curso de "Arquitetura Flutuante" no Amazonas, realizado pelo AA Visiting School Amazonas

A pesquisa mostra que os níveis do oceano estão aumentando devido ao aquecimento global. As consequências disso colocarão centenas de cidades em risco de serem inundadas. Da mesma forma, os níveis de água no lago Mamori variam muito entre a estação seca e a estação chuvosa, quando o rio pode subir até 14 metros inundando a floresta e alterando a fisionomia da terra. Atualmente, as casas locais são construídas em palafitas para lidar com as variações das marés, mas nos últimos anos, isso nem sempre foi suficiente para evitar a devastação causada pelo rio.

Kunlé Adeyemi: Meu escritório não faz apenas "arquitetura flutuante"

"Não estamos investindo em construir na água. Não se trata de 'arquitetura flutuante', este não é o foco do meu escritório. Trata-se da relação entre água e cidade, entre água e os humanos."

Nesta entrevista produzida pelo Louisiana Channel, o fundador do NLÉ Architects, Kunlé Adeyemi, discute a relação de seu trabalho com a água através de projetos como o Chicoco Radio, proposta desenvolvida para um concurso de quiosques na orla de Chicago, e, evidentemente, o projeto para a Escola Flutuantes de Makoko. Refletindo sobre o papel da água nos assentamentos humanos, Adeyemi explica como projetar neste contexto aquático introduz tanto desafios como oportunidades, acrescentando: "estamos apenas começando a nos preparar para viver com a água, em vez de lutar contra ela."

5 segredos arquitetônicos dos Badjao: Povos marítimos do século 21

Milhares de anos atrás, uma pequena civilização de caçadores migraram para as regiões costeiras do sudeste da Ásia. Essas pessoas evoluíram para uma tribo generalizada de viajantes do mar. Até hoje eles permanecem como um povo sem Estado, sem nacionalidade e sem infra-estrutura consistente, às vezes vivendo a quilômetros de distância da terra. No entanto, essas pessoas constituem uma das poucas civilizações cuja vida coletiva tem sobrevivido por tanto tempo através da história humana. Eles são chamados de Badjao, e possuem qualidades surpreendentes que nos ensinarão sobre a arquitetura.

Comunidade Badjao ao longo da costa de Sabah, Malásia . Imagem © Dolly MJ via ShutterstockMulher Badjao remando uma canoa. Imagem © Dolly MJ via ShutterstockConstrução temporária no Sudeste Asiático. Imagem © asnida via ShutterstockCriança Badjao remando próximo a costa. Imagem © idome via Shutterstock+ 9

Vídeo: A metrópole flutuante que poderia abrigar as plataformas de petróleo no mar brasileiro

A indústria petrolífera brasileira está em expansão. Infelizmente para as companhias de petróleo, as novas reservas estão muito distantes da costa - de fato, tão longe que estão fora do alcance dos helicópteros que transportam os trabalhadores das plataformas. É por isso que os estudantes da Rice University assumiram o desafio de projetar a "Drift & Drive", uma comunidade flutuante onde os trabalhadores e suas famílias podem permanecer por longos períodos de tempo, acabando com a inconveniência do ciclo de duas semanas nas plataformas e duas semanas de descanso.

O projeto venceu o Prêmio Odebrecht do ano passado e agora a Petrobras está trabalhando em um plano para implementar alguns elementos da proposta.

Saiba mais sobre o projeto a seguir.