O que 2023 reserva para o desenvolvimento e para o meio ambiente?
O fim de 2022 certamente nos deixou em uma posição interessante – mas preocupante. Uma pandemia que já dura três anos se mostrou ainda longe de acabar, adoecendo milhões de pessoas e afetando as economias. A inflação global atingiu 9%, o nível mais alto desde 2008. A invasão da Ucrânia pela Rússia obrigou milhões de pessoas a deixarem suas casas e causou efeitos em cascata em sistemas de alimentos e energia pelo mundo. E os impactos das mudanças climáticas – de inundações fatais no Paquistão a ondas de calor fulminantes na Índia e secas na África – multiplicaram as ameaças.
O sistema de compostagem pode ser construído com diversos materiais. Foto: Paulo H.Carvalho | Agência Brasília
Cada brasileiro gera, em média, quase um quilo de lixo por dia, segundo levantamento feito pelo Selurb (Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana). Já de acordo com a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), os resíduos orgânicos representam metade do total do lixo urbano gerado no Brasil todos os anos. São resíduos que poderiam ser aproveitados para compostagem, biodigestão e/ou produção energética, mas são encaminhados para aterros sanitários – onde vão contaminar o solo e produzir gases poluentes.
O Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana (Mitma) da Espanha divulgou a proposta vencedora do concurso para a seleção da curadoria e projeto expográfico do pavilhão espanhol na 18ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza, que estará aberta ao público de 20 de maio a 26 de novembro de 2023.
Vista panorâmica do 432 Park Avenue Condominiums, projetado por Viñoly em Nova York. Imagem via Shutterstock / Sergii Figurnyi
O mundo da arquitetura está de luto pela morte do renomado arquiteto uruguaio-americano Rafael Viñoly, de 78 anos de idade. Com mais de meio século de experiência profissional, Viñoly se destacou por projetos ousados e imponentes construídos em diversas cidades do mundo.
O termo escritório, do latim scriptorium, significa "lugar de escrita” e, talvez por isso, geralmente a primeira imagem que vem à tona é um espaço composto por uma mesa e uma cadeira. Mas nem sempre foi assim. Na idade média, os mosteiros eram os principais locais destinados ao estudo e conhecimento, com salas privadas destinadas a auxiliar na concentração dos monges durante os períodos de pesquisa. No entanto, registros afirmam que tais espaços não eram considerados propriamente confortáveis, visto que os estudiosos permaneciam em pé na maior parte do tempo.
O arquiteto português Álvaro Siza Vieira foi escolhido pela Santa Sé para criar a instalação que irá representá-la na Bienal de Arquitetura de Veneza, que ocorrerá entre 20 de maio e 26 de novembro de 2023. Em colaboração com o Studio Albori da Itália, o pavilhão do Vaticano, que tem curadoria de Roberto Cremascoli, será dedicado ao tema da amizade social, em comemoração ao décimo aniversário do pontificado do Papa Francisco.
O Studio KO foi escolhido para assumir a curadoria do Pavilhão Nacional do Uzbequistão na 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza. A resposta do país ao tema geral deste ano —O Laboratório do Futuro— é uma exposição intitulada Desconstruir Juntos. O objetivo é colocar em foco o rico patrimônio arquitetônico do país como uma ferramenta potencial e inspiradora para o desenvolvimento de um futuro mais sustentável. A equipe curatorial incluirá Karl Fournier, Olivier Marty, Jean-Baptiste Carisé e Sophia Bengebara.
Toyohito Ikeda, governador de Takamatsu, no Japão, decretou a demolição do famoso Ginásio Kagawa, projetado por Kenzo Tange. Construída entre 1961 e 1964, a estrutura é um marco modernista do pós-guerra no Japão. A notícia desencadeou a criação de uma petição em um esforço para salvar o monumento.
Forma e função. Termos que acompanham diversas definições que cabem à arquitetura, mas já não bastam para resumir a prática em 2023. Hoje, construir envolve a compreensão dos ciclos de materiais, como cada ação pode estar ligada ao extrativismo de recursos naturais e seus danos ao meio ambiente. Vivemos na urgência de revisar a forma como produzimos o espaço construído. Nessa busca por modelos que se afastam de sistemas lineares e que brindam um constante processo de transformação e redistribuição da matéria, estratégias oriundas da economia circular surgem como um possível caminho. Sua aplicação em patrimônios arquitetônicos — para manutenção ou restauro — podem servir como um grande incentivo para as mudanças necessárias em prol de uma sociedade mais sustentável.
O escritório português MASSLAB, em colaboração com o AFRY Ark Studio, venceu a Train Factory Mixed-Use Competition, um concurso internacional em duas etapas que teve como principal objectivo criar um novo marco para a cidade de Helsinque, na Finlândia. A proposta foi selecionada entre cinco consórcios de arquitetura reconhecidos mundialmente.
O concurso foi organizado pelo The Train Factory Group e pela Câmara Municipal de Helsinque, sendo escolhida a proposta A roof for Helsinki para o antigo edifício do trem elétrico que será transformado num edifício de 45.000 m2 de escritórios, comércio e um hotel, reimaginado como parte do núcleo social, comercial e cultural do património histórico.
Por meio de comunicado, o Instituto Nacional de Belas Artes e Letras (Inbal) anunciou a proposta selecionada que representará o México na Bienal de Arquitetura de Veneza 2023. A seleção contou com 44 equipes inscritas e 14 projetos apresentados. A proposta selecionada leva o nome de Infraestrutura utópica: a quadra campesina de basquete e é composta pelos seguintes participantes:
O Instituto Tomie Ohtake e a AkzoNobel apresentam os projetos finalistas do 9º Prêmio Arquitetura Tomie Ohtake Akzonobel. Ao todo, são 10 obras selecionadas na categoria Profissional e três projetos selecionados na Universitária, além de um projeto reconhecido como menção honrosa nesta mesma categoria.
Casa & Restaurante / junya ishigami + associates. Image Cortesia de junya ishigami + associates
Nos primórdios da humanidade, cada comunidade se organizou instintivamente de acordo com as condições locais, os recursos disponíveis e seu modo de vida. Se, por um lado, grupos nômades criaram soluções para ocupar espaços temporariamente, muitas vezes carregando abrigos dentre seus pertences, por outro, os grupos que começaram a assumir características sedentárias também criaram formas de ocupar espaços disponíveis e desenvolveram técnicas construtivas que foram evoluindo até a atualidade.
Uma dessas formas de habitar, que passou a ser negligenciada pela arquitetura convencional com o passar do tempo, chegando a ganhar um status mais fantasioso na cultura popular, foi a ocupação de espaços cavernosos ou escavados. Essa é, porém, uma prática milenar que soma técnicas vernaculares para contornar as condições climáticas e amplia as possibilidades da arquitetura.
O Clube dos 500 foi idealizado pelo banqueiro Orozimbo Roxo Loureiro no início dos anos 1950 aos moldes do antigo Clube dos 200, fundado pelo presidente Washington Luís para reunir influentes políticos e empresários longe dos holofotes das capitais. Embora a ideia inicial de um clube social não tenha prosperado, Orozimbo decidiu desenvolver no local um empreendimento comercial e de turismo oportunamente bem posicionado entre as duas maiores cidades brasileiras.
Selecionado dentre uma restrita lista de dez propostas, o projeto de David Chipperfield venceu o concurso pelo Museu Arqueológico Nacional de Atenas, na Grécia. Abrigando uma das coleções mais importantes do mundo de arte pré-histórica e antiga, o museu passará por obras de reforma e ampliação, incluindo um piso subterrâneo e um terraço verde. A proposta foi desenvolvida em conjunto com a Wirtz International, Tombazis & Associate Architects, wh-p ingenieure, Werner Sobek e Atelier Brückner.
Como a fundação não lida com indicação pública nem divulga a metodologia por trás da escolha do vencedor, a comunidade profissional especula anualmente quem pode ser o premiado. Analisando a lista de nomes que já ganharam, vemos que tudo é possível.
O projeto Down to Earth de Francelle Cane e Marija Marić foi escolhido por unanimidade para ocupar o Pavilhão de Luxemburgo para a 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza. O júri elogiou a análise detalhada do território nacional e dos seus habitantes, dando ao projeto uma inflexão universal. A equipe vencedora é composta por duas curadoras, Francelle Cane e Marija Marić, apoiadas por um Conselho Consultivo e uma equipe de colaboradores nas áreas de cenografia, produção de conteúdo e mídia. A equipe também contará com uma rede de parceiros nacionais e internacionais.