O Architecture-in-Development (A--D) tem o orgulho de apresentar os seis projetos finalistas do Global Challenge 2021. Além disso, as seis equipes selecionadas serão incluídas em um programa de incentivo e desenvolvimento de seis meses, o qual tem como principal objetivo aproximá-las de potenciais parceiros e colaboradores além de possíveis oportunidades de investimento público e recursos que possam finalmente auxiliá-las a encontrarem os meios de realizarem seus projetos no futuro próximo.
Já estamos acostumados com campanhas de educação ambiental, algumas gerações mais recentes tiveram aulas na escola sobre o tema, as informações são bem simples e já estão marteladas na cabeça de muita gente: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Apesar disso por algum motivo a maioria ainda não consegue seguir a simples recomendação de separar os diferentes resíduos que descartamos diariamente: os orgânicos (passíveis de serem reaproveitados como adubo), os sólidos (passíveis de reciclagem) e finalmente os rejeitos (o que não é reaproveitável) que vão necessariamente direto para os aterros sanitários.
Quando atravessa um espaço, um corpo carrega em si muitos significados. A leitura que se traduz entre esse diálogo pessoa-arquitetura, e as sensações que daí surgem, demonstram muito da desigualdade social e estruturas violentas intrínsecas ao imaginário ocidental que privilegia um mesmo padrão: o homem branco. Encontrar um lugar de reequílibrio no qual seja possível criar uma alternância de poder - em raça e gênero - é um compromisso de Erica Malunguinho.
Desde que o acordo de Paris foi firmado em 2015, minimizar os efeitos e consequências das mudanças climáticas em curso no planeta tem sido, pelo menos declarativamente, um objetivo comum em todo o mundo; no entanto, as ações que estão sendo tomadas variam amplamente de país para país. Pensando nisso, as principais grandes cidades do planeta decidiram se posicionar e partir para a ação ao invés de apenas esperar ordens de cima. Fato é que muitas das iniciativas levadas a cabo pelas administrações municipais e regionais acabam sendo neutralizadas pelo consequente aumento das emissões de carbono em outras regiões do país e do mundo. Além disso, é importante ressaltar que a vulnerabilidade e a capacidade de adaptação frente às consequências do agravamento da crise climática varia muito de lugar para lugar. Procurando esclarecer e discutir o conceito de desigualdade ambiental, este artigo chama a atenção para o fato de que a crise climática só pode ser combatida de maneira eficaz através de um esforço global conjunto, coordenado e transdisciplinar.
A facilidade de acesso, a alta disponibilidade no mercado, a resistência e durabilidade assim como o valor relativamente baixo fazem do tijolo um dos materiais mais utilizados na industria da construção civil, servindo muitas vezes, como símbolo de identidade da arquitetura de uma determinada região. No caso da Espanha, país profundamente influenciado pela cultura e arte mudéjar, o tijolo, que tem sido amplamente utilizado na arquitetura espanhola desde tempos imemoriais, ocupa ainda hoje uma posição privilegiada no cenário da arquitetura contemporânea. Recorrentemente utilizados para a construção de planos, arcos e abobadas, tijolos também aparecem na forma de estruturas vazadas como cobogós e muxarabis, permitindo a iluminação e ventilação natural de espaços interiores, especialmente em se tratando de um território cálido como o sul da Europa.
Pensando nisso, apresentamos à seguir uma série de projetos de arquitetura contemporânea que fazem uso deste material, acompanhados de um breve memorial descritivo fornecido pelos arquitetos responsáveis.
Para alguns, pode ser aterrorizante pensar que habitamos uma esfera orbitando em volta do Sol, cujo núcleo possui temperaturas de até 6.000ºC e todas as atividades humanas localizam-se sobre a crosta terrestre, a menor das camadas em espessura, nas chamadas placas tectônicas. Essas placas flutuam sobre o manto, mais precisamente na astenosfera e às vezes se chocam, causando tremores de terra. Como vemos neste mapa interativo, os terremotos são muito mais frequentes do que imaginamos, ocorrendo dezenas diariamente pelo mundo, muitos imperceptíveis. Mas alguns são extremamente potentes e, quando ocorrem próximo de áreas urbanas, são uma das forças mais destrutivas da Terra, causando mortes e danos no ambiente construído.
Com o avanço de pesquisas, testes e experimentações na engenharia, países e regiões com atividades tectônicas já possuem conhecimentos para reduzir o perigo de morte e os danos causados. Algumas soluções e materiais funcionam melhor no caso de um terremoto. A madeira é um deles.
Quando parte das ruas é dedicada ao estacionamento, opta-se por dar uma destinação privada a um dos ativos mais valiosos da cidade. De ciclovias e faixas dedicadas para ônibus a calçadas mais espaçosas, parklets ou mesmo faixas de tráfego veicular misto, o cardápio de usos mais benéficos à coletividade é vasto. Mais do que nunca, é preciso repensar a mobilidade em nome de cidades mais prósperas e inclusivas. E a cobrança do estacionamento rotativo é um bom ponto de partida.
O transporte coletivo, a bicicleta e a caminhada são as opções mais sustentáveis na mobilidade urbana. Porém, enquanto sistemas de ônibus definham em meio à falta de recursos e à queda na demanda, e ciclistas e pedestres dispõem de infraestrutura precária em seus deslocamentos, cidades investem recursos vultosos na manutenção das vias – e ainda reservam parcela significativa para motoristas armazenarem um bem privado.
https://www.archdaily.com.br/br/968924/cobrar-mais-pelo-estacionamento-nas-ruas-pode-promover-equidade-no-transporteJúlia Hartmann Mozetic, Guillermo Petzhold, Francisco Pasqual, Virginia Tavares e Fernando Corrêa
Atual situação da Bagley House. Imagem Cortesia de Patrick Mahoney, AIA
Relegada ao esquecimento até poucos meses atrás, uma das casas projetadas por Frank Lloyd Wright em estilo colonial holandês não parecia estar caminhando para um final muito feliz. Naquela ocasião, a residência projetada e construída pelo arquiteto em 1894 na região suburbana de Chicago, estava correndo sérios riscos de demolição quando foi colocada à venda por um valor de aproximadamente um milhão e trezentos mil dólares. Pouco tempo depois, ou melhor, na semana passada, a histórica Frederick Bagley House, definida pela organização sem fins lucrativos responsável pela conservação da obra construída de Frank Lloyd Wright como “uma obra exordial única e insubstituível”, parece agora caminhar em direção a um futuro bastante promissor—ou melhor, para um novo recomeço.
O Pavilhão Finlandês para a Expo 2020 de Dubai procura evidenciar a profunda conexão do país escandinavo com a natureza e a sustentabilidade—algo que contribui e muito para com a alta qualidade de vida de seus habitantes. Intitulado “Snow Cape”, o pavilhão projetado pela JKMM Architects evoca sutilmente os cenários naturais finlandeses através de sua materialidade e atmosfera, ao mesmo tempo que incorpora muitos dos princípios de economia circular defendidos pelo país nórdico. A estrutura de acesso, onde os visitantes são recebidos, assume a forma de uma tenda, criando um importante espaço de encontro e socialização entre os povos, lembrando a herança nômade do povo Finlandês— conectando ainda com o título do pavilhão escrito em árabe.
Observando rapidamente o continente africano, encontraremos uma enorme diversidade de padrões de assentamentos humanos, variando desde pequenos ambientes urbanos, enclaves rurais até extensas metrópoles. Sobrevoando este vasto território, podemos concluir também que muitas cidades africanas estão trabalhando para superar a lacuna histórica que as separa do resto do mundo—embora essa “evolução”, na maioria dos casos, esteja apenas acentuando as desigualdades estruturais que permeiam este continente de norte a sul. E esta dinâmica não é uma novidade, pois a aparência de muitas das cidades africanas ainda hoje é resultado de uma longa história de opressão e segregação.
Mutirantes no Centro Comunitário da Juta durante as obras do Mutirão.. Image Cortesia de USINA CTAH
Muitas vezes despercebida ou desconsiderada, a desigualdade de gênero na arquitetura traz consequências tanto às mulheres e suas carreiras quanto aos espaços e produtos criados. Há, porém, um nicho de trabalho dentro da construção civil que contradiz essa lógica, propondo a criar um espaço de trabalho mais igualitário. Este texto propõe uma reflexão sobre essa desigualdade e como ela é desafiada pelas práticas autogestionárias.
O projeto “Tequiocalco. Campa tlachializtli mozcalializtli in totlamatiliz huan toyuhcatiliz” – localizado no estado de Tlaxcala, México - que se traduz para o espanhol como Centro Autónomo de Investigación y Revitalización de Saberes Comunitarios (CAIRSCO), é o "lugar onde observamos ou investigamos e revitalizamos nossa sabedoria e cultura, formas de ser ou o que é vivido na comunidade".
https://www.archdaily.com.br/br/968865/a-re-existencia-do-habitar-da-lingua-e-do-territorio-arte-a-360-grados-plus-comunalArte a 360 grados + Comunal Taller de Arquitectura
Grandes cidades se tornaram os lugares mais perigosos durante a pandemia, além disso, toda a situação pandêmica validou o trabalho remoto e colocou em questão a necessidade de morar em centros urbanos e densos. Por esse motivo, o êxodo urbano provavelmente será um tema constante num futuro próximo e levantará grandes discussões no campo da arquitetura e urbanismo sobre como lidar com esse movimento.
https://www.archdaily.com.br/br/945131/casas-brasileiras-20-residencias-e-refugios-ruraisEquipe ArchDaily Brasil
A canção do grupo inglês Pink Floyd “Another brick in the wall” (Outro tijolo na parede) traz à crítica um sistema educacional alienante e pouco motivador. As pessoas, ou as crianças, são retratadas como tijolos, por conta de sua homogeneidade, seja na forma de viver ou de pensar em uma sociedade pouco afeita à contestação. Os tijolos funcionam muito bem nessa comparação, por terem mudado muito pouco na história e pelo mundo em suas formas retangulares. Mas isso não vale em relação às suas cores. Ainda que estejamos acostumados a remeter ao vermelho quando falamos de tijolos, há infinitas possibilidades de tons, conforme a composição e o processo de fabricação das peças.
Matosinhos, ao norte de Portugal, receberá o mais novo projeto do BIG, escritório dinamarquês liderado por Bjarke Ingels. Intitulado Fuse Valley, o projeto consiste em um complexo corporativo de uso misto localizado nas adjacências da cidade dedicado a Farfetch, plataforma global para moda de luxo, e ao Castro Group, empresa que atua nas áreas de promoção imobiliária e construção.
Vendendo a ideia de um empreendimento "sustentável" que abrirá caminho para um "futuro vale tecnológico" que nascerá em Matosinhos nos próximos quatro anos, as empresas destacam que mais de 80% dos espaços exteriores serão "totalmente abertos à comunidade, numa total harmonia e respeito pelo meio-ambiente envolvente."
O muro é um dos principais problemas de nossas cidades. Materialização divisionista por excelência, tira o sentido da convivência nas ruas e transforma o caminhar por nossas calçadas em uma experiência vazia, monótona e insegura. Os “olhos na rua” são essenciais para a vida urbana, especialmente em uma sociedade violenta como a brasileira.
Por que nossas cidades têm tantos muros? Usualmente se culpa o setor imobiliário, eterno vilão para os que costumam confundir causa e consequência. Mas, na verdade, casas já antigas também se valem deles.
O Pavilhão de Cingapura para a Expo 2020 Dubai ilustra a aspiração da cidade por um futuro sustentável que mescla arquitetura, natureza, tecnologia e cultura. Sob o título "Nature.Nurture.Future", o pavilhão projetado pelos arquitetos WOHA e o escritório de design de paisagismo Salad Dressing apresenta uma amostra do ambiente urbano de Cingapura que resume sua visão de Cidade na Natureza. O espaço verde em várias camadas cria um ecossistema autossuficiente, destacando ideias de sustentabilidade e resiliência por meio do casamento de tecnologia e natureza.
Um projeto de arquitetura nasce de nuances, da empatia para com os usuários e de uma compreensão profunda de seu contexto específico. Melhores soluções são aquelas que atendem tanto às necessidades e os anseios dos clientes quanto questões de contexto e identidade. Neste sentido, o projeto interseccional pode ser entendido como uma abordagem que leva em conta diversos fatores —de identidade, gênero, raça, sexualidade, classe e muitos mais — e como estes interagem entre si. Considerando isso, quanto melhor compreendermos as questões de relativas ao contexto específico e ao usuários para os quais projetamos nossos espaços, melhor serão nossos edifícios e, consequentemente, as cidades que estaremos construído para o futuro.