O que é necessário para um estudante de artes de 22 anos começar uma relação profissional duradoura com "o maior arquiteto americano de todos os tempos"? Originalmente publicado na Curbed como "How a 22-Year-Old Became Wright's Trusted Photographer", esse artigo revela que para Pedro E. Guerrero foi necessário coragem e muita sorte - mas uma vez que começaram a trabalhar juntos, esse par improvável era uma dupla perfeita.
Quando Frank Lloyd Wright contratou Pedro E. Guerrero para fotografar a Taliesin West em 1939, nenhum dos dois sabia que isso levaria a uma das relações mais importantes na história da arquitetura. Wright tinha 72 anos e já havia sido publicado na capa da Time devido à Casa da Cascata. Guerrero tinha 22 anos e acabara de sair da faculdade. Seu primeiro encontro aconteceu a pedido do pai de Guerrero, um pintor que conhecia vagamente Wright da vizinhança e esperava que o arquiteto oferecesse a seu filho um trabalho. Qualquer trabalho.
O jovem Guerrero teve a audácia de se apresentar ao famoso arquiteto como "fotógrafo". Na realidade, ele não havia ganhado nenhum tostão com isso até então. "Eu tinha o pior portfólio do mudo, incluindo uma foto de um pelicano morto", confessou Guerrero mais tarde. "Mas eu também tinha nus feitas na praia em Malibu. Isso pareceu capturar o interesse de Wright."
Com o número de edifícios oficialmente "altos" - pelo menos 200 metros de altura - tendo dobrado nos últimos dez anos, e o número de edifícios "superaltos" - pelo menos 600 metros - passando de dois para dez até 2020, em todo o mundo a construção civil está atingindo um novo nível.
De fato, no próximo ano 10 novos arranha-céus de pelo menos 338 metros de altura serão concluídos. Eles são os edifícios mais altos de 2015.
Sob a direção de David Mah, Carl Koepcke y Marshall Prado da Escola de Design de Harvard, foi criado um sistema para a construção de um refúgio de rápida implantação - inflável - com a neve e o gelo como materiais de construção. O refúgio temporário está projetado para ambientes frios e utiliza as propriedades isolantes e a resistência à compressão dos próprios materiais, alcançando a elaboração de um volume espacial de curva catenária. Imagens do projeto construído e mais informações, a seguir.
Nesse artigo, publicado originalmente em Al Jazeera como "The peril of hipster economics", a escritora e pesquisadora estadunidense Sarah Kendzior escreve que a deterioração urbana em alguns bairros das principais cidades do mundo se converteu lamentavelmente em um conjunto de peças urbanas a serem "remodeladas ou idealizadas" pela gentrificação.
Segundo a autora, estes bairros - carregados de uma estética atrativa nostálgica e de uma enriquecedora "vida urbana" - estimulam a chegada de novos residentes de alto padrão que procuram esse estilo de vida em bairros historicamente associados as populações marginais - carentes de serviços públicos e oportunidades de trabalho -, que acabam sendo removidas para subúrbios pobres.
"Querem mudar uma memória que outros já construíram. Isto é a economia hipster", afirma Sarah.
A cada dois anos a empresa de automóveis Audi seleciona, através do Audi Urban Future Award (AUFA), um grupo de cidades de diferentes partes do mundo para questionar sobre o futuro da mobilidade. Com este prêmio busca-se desfazer algumas ideias relacionadas com o papel crítico da mobilidade no século XXI dentro de um contexto mutável de desafios complexos, porém também de novas oportunidades.
Partindo da pergunta “como os dados darão forma à mobilidade nas megalópoles do futuro?” as equipes da Cidade do México, Boston, Berlim e Seul foram selecionadas para mostrar uma visão de como poderia ser o futuro urbano se fossem utilizados dados de maneira estratégica. Os critérios para a avaliação das propostas incluíram formas inovadoras de gerar energia, sustentabilidade, viabilidade e potencial das ideias de serem transferidas para outras cidades.
A equipe da Cidade do México, formada pelo prestigiado arquiteto e urbanista José Castillo, o pesquisador Carlos Gershenson e a área experimental do Governo do Distrito Federal, o Laboratorio para la Ciudad, convenceu o júri internacional com seu “sistema operacional para a mobilidade urbana”, vencendo a edição deste ano. Seu elemento central é uma plataforma de dados que permitirá às cidades estruturar seu planejamento urbano e de tráfego sustentável, convertendo os cidadãos em doadores de dados que permitem modificar seu comportamento em relação a cada situação. Mais detalhes do projeto a seguir.
"Alguma área na história - com exceção, talvez, do fórum romano - foi mais rica em história arquitetônica que o Fórum des Halles e seu entorno imediato, incluindo o Beaubourg?"
Rem Koolhas, The terrifying Beauty of the Twentieth Century, 1985
Les Halles, em permanente procura por uma forma definitiva
Les Halles, no centro histórico de Paris, é um desses espaços em permanente busca por sua forma definitiva ao longo da história urbana moderna e contemporânea. Marcado há séculos por seu papel histórico de mercado, sua posição central em uma capital o condenou a abrigar, em uma superfície limitada, dezenas de serviços sobrepostos que, evidentemente, entravam em conflito uns com os outros. Por um lado, estes usos tradicionais que possuíam relação direta com a função de mercado, eram responsáveis por muitos efeitos incômodos e complexos como odores, saturação, lixo,etc. Entretanto, este mercado (que chegou a ter 10 hectares) contribuía de forma significativa para a animação da cidade e era parte essencial da identidade da região.
Este escrito-leitura será breve, será denso e ralo. Esta afirmação: se considero o caso de um projeto “abstrato” ei de podê-lo excisar numa hipótese e numa tese; onde a ´tese’ é um condição NECESSÁRIA para que se verifique a ‘hipótese’. Tal que um projeto abstrato não há de expressar nenhum pensamento. O pretendê-lo conduz a uma ALEGORIA e é pelo que os projetos das escolas de arquitetura não passam de vagas alegorias sem interesse real por pretendê-lo. Um projeto “abstrato”, como um espelho deve refletir a arquitetura transcendentalmente; é o que chamarei qualidade universitária.
Kunlé Adeyemi, ex-pupilo de Rem Koolhaas, chamou a atenção da mídia ano passado com sua Escola Flutuante em Makoko, que permitiu melhor acesso à educação para uma comunidade informal em Lagos. Nesse artigo sobre Adeyemi e seu escritório NLÉ Architects, originalmente publicado na Metropolis Magazine, Avinash Rajagopal explora o que guia o jovem arquiteto, explicando porque ele foi eleito um dos 10 arquitetos da lista de Novos Talentos 2014 da Metropolis Magazine.
Quando a Escola Flutuante em Makoko foi concluída em março de 2013, recebeu diversas críticas positivas da mídia internacional. A simples estrutura em forma de "A", sustentada por barris plásticos reciclados em uma lagoa em Lagos, Nigéria, foi projetada por NLÉ, um estúdio com sede em Lagos e Amsterdã fundado pelo arquiteto Kunlé Adeyemi. O projeto, proposto como um modelo construtivo simples e sustentável para a comunidade flutuante de Lagos, enfrentou alguns desafios. Um dos maiores foi convencer as autoridades locais, que simplesmente não sabiam o que fazer com tal edifício.
Poucos dos princípios arquitetônicos desenvolvidos no século XX foram tão amplamente aceitos como o pano de vidro, com a tecnologia que vai de uma característica implícita dos Cinco Pontos de Arquitetura de Le Corbusier ao tratamento de fachada em todo o mundo. Neste artigo, originalmente publicado no Australian Design Review como "Invisible Cities - The Last Remnant of Modernism", Annabel Koeck argumenta que o pano de vidro, inicialmente apreciado por sua transparência, está agora fazendo edifícios e até cidades inteiras invisíveis devido à sua ubiquidade diáfana - às custas da expressão arquitetônica.
Os arquitetos noruegueses do Snøhetta projetaram a estrutura de vidro para o Pavilhão de entrada do Memorial Nacional 11 de Setembro, que parece se camuflar com o fundo composto por panos de vidro que definem o skyline de Nova Iorque. É certo que o pavilhão de Snøhetta foi concebido por um programa muito diferente, definido pela timidez e sutileza; ainda que paradoxalmente, foi o pano de vidro que facilitou isso. Com vista para a Piscina Sul em direção a uma série de fachadas envidraçadas que dominam o horizonte, é irônico que uma técnica modernista – o pano de vidro – poderia agora significar o fim para a diversidade arquitetônica nas cidades.
Nessa era de hipervisualização o projeto de arquitetura é apreendido pela visão e entra na eterna discussão a respeito da exatidão da representação digital. Outra discussão relativa a esse tema é quanto às pessoas (calungas, as escalas humanas) que estamos incluindo em nossos projetos - ou na representação deles.
Vemos famílias que parecem ter saído da Escandinávia nas representações visuais de projetos brasileiros, ou hipsters do Brooklyn em centros culturais mexicanos. Mas quem, de fato, usará o espaço? Qual é o público real?
Se o assunto também lhe incomoda, apresentamos Escalalatina, uma iniciativa de um grupo de jovens da América Latina que oferece gratuitamente uma série de escalas humanas "em desenvolvimento". A ideia foi inspirada no projeto Skalgubbar de Teodor J.E.
Veja alguns exemplos das escalas humanas já disponíveis, a seguir.
Com a inauguração da última etapa do High Line em Nova Iorque no mês passado, a cidade pôde finalmente fazer um balanço de uma transformação urbana que levou uma década e meia de sua concepção à concretização - e nos primeiros cinco anos desde a inauguração de sua primeira etapa se tornou um dos grandes fenômenos de planejamento urbano do século XXI, inspirando propostas semelhantes em cidades ao redor do mundo. Neste artigo, publicado originalmente pela Metropolis Magazine como "The High Line's Last Section Plays Up Its Rugged Past," Anthony Paletta escreve sobre essa nova peça final ao quebra-cabeça, e examina o que este projeto referência significou para o West Side de Manhattan.
A promessa de qualquer ferrovia urbana, ainda que obscura ou congestionada no seu início, é a eventual liberação para a fronteira aberta, a perspectiva de que esses trilhos enterrados poderiam, em tempo, levá-lo em qualquer lugar. Para aqueles de nós cujo único cronograma é o nosso ritmo de caminhada, esta é a experiência da última fase recém inaugurada do High Line. O parque, depois de serpentear em suas duas fases iniciais ao longo de 20 densas quadras de Manhattan, se alarga em uma grande promenade que termina com a épica vista para o Rio Hudson. É um grande coda e um final satisfatório para um dos projetos de parque mais ambiciosos na memória recente.
Por trás da névoa que cobre as montanhas de Bogotá pela manhã está a residência de William Oquendo. É um labirinto de portas e janelas onde um dormitório abre-se para a cozinha e o banheiro possui aberturas diretamente para a sala.
A 5 mil quilômetros de distância, no Rio de Janeiro, Gilson Fumaça vive no terraço da residência construída por seu avô, depois pelo seu pai e agora por ele mesmo. Ela é bastante resistente: feita de tijolo e argamassa no primeiro pavimento, concreto reforçado no segundo, e uma combinação caótica de telhas de zinco e tijolos soltos no terceiro. Esta última é a contribuição de Gilson, que ele irá melhorar à medida que aumenta no número de moradores na casa.
Do outro lado do mundo, em Mumbai, existem moradias que invadem os trilhos do trem suburbano, construídas e reconstruídas após inúmeras tentativas de demolição. "O entorno físico da cidade está em movimento perpétuo", observa Suketu Mehta em Maximum City"[1]. Existem moradias feitas de bambu e bolsas plásticas e famílias que vivem em calçadas ou debaixo de pontes, em locais precários feitos com as próprias mãos. Enquanto Dharavi - conhecido como o maior favela da Ásia - conta com uma moradia de melhor qualidade, água tratada e eletricidade, este não é o caso da maioria dos novos habitantes da cidade.
Essas imagens do artista Xavier Delory mostram a famosa Villa Sovoye de Le Corbusier em terrível estado de deterioração. Através dos vidros quebrados e das pichações os vândalos desfiguraram tragicamente suas paredes e janelas intocáveis. Mas não entre em pânico: as imagens apresentadas foram manipuladas no photoshop. Mas, e se não tivessem sido? Neste artigo, publicado originalmente pela Metropolis Magazine como "Modernism in Ruins: Artist "Vandalizes" a Le Corbusier Masterpiece", AJ Artemel explora como nossa comoção e espanto causados por estas imagens expõe uma hipocrisia subjacente na nossa reverência pelas famosas obras modernistas e propõe que talvez o modernismo e o vandalismo estejam mais conectados do que podemos imaginar.
Nos dias 19 a 22 de novembro será realizada em Aarhus a Bienal de Arquitetura Midiática de 2014, que contará com a estreia mundial de "Mapping the Senseable City," uma exibição dos trabalhos coletados do MIT SENSEable Cities Lab. O artigo a seguir foi escrito por Matthew Claudel, um pesquisador no SENSEable Cities Lab, em resposta a essa coleção, explorando o que o futuro reserva para a arquitetura midiática, e implorando para que esta experimente ideias além de "telas de TV para se morar."
A Catedral ativada
Arquitetura Midiática é enfaticamente ambígua. A frase foi colada diversas vezes em uma variedade estonteante de projetos e produtos. Mas, além da imprecisão, a arquitetura midiática é atormentada por uma tensão inerente: as mídias são meios de comunicação dinâmicos, interligados e imediatos que atingem as pessoas em larga escala, enquanto que a arquitetura é fixa, singular e persistente no tempo. Conciliar os dois evoca associações desastradas com a Times Square, telas, LEDs integrados, paparazzi, ou, mais geralmente, com coisas que piscam.
Independentemente se Shigeru Ban mereceu ou não ser reconhecido com a mais alta premiação da profissão este ano (existem opiniões fervorosas em ambos os lados da questão), existe uma questão que é certa: arquitetura está passando por um momento delicado. E talvez ninguém represente melhor a mudança de direção da arquitetura do que Julia King, premiada com o Emerging Woman Architect of the Year pelo Architecture Journal.
Em busca de um PhD prático através do ARCSR, (sigla em inglês para o Arquitetura para as Mudanças Rápidas e Recursos Escassos) nas favelas da Índia, King percebeu muito rápido que a última coisa que essas comunidades precisavam era arquitetura - ou melhor, do que é tradicionalmente considerado "arquitetura". Afinal, os membros de comunidades já eram especialistas na construção de casas e edifícios. Ao invés disso, ela coloca seu conhecimento arquitetônico em prol de projetar e implementar o que era verdadeiramente necessário: sistemas de esgoto. E então - quase por acidente, ela me confessou - o título de "Garota Penico" surgiu [potty girl em inglês].
Na entrevista a seguir, conduzida via email, conversei com King sobre seu fascinante trabalho, o novo paradigma que isso representa para a arquitetura, a necessidade de renunciar a divisão "urbano e rural" (ela prefere "conectado e desconectado"), as sérias limitações da educação em arquitetura e o próprio futuro da arquitetura. Leia mais a seguir.
Imagine um sistema de iluminação que pudesse voar e iluminar as edificações ou nos guiar individualmente através do espaço. O que aconteceria ainda se pudéssemos interagir com esses pixels voadores? Esses conceitos poderiam ser concretizados num futuro próximo ao passo que os primeiro protótipos e experimentos são introduzidos. LEDs controlados por softwares combinados à tecnologia dos drones proporcionariam extraordinárias possibilidades de induzir a novas formas de experiência espacial. Essas nuvens de pixels luminosos emergiriam como padrões digitais, mas ao mesmo tempo criariam uma atmosfera romântica ao formar constelações no céu noturno. Os primeiros projetos compartilham um caráter lúdico, porém, laboratórios como o MIT's SENSEable City Lab, o ARES Lab e o Ars Electronica Futurelab mostraram um futuro fascinante no desenho urbano para os sistemas de orientação ou previsão de desenvolvimentos imobiliários, ao passo que avanços na tecnologia de baterias e controle sem fio abriram novas perspectivas para uma vida com pixels voadores inteligentes.
Em Sydney, uma recente discussão sobre o Planejamento do Distrito Cultural apoiado pela Administração Municipal levantou importantes questões sobre como a cidade pode competir na corrida global da cultura. Sara Anne Best considera que essa discussão levantou as questões erradas. Originalmente publicado no Australian Design Review como "Cultural Ribbon or Coastal Connections", este artigo argumenta que Sydney, com uma indústria da cultura e do turismo tão focada no lazer ao ar livre, poderia encontrar uma forma mais "pessoal" de atrair atenção, uma estratégia que inclua a grande área metropolitana, ao invés de focar apenas no centro cultural. O artigo coloca: "Com três das praias mais icônicas da cidade passando por renovações, qual é o papel da orla CBD no contexto da identidade cultural de Sydney?" Descubra a seguir.