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«No prefácio de uma antologia da literatura russa, Vladimir Nabokov declarou que não havia encontrado uma só página de Dostoievsky digna de ser incluída. Isso quer dizer que Dostoievsky não deve ser julgado por cada página, senão pela soma das páginas que compõem o livro.» —Jorge Luis Borges[1]
«crisis, critic, critical, criticism, criticize, critique:
1. crisis é a tradução latina do grego Krisis, um crivo, de krinein, crivar...
2. o grego Krisis tem como adjetivo kritikos, capaz de discernir –julgar– discutir, logo um crítico...» —E. Partridge[2]
Das muitas abordagens ao problema da crítica arquitetônica contemporânea que se poderia empreender num estudo tão curto quanto este –declarando sua finalidade, distinguindo-o de outras formas de escritura ou discurso, ou descrevendo sua história, estado atual, e prospecto– a linha que seguirei é prática. Vejo a crítica como um ofício, praticada com seus próprios instrumentos e operações. A crítica escrita será meu foco principal, mas também tenho em mente o que um professor ou arquiteto diz quando se confronta a um projeto que precisa de um “crivo'' de boas e más decisões e alternativas. Acredito que profissionais e professores, não menos que escritores, praticam este ofício e devem. Sem ele, os projetos não progridem, os alunos falham em aprender, e os estudos perdem sua força. Sou dificilmente original em argumentar sua necessidade e nem o primeiro em assegurar sua vantagem na prática profissional. O poeta inglês Alexander Pope descreveu a crítica como “a empregada da musa.”
