Fred Kent, fundador da organização sem fins lucrativos Project for Public Spaces, declarou em certa ocasião que “Quando se planejam cidades com ênfase no trânsito e veículos automotores, o resultado é uma cidade repleta de carros e congestionamentos. Quando se planeja cidades para pessoas, por outro lado, o que se obtêm é uma cidade agradável de se viver e repleta de espaços públicos.” Isso tudo pode até parecer bastante óbvio, entretanto, nossa sociedade está passando hoje por uma mudança de paradigma, com mais e mais cidades abrindo mão de seus espaços e infraestruturas para veículos e privilegiando pedestres e espaços públicos.
Um dos principais gestos projetuais de Paulo Mendes da Rocha no projeto de reforma da Pinacoteca foi criar um novo eixo de circulação longitudinal na edificação existente, alterando o seu acesso principal. Passarelas metálicas, que atravessam pátios internos cobertos por claraboias, possibilitam novas dinâmicas e integração entre as salas, adequando um edifício neoclássico a um museu com um programa totalmente contemporâneo.
A habilidade de renovar um espaço completamente, às vezes demolindo partes ou fazendo adições pontuais, alterando sua funcionalidade e melhorando sua ambiência, é dos ofícios mais admirados dos arquitetos. Em habitações isso fica ainda mais evidente, uma vez que adequar uma habitação às demandas contemporâneas, através de uma planta bem pensada, pode melhorar a qualidade de vida dos ocupantes.
No último dia 9 de março, como parte das celebrações do 119º aniversário de nascimento do arquiteto mexicano Luis Barragán, a Barragan Foundation anunciou através de seu perfil oficial no Instagram o lançamento de seu reformulado website. A iniciativa tem dois propósitos, por um lado ela representa um esforço para aglutinar todas as informações disponíveis no Arquivo Barragán em um só lugar, facilitando a promoção e divulgação da trajetória de um dos mais importantes arquitetos mexicanos de todos os tempos e, por outro lado, ela redireciona o nosso olhar, revelando uma outra faceta de Barragán, até então desconhecida pela maioria dos arquitetos e arquitetas.
Palazzetto dello sport. Foto de Kerry O'Connor, via Flickr. Licença CC BY-NC 2.0
Pier Luigi Nervi é um caso curioso na história da arquitetura. Apresenta grandes edifícios de concreto armado – sendo inclusive responsável por desenvolvimentos técnicos ligados a esse material –, que se definem por seus ousados, expressivos e heroicos partidos estruturais. Projetava de forma semelhante a Corbusier na sua chamada ‘fase brutalista’, que “(...) abordava o programa de arquitetura partindo de princípios de ordem geral, adaptando-os em seguida à situação real. O projeto era definido pelo partido que se organizava do geral para o partícular” (Acayaba, 1985); observar-se isto nos edifícios do italiano que, em grande parte, são obras pavilhonares, nos quais uma grande cobertura estrutural recobre o programa em suas particularidades.
No desenho urbano contemporâneo, a ordenação espacial, mobilidade, demanda a novas conexões e ainda os limites assumido entre os espaços público e privado, têm apresentado cada vez mais enfoque nas discussões ligadas ao futuro das cidades mundiais, e em mesma proporção, no território brasileiro. Neste modelo, em decorrência do crescimento exacerbado, certas estruturas construídas têm provocado barreiras urbanas, evidenciando obstáculos.
Escada x Escada Rolante. Até o começo do século XX, a circulação vertical era feita através da escada. Sem o aparato da eletricidade, a circulação vertical demandava esforço físico e atenção dos usuários, dependendo somente da força humana. A escada rolante surge “com o rush das invenções industriais junto aos desejos da ficção científica de 1800, apresentada em 1915 como objeto de entretenimento na grande exposição de Paris e de Coney Island” (KOOLHAAS, 2014, pg.1303). Logo depois, passa a ser usada como elemento funcional de circulação. A princípio, a sua utilização deveria substituir o uso da escada comum, entretanto, o novo aparato tecnológico não cumpriu essa função, passando a ser um elemento complementar e adquirindo um novo significado. Com degraus maiores para acomodar um corpo parado em pé, a escada rolante possibilita um fluxo de pessoas mais intenso, conectando espaços mais íngremes com uma menor área de incidência. Comparada a escada, ambas exigem ritmos, sensações e condicionamentos físicos diferentes daqueles que ali transitam.
Querétaro é um estado mexicano localizado na região centro-norte do país, limitado geograficamente pelos estados de Guanajuato, San Luis Potosí, Hidalgo, Estado de México e Michoacán. Conta com uma área de 11.684 km² de superfície, sendo o quinto estado menos extenso do país. Sua capital, e cidade mais povoada, é Santiago de Querétaro, porém, há outras localidades importantes como Tequisquiapan, Cadereyta, Jalpan de Serra, San Joaquín e Bernal.
Nem todas as ciclovias em resposta à pandemia são construídas da mesma forma. Foto: Carlos Felipe Pardo/Flickr
Quando a pandemia de Covid-19 estourou, a preocupação com a transmissão do vírus no transporte coletivo levou muitas pessoas a optarem por outras alternativas de mobilidade – principalmente pedalar. A bicicleta ganhou popularidade tanto para uso recreativo quanto como meio de transporte, uma tendência especialmente evidente nos Estados Unidos, no México, na Colômbia, na Alemanha e na França. Nos casos de França, Alemanha e Estados Unidos, a média semanal de uso da bicicleta aumentou respectivamente em 4%, 7% e 20% em relação aos números de 2019.
https://www.archdaily.com.br/br/958593/do-emergencial-ao-permanente-transformando-a-infraestrutura-cicloviaria-para-alem-da-pandemiaCamilla Zanetti, Alejandro Schwedhelm e Claudia Adriazola-Steil
A Escola da Cidade, por meio da disciplina Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, em conjunto com o Coletivo Feminista Carmen Portinho, recebeu sete mulheres para debater sobre a produção da arquitetura no contexto atual e como a temática de gênero incide sobre essa questão.
https://www.archdaily.com.br/br/959027/outras-formas-de-construir-a-producao-feminina-no-campo-da-arquiteturaStela Mori
Hoje, 22 de março, é comemorado o Dia Mundial da Água. Segundo dados da ONU, entidade responsável pela criação desta data comemorativa, até o ano de 2050, entre 3,5 bilhões e 4,4 bilhões de pessoas terão acesso limitado a esse recurso, cujo uso aumentou seis vezes no século passado e hoje apresenta um crescimento de cerca de 1% ao ano.
Diante de dados tão desfavoráveis, o conceito de sustentabilidade e a importância de soluções que visam a economia e reaproveitamento da água ganham ainda mais relevância.
O Cinema espelha a arquitetura. Enquanto a pandemia de Covid-19 fecha os cinemas em todo o mundo por meses, a indústria olha para o futuro com o objetivo de repensar a experiência de ir ao cinema. Décadas atrás, em 1920, à medida que as multidões se aglomeravam no cinema após a pandemia de 1918, a indústria se transformava ao responder a novos modos de assistir a filmes juntos.
Para uma criança pequena, entender o conceito do tempo e a passagem dele é algo muito difícil. Isso justifica a impaciência por esperar algo ou a confusão para lembrar algo que ocorreu no passado. Elas vivem apenas o presente e essa noção do tempo é aprendida aos poucos. Mas aceitar a passagem do tempo e o envelhecer é algo que nos atormenta mesmo após adultos. As lucrativas indústrias de produtos cosméticos e cirurgias plásticas comprovam como a humanidade busca controlar ou negar a passagem do tempo, algo que nos corre pelas mãos e é implacável.
A água é um recurso essencial à vida humana. Garantir saneamento básico e água potável para as pessoas é um dos maiores desafios da humanidade, nas áreas urbanas e rurais, o acesso à água é determinante para a saúde e bem estar das comunidades e para o sucesso das mais diversas atividades humanas.
Por isso a crise hídrica é uma ameaça tão alarmante. O aumento das temperaturas no mundo e os desastres naturais associados às mudanças climáticas contribuem para este cenário. Estudos sugerem que em 2025, cerca de 1,8 bilhão de pessoas não terão água suficiente.
O 27º Congresso Mundial de Arquitetos deu início esta semana à sua programação online, que precede as atividades presenciais marcadas para acontecer entre 18 e 22 de julho. Inclusão social, periferia e intervenções arquitetônicas em favelas foram os temas dos debates que contaram com a participação de Fabienne Hoelzel, Maria Alice Rezende de Carvalho, Alfredo Brillembourg, Jorge Mário Jáuregui, Alejandro Echeverri e Adriana Levisky.
Em um mundo ideal, arquitetos teriam total liberdade para projetar tudo aquilo que fossem capaz de imaginar. Mas na realidade, não é bem assim que as coisas funcionam. Fato é que desenhar em uma folha em branco nem sempre significa ter todas as possibilidades do mundo à nossa disposição, a arquitetura, como uma profissão regulamentada, é regida por uma série de códigos e leis, quando não pelos desejos dos clientes, por limites orçamentários ou outros fatores ainda mais complexos. Em se tratando de códigos de obras, muitas vezes eles “engessam” a arquitetura, forjando novas tipologias, programas e formas—da famosa “torre-plataforma” ao onipresente “dois mais cinco”. O resultado disso, muitas vezes, culmina em edifícios repetitivos e uma estética urbana monótona e sem graça.
Adensamento e a demanda pelo solo urbano resultaram, entre outras coisas, na redução das dimensões dos lotes nas cidades. Grandes porções de terra, outrora destinadas a residências unifamiliares, passaram a receber edifícios onde vivem muitas famílias e, dependendo da localização, que contam em seus térreos com serviços e estabelecimentos comerciais. Construir uma casa em grandes centros urbanos não é fácil, e um dos motivos é a ausência de lotes para isso ou, quando existem, suas reduzidas dimensões.
O estado de Querétaro está localizado na região centro-norte do México, fazendo fronteira geográfica com os estados de San Luis Potosí, Guanajuato, Hidalgo, o Estado do México e Michoacán. Possui 11 684 km² de superfície sendo uma das regiões mais extensas do país. Sua capital é Santiago de Querétaro, sendo a área mais populosa do estado. No entanto, algumas das cidades mágicas mais populares são Bernal, Tequisquiapan, Jalpan de Serra, Cadereyta de Montes, San Joaquín e Amenealco de Bonfil. Da mesma forma, este estado possui quatro sítios que fazem parte da lista de Patrimônio Cultural da Humanidade e um que se enquadra na categoria de Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO, que são a Zona de Monumentos Históricos de Santiago de Querétaro, As Missões Franciscanas da Serra Gorda, as Capelas Otomí e as tradições vivas da cultura Otomí-Chichimeca, respectivamente.
Já faz mais de um ano que fomos todos pegos de surpresa com o então surto de coronavírus que, posteriormente, se transformaria em pandemia e nos mantém ainda hoje em completo estado de suspense. Entretanto, não demorou muito para toda esta situação passasse a ser encarada como um desafio a ser superado, inspirando arquitetos e arquitetas ao redor do mundo a desenvolver soluções e estratégias projetuais para combater a maior e mais longa crise sanitária da modernidade. Neste contexto, é importante mencionar o fato de que a grande maioria destas inovações foram comissionadas ou comercializadas pelo setor imobiliário e portanto, representam um benefício a apenas uma pequena parcela da população. Entretanto, à medida que estas empresas se esforçam para oferecer melhores alternativas aos clientes com melhores condições financeiras, a pandemia faz muito mais vítimas junto à classe trabalhadora, principalmente no que se refere às restrições que lhes são impostas e os poucos benefícios que lhes são oferecidos. Somado a isso, quando observamos as condições de moradia das classes mais baixas, especialmente em países mais pobres ou aqueles de economia emergente, a precarização dos espaços habitáveis é um agravante o qual, resulta diretamente da total liberdade e da falta de fiscalização que gozam os empreendedores do mercado imobiliário nestes países.