
Há mais casas sem gente do que gente sem casa? A afirmação recorrente já havia sido descrita como “mito” pelo urbanista Nabil Bonduki em 2018, mas a constante sugestão de uma fórmula simplista para a solução do problema habitacional merece ser mais uma vez respondida. Recentemente, matéria da Folha de São Paulo do urbanista Alexandre Benoit sugere que os aproximadamente 300 mil imóveis vazios em São Paulo poderiam ser destinados para “erradicar o déficit habitacional da cidade”.
A ideia de que as “casas sem gente” poderiam facilmente ser usadas como habitação tem sido repetida nos últimos anos, desde Guilherme Boulos, coordenador do MTST, ao Instituto Polis. No entanto, a afirmação é pouco realista quanto à possibilidade de uso dos imóveis vazios para habitação, fato inclusive não apurado pelo Aos Fatos quando checou as afirmações de Boulos no Roda Viva,focando no lado do tamanho do déficit habitacional, assim como o próprio texto de Luiza Rodrigues e Carlos Goés publicado nesta página, que foca nos critérios de o que significa “pessoas sem casa”, assunto já coberto e que não será o foco neste artigo.




