Com a chegada do fim de mais um ano, a equipe de curadores do ArchDaily tem o prazer de apresentar a seleção dos melhores desenhos arquitetônicos publicados ao longo de 2023, sem os quais o entendimento dos projetos certamente não seria o mesmo.
A representação gráfica desempenha um papel fundamental tanto no processo projetual - desde os primeiros croquis até os mínimos detalhes construtivos - como na apresentação do projeto a um público mais amplo. Assim, durante o processo de seleção, pudemos observar um rico e variado conjunto de desenhos que fizeram parte das mais de quatro mil publicações de projetos neste ano e, entre eles, tivemos a difícil tarefa de chegar aos mais representativos e inspiradores.
Há oito anos o ArchDaily celebra os melhores desenhos do ano. A edição de 2022 é particularmente especial, pois apresenta uma ampla gama de técnicas e representações no campo da arquitetura. Da pintura tradicional às colagens digitais e desenhos axonométricos, a seleção deste ano agrada todos os gostos.
Muitas vezes, as escadas representam um ponto de interesse de um projeto de arquitetura. A habilidade de criar algo que nos move de um nível para outro, para cima e para baixo, é algo tão simples e familiar ao mesmo tempo que com um pequeno ajuste pode tornar a experiência de subir ou descer em algo tão único. Nossa obsessão por escadas e o nível de ilusão que elas criam na arquitetura talvez decorra da maneira como elas são capazes de distorcer a ótica e a percepção do espaço. Entendemos que elas nos transportam em uma direção ou outra, mas as escadas podem ser circulares? É possível subir e descer para sempre?
A representação gráfica, mesmo antes da linguagem e da escrita, foi o primeiro meio de comunicação e significado para a humanidade. O desenho é o ato de substituir a realidade pela representação, ou seja, substituir objetos por imagens codificadas em cada um dos sistemas de representação gráfica.
Na arquitetura, a representação gráfica estimula a imaginação e é a base do pensamento do projeto, uma vez que não só constitui nosso código de comunicação, mas também molda nossa capacidade de nos expressarmos em termos disciplinares. O desenho é primeiro construído na mente do arquiteto e depois transferido para o suporte determinado por qualquer tipo de instrumento.
Cortesia de Juan Barrios Duarte (Labrantía Estudio)
É normal se sentir intimidado pelo número crescente de representações de arquitetura sendo publicadas nas mídias sociais. Somando isso ao funcionamento do famigerado algoritmo, acabamos sendo expostos a publicações que são, em muitos aspectos, semelhantes entre si. Mas para nós, arquitetos, designers e estudantes, as redes sociais não são apenas uma plataforma de networking e divulgação de nossos trabalhos, elas servem também como fonte de inspiração. Se o algoritmo não está nos ajudando a conhecer coisas novas e diferentes, cabe a nós procurá-las.
Os renders, enquanto composições capazes de comunicar o aspecto tridimensional de um projeto a partir de um suporte bidimensional — isto é, a imagem — permitem uma noção prévia do que a obra arquitetônica ainda virá a ser. Mas, ao contrário do que muitas vezes se imagina, a renderização não é sinônimo de uma representação realista da arquitetura.
Por se tratar de uma ferramenta de comunicação projetual, um render pode assumir diferentes estilos a depender não apenas do projeto em questão, mas também do público a quem é direcionado e, além de tudo, da identidade do arquiteto, arquiteta ou escritório de arquitetura responsável pela obra.
Poner la mesa. Image Cortesía de Florencia Köncke y Paula Olea Fonti
"Pôr a mesa" é uma reflexão ilustrada das arquitetas Florencia Köncke e Paula Olea Fonti. Nos parágrafos seguintes, as autoras desenvolvem uma primeira abordagem do estudo da mesa como "o centro de nossa noção de domesticidade"(1). Na relação entre espaço, objetos e pessoas e como catalisador social de encontro e troca.
https://www.archdaily.com.br/br/975334/por-a-mesa-reflexoes-ilustradas-sobre-o-elemento-central-da-vida-domesticaFlorencia Köncke + Paula Olea Fonti
O ArchDaily dá continuidade a uma tradição de sete anos que celebra e reconhece os melhores desenhos de arquitetura do ano. De pinturas a colagens, a edição de 2021 destaca uma coleção cuidadosamente curada de desenhos arquitetônicos e visualizações com uma ampla variedade de técnicas e representações, todas orientadas para o objetivo comum de compartilhar ideias, visões e projetos.
https://www.archdaily.com.br/br/974187/os-melhores-desenhos-de-arquitetura-de-2021ArchDaily Team
Nos primeiros dois meses do isolamento em decorrência da Covid-19, o designer Ivan Jerônimo acumulou mais de quarenta desenhos que mostram objetos e ambientes de seu apartamento. São cenas comuns mas que, de repente, foram promovidas a primeiro plano durante a pandemia.
No passado, os minaretes eram considerados um importante elemento arquitetônico com diversos propósitos. Eles eram construídos ao lado das mesquitas para a chamada à oração, bem como nas entradas das cidades como um marco para orientar os viajantes. Hoje, entretanto, não têm a mesma utilidade de outrora, tornando-se símbolos de tempos históricos.
Na mais recente série de seu projeto Retrofuturismo, o arquiteto e artista visual iraniano Mohammad Hassan Forouzanfar introduziu uma nova função nos históricos minaretes persas por meio de ilustrações fantásticas que complementam as antigas estruturas de tijolos com a arqueologia industrial contemporânea.
Com muita frequência, arquitetos e designers passam horas procurando texturas e materiais para representar suas visões. Essa luta assume várias formas: desde ficar rolando o mouse pelo Google, Pinterest e bancos de dados em busca da textura perfeita até a criação manual de um padrão ao longo de várias horas ou até dias. Em qualquer dos casos, o resultado é frequentemente penoso e raramente perfeito. Um banco de dados organizado, confiável, gratuito e fácil de usar nem sempre é algo simples de se encontrar.
Architextures iniciou em 2014 como uma biblioteca de arquivos de imagens de alta qualidade, com texturas enviadas por usuários ou criadas pela própria plataforma. Com o tempo, o criador da plataforma, Ryan Canning, percebeu que, em seu trabalho profissional como arquiteto, a variedade de arquivos de imagem estática disponíveis online não atendia às texturas específicas que ele procurava em seus projeto. Frustrado com o processo infinito de pesquisa, edição e sobreposição de texturas no Photoshop, Ryan reinventou o Architextures em 2019 como uma ferramenta interativa onde profissionais como ele poderiam criar texturas especificadas de alta qualidade em segundos. E o mais importante, sendo de uso gratuito para uso pessoal e educacional, com contas profissionais disponíveis por uma pequena taxa para apoiar o desenvolvimento da ferramenta.
A arquiteta Karina Puente, de Lima, tem um projeto pessoal: ilustrar cada uma das "As Cidades Invisíveis" do romance de 1972 de Italo Calvino. Sua coleção inicial, que publicamos em 2016, apresentou as cidades do capítulo As Cidades e a Memória. Esta última série ilustrações, desenhada principalmente com nanquim sobre papel, reúne uma outra seqüência de lugares imaginados - cada um referenciando uma cidade imaginada no livro.
O livro As Cidades Invisíveis, que imagina conversas fictícias entre o explorador veneziano Marco Polo e o antigo governante mongol Kublai Khan, têm sido instrumentais na formulação de abordagens do discurso urbano e da forma da cidade. De acordo com Puente, "cada ilustração tem um processo conceitual, alguns dos quais levam mais tempo do que outros". Geralmente "eu pesquiso, penso, e reflito sobre cada cidade por três semanas antes de fazer esboços." Os desenhos finais e recortes levam cerca de uma semana para produzir.
Postales de Cuarentena (ou, Postais de Quarentena) é um projeto de ilustrações de Alvaro Palma e Álvaro Bernis inspirado em cartões postais turísticos que questiona o desejo de compartilhar essa experiência - algo que passa na cabeça de muitos neste período de isolamento social em função do COVID-19.
A arquiteta peruana Karina Puente tem um projeto pessoal: ilustrar cada cidade invisível do livro de 1972 de Italo Calvino. O livro, que apresenta conversas imaginárias entre o explorador veneziano Marco Polo e governante mongol Kublai Khan, foi fundamental na elaboração de um discurso urbano na atualidade. Segundo Puente, que compartilhou as ilustrações conosco, "cada ilustração tem um processo conceitual, algumas tomam mais tempo que outras". Numa síntese, "eu pesquiso, penso e idealizo cada cidade por três semanas antes de fazer os desenhos". As ilustrações finais demoram cerca de uma semana para ficarem prontas.
O artista André Chiote compartilhou conosco sua mais recente série de ilustrações, desta vez, retratando a arquitetura art déco e moderna de Goiânia. Realizadas a pedido 31º Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica na capital goiana, as ilustrações de Chiote fazem uso das cores do logotipo oficial do congresso para representar alguns dos ícones mais celebrados do patrimônio de Goiânia.
O arquiteto e ilustrador Matías Kim compartilhou conosco sua mais recente série de desenhos, desta vez, apresentando alguma das obras mais famosas de Vilanova Artigas. Representadas através de colagens digitais de cores suaves, em imagens estáticas ou gifs em movimento, Kim mostra um olhar lúdico sobre estes edifícios que já carregam nas costas algumas mais de cinco décadas.
Frederico Babina é um arquiteto e designer gráfico italiano cujas obras buscam criar réplicas abstratas de edifícios famosos. Com especial atenção à geometria e forma, seu trabalho mostra uma espécie de desapego e liberdade em relação à rigidez das arquiteturas.