Nossa imaginação pode ir muito longe com o cinema, e talvez seja por isso que a arquitetura há muito tempo vem estreitando laços com a arte da imagem em movimento. Nossa mente pode ser levada a mundos utópicos onde passamos a viver realidades outras com os olhos e com a pele; filmes podem nos carregar para lugares novos, distantes, onde somos confrontados com realidades que nos são estranhas.
Mas além de nos transportar para localidades longínquas, filmes podem assumir o papel de veículos de crítica social - em suas mais amplas implicações. Não é novidade, vem sendo feito há quase tanto tempo quanto o próprio cinema existe, mas segue relevente. O que muda é o tipo de crítica, que evoliu com o tempo e com os modos de vida da sociedade. Nesse sentido, uma das problemáticas mais emergentes da atualidade é a mudança climática - ou, mais correto seria dizer crise climática -, que pela abrangência e peso é tópico de interesse em qualquer linguagem, da arquitetura às artes e, evidentemente, o cinema.
Em mais um episódio da série Arquitetura e Cinema, o Arquicast traz o filme Paris, Eu te Amo para a pauta. Além dos podcasters de sempre, o cast conta com a participação da publicitária e jornalista Janaina Pereira, pós-graduada em Cinema e colaboradora em vários veículos sobre entretenimento. Janaína participou ainda do cast #58 sobre o filme Her. Outro convidado nada estreante no Arquicast é o diretor de fotografia e cinéfilo Kiko Barbosa, que sempre traz insights interessantes para nossas conversas.
O êxito profissional e sua celebração podem destacar certos arquitetos dentro do próprio campo da arquitetura e criar uma espécie de anteparo em relação a outros profissionais e estudantes. Este acaba agindo tanto como pedestal, elevando aqueles de grandes feitos, quanto como barreira, distanciando-os dos demais e criando certa aura em torno de suas personas. Especular os pormenores da vida desses arquitetos é, em alguma medida, comum, e raro é o estudante que nunca teve devaneios sobre a rotina de Paulo Mendes da Rocha ou quantas milhas já voo Rem Koolhaas.
A discrição de tais arquitetos não permite muitas conclusões, e talvez o mais próximo que consigamos chegar desses detalhes seja através dos documentários listados a seguir:
Muitas vezes é difícil escolher um filme para assistir. Ainda mais quando temos milhares de opções disponíveis. Ficamos horas olhando o catálogo e nada parece animar. Aproveitando o final das férias de inverno das faculdades, pedimos a diversos arquitetos no Brasil e Portugal para que nos enviassem dicas de bons filmes, que não necessariamente fossem de arquitetura. Na lista, vemos alguns clássicos e outros bem novos. Há títulos sugeridos por mais de uma pessoa, como o argentino Medianeras ou 8 ½, de Felini. Veja a lista abaixo e se inspire:
https://www.archdaily.com.br/br/876576/sugestoes-de-filmes-de-arquitetos-para-arquitetos-mas-nao-so-sobre-arquiteturaEquipe ArchDaily Brasil
Seguindo as nossas indicações de documentários para assistir em 2013, 2014 e 2015, estamos olhando para 2017! Desta vez apresentamos uma coleção dos filmes e documentários mais aclamados, populares e muitas vezes sub-representados que provocam, intrigam, informam e seduzem. Das biografias de Eero Saarinen, Frei Otto e Oscar Niemeyer, passando por apresentações de "palácios" chineses e a arquitetura da África, Camboja e Índia, essas são as nossas principais escolhas.
https://www.archdaily.com.br/br/802666/documentarios-de-arquitetura-para-assistir-em-2017AD Editorial Team
A cordilheira de Dovrefjell, que divide o norte e o sul da Noruega, ocupa "um lugar único no imaginário dos noruegueses". Uma constelação de mitos e lendas estão ligadas a estas montanhas que, nas décadas recentes, têm presenciado a caça ilegal, a mineração e atividades militares. No entanto, este é também o lar de uma grande população de renas. Em Hjerkinn, nos limites do Parque Nacional Dovrefjell, o escritório Snøhetta, com sede em Oslo, criou um pavilhão de observação para a Fundação das Renas Selvagens. Neste vídeo, produzido por Alejandro Villanueva, o edifício e seu entorno natural são revelados em incríveis detalhes através da técnica do timelapse.
https://www.archdaily.com.br/br/797048/video-centro-de-observacao-de-renas-selvagens-por-snohettaAD Editorial Team
No cânone dos grandes arquitetos holandeses existem vários profissionais renomados, de Berlage a Van Berkel. Com base apenas na influência, Rem Koolhaas - neto do arquiteto Dirk Roosenburg e filho do autor e pensador Anton Koolhaas - está acima de todos os outros e tem tentado, ao longo de uma carreira de quatro décadas, redefinir o papel do arquiteto de um autarca regional para um globalmente ativo criador de mundos - sejam eles reais ou imaginários. Um novo filme concebido e produzido por Tomas Koolhaas, filho do protagonista homônimo, residente em Los Angeles, tenta representar biograficamente o trabalho do OMA"expondo a experiência humana da [sua] arquitetura através do cinema dinâmico."
Filmado no Vertou Cultural Center, projetado pelo Atelier Fernandez & Serres, este curta metragem do diretor Lucas Bacle desafia as convenções da cinematografia, empregando desenhos arquitetônicos para criar o contexto das ações dos protagonistas de seu filme. O próprio centro cultural se torna um personagem central no filme, ao passo que Bacle sobrepõe ortografias que destacam a relação do personagem com o espaço.
Dirigido por Jonathan Parker, O Arquiteto [The Architect] , longa metragem que transita entre o drama e a comédia, apresenta uma sátira bem humorada (e alguns diriam verossímil) da profissão. Com um protagonista egocêntrico, afetado e visionário -- o arquiteto Miles Moss, interpretado pelo ator James Frain -- o filme mostra a relação do profissional com um casal que pretende construir a casa de seus sonhos.
Os edifícios brutalistas no filme de Ben Wheatley foram inspirados em parte pelas Torres Trellick e Balfron de Ernö Goldfinger’s em Londres. Imagem Cortesia de Magnolia Pictures
Para arquitetos, se eu posso generalizar toda uma comunidade profissional, existem poucos novelistas louvados como J.G. Ballard. Borges ou Calvino possuem sua significante porcentagem de admiradores, emprestando um adjetivo usado para descrever edifícios, Ballard é o mais icônico das figuras literárias - especialmente para os fãs de concreto. Tendo testemunhado a guerra enquanto criança, recebido treinamento em medicina, e posteriormente escrevendo a partir de um subúrbio de classe média, Ballard escreveu textos sobre a vida urbana que continuam a ser visceralmente desconfortantes.
O documentário de Jane Jacos - um longa metragem que foca na vida e obra da celebrada autora e ativista urbana, tem lançamento previsto para a segunda metade deste ano. Coincidindo com seu centenário de nascimento, Robert Hammond, cofundador e diretor executivo do Friends of the High Line, e Matt Tyrnauer, produtor e diretor de Valentino: The Last Emperor, planejam levar o filme a festivais a partir do final do ano.
O caso de amor entre a arquitetura e o cinema tem sido bem documentada. A partir de enormes cenários de tirar o fôlego para pequenos espaços de conversas íntimas, a arquitetura num filme desempenha muitas vezes um papel tão forte como qualquer personagem a fim de traduzir a visão do diretor para sua audiência.
Na construção dos ambientes de suas narrativas, os grandes cineastas poderiam ser considerado arquitetos, por direito próprio, essa é a alegação apresentada neste vídeo produzido pelo British Film Institute, que analisa o trabalho do celebrado diretor Jean-Luc Godard e como a arquitetura em seus filmes se transforma de acordo com seu tom.
Em imagens como À bout de souffle (1960), Le Mépris (1963) e Week End (1967), Godard usa streetscapes para transmitir otimismo ou pessimismo, paredes para enfatizar a distância emocional entre amantes, e ainda inclui uma participação especial da particularmente fotogênica Villa Malaparte. Assista ao vídeo para saber mais sobre as técnicas utilizadas para transmitir estes sentimentos.
The Listeners Project: quatro curta-metragens no . Image Courtesy of The Listeners Project
The Listeners Project, uma iniciativa londrina que reúne jovens cineastas em espaços arquitetônicos únicos para desenvolver criar pequenos vídeos, tomou como cenário o antigo BBC Television Centre. O edifício, projetado no final dos anos 1940 por Graham Dawbarn, do escritório Norman & Dawbarn, apresenta uma planta emblemática que lembra um ponto de interrogação. A edificação, que já foi o epicentro da maior parte da produção televisiva da British Broadcasting Company, entrou para a lista de patrimônio em 2009 e foi finalmente evacuada em 2013.
O Arquiteturas Film Festival Lisboa é o primeiro festival internacional de cinema de Portugal que celebra o encontro entre o cinema e a arquitetura, envolvendo filmes documentais , experimentais, animação e ficção. Com o objetivo de valorizar e dar maior visibilidade a talentos nacionais e internacionais da arquitetura e do cinema contemporâneo, o Arquiteturas pretende ainda ser um “catalisador” de oportunidades econômicas geradas pelo cruzamento de ambas as áreas.
Criado pela Secretaria de Estado da Cultura de Portugal como projeto associado à Trienal de Arquitetura de Lisboa, o festival teve sua primeira edição, em 2013, voltada para a divulgação e promoção de Portugal além-fronteiras, apresentando Portugal com um forte interesse na preservação e promoção do seu patrimônio arquitetônico, e Lisboa como uma cidade de espírito aberto ao diálogo criativo internacional.
Com o objetivo de difundir os conteúdos do novo Plano Diretor Estratégico, a Prefeitura de São Paulo lançará no dia 4 de fevereiro, quarta-feira, em uma cerimônia na Praça das Artes, o livro com o texto e as estratégias ilustradas e o concurso público nacional de obras audiovisuais de curta metragem sobre o Plano Diretor Estratégico da cidade de São Paulo.
Realizado em parceria com a SP Cine, o concurso premiará 5 obras audiovisuais de curta metragem. O vencedor do concurso será contratado pela Prefeitura para desenvolver uma obra audiovisual seriada com 12 capítulos, abordando temas específicos do Plano Diretor Estratégico.
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Cena do filme Manhattan de Woody Allen, 1979
Cada vez mais, falar de arquitetura nos leva a falar de outras coisas. Ou, no caso do ArchDaily Brasil, compartilhar assuntos de arquitetura com nossos leitores e leitoras parece nos levar a compartilhar trabalhos dos mais variados tipos, como instalações urbanas, murais de grafite, arte pública, esculturas, filmes, etc.
Detendo-nos sobre estes últimos – os filmes -, temos em nossa página uma seção dedicada exclusivamente aos filmes – Cinema e Arquitetura – onde compartilhamos sugestões de filmes de ficção e documentários que, além de interessantes por si só, contribuem de algum modo para a discussão da arquitetura.
Ficções e seus espaços imaginários que nos transportam para dentro da tela e nos fazem experienciar universos outros; documentários que nos aproximam das figuras dos arquitetos e urbanistas e apresentam de perto seus trabalhos e trajetórias; obras emblemáticas da história do cinema que nos apresentam a arquitetura do cinema e, por que não, o caráter cinematográfico da própria arquitetura.
Seja qual for a contribuição que o cinema traga à arquitetura, compilamos a seguir 45 filmes imperdíveis – muitos dos quais já publicados em nossa seção Cinema e Arquitetura - que nos ajudam a reconhecer e estabelecer laços entre esses dois campos.