Não é exagero dizer que Renzo Piano é um dos arquitetos mais unânimes que existem no mundo da arquitetura. Com uma obra que mescla respeito ao contexto, leveza e tecnologia para criar estruturas ambientalmente conscientes e esteticamente agradáveis, sua abordagem combina materiais avançados com técnicas tradicionais. Em projetos de diversas escalas, o arquiteto genovês mantém um fio condutor essencial: a implementação de estratégias arquitetônicas passivas, destacando a importância desses métodos para a sustentabilidade e a eficiência energética. Isso é frequentemente explicitado em seus croquis, como uma preocupação inicial, e se concretiza claramente nas obras finalizadas. Veja, a seguir, alguns exemplos em projetos icônicos desenvolvidos pelo seu escritório nas últimas décadas.
Se os últimos anos foram uma ocasião perfeita para refletir e debater sobre bem-estar, digitalização e democratização no projeto arquitetônico, este ano de 2023 foi uma tremenda oportunidade para aprofundar e comentar outras das questões mais urgentes: a crise climática e o ambiente natural entraram definitivamente na agenda global de arquitetura e construção, juntamente com a circularidade, a eficiência energética e a descarbonização. É hora de falar sobre isso para construir de forma consciente.
Analisando o futuro da madeira, da água e da iluminação, em cada um dos tópicos relacionados que o ArchDaily desenvolveu mês a mês, fizemos uma pergunta aberta para que vocês - nossos queridos leitores - pudessem participar ativamente com a contribuição de suas experiências e conhecimentos. Depois de ler e compilar um grande número de mensagens recebidas, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e entusiastas da arquitetura, chegou a hora de apresentar um resumo das principais posições. Muito obrigado por suas opiniões e aguardamos seus comentários para 2024!
A tonalidade das cores desempenha um papel importante no conforto térmico dos edifícios, influenciando a absorção, reflexão e emissão de energia térmica. Junto da análise do clima local, da orientação solar e das qualidades dos materiais de construção, é possível conceber uma abordagem integrada consoante as pinturas das superfícies que ajuda a economizar até mesmo na conta de luz. Saiba como essas variáveis podem ser combinadas para trabalhar as cores com o desempenho térmico do seu projeto.
A empresa alemã baupal busca democratizar a arquitetura sustentável e personalizada através de uma ferramenta online. A empresa quer tornar o projeto de arquitetura, seus trâmites legais, as avaliações de custos e análises energéticas mais acessíveis e fáceis para construtores privados e projetos de pequeno porte. Baupal é um serviço online de construção que visa aproveitar processos digitais e estruturas de equipe eficientes para otimizar processos de projeto, planejamento e licenciamento para uma variedade de projetos de pequena escala.
Selecionado como um dos Melhores Novos Escritórios de 2021, Baupal é uma start-up sediada em Berlim fundada em 2020 por Constantin Schmidt-Thomé, Justus Menten e Max Schroeren com o objetivo de "simplificar o design e aplicativos de construção para os proprietários de residências e seus construtores". Com formação em finanças, empreendedorismo e arquitetura, a equipe quer transformar o processo de aprovação de projetos em uma experiência do cliente por meio de fluxos de trabalho digitais e transparentes. A empresa é especializada em reformas, ampliações e novas casas unifamiliares, além de fornecer serviços de construção para empresas do setor.
Hoje em dia tudo é “pintado” de verde. São embalagens verdes, tecnologias verdes, materiais verdes, automóveis verdes e, claro, arquitetura verde. Uma “onda verde” estimulada pela crise ambiental e energética que estamos enfrentando, com destaque para as mudanças climáticas e todas as consequências atreladas ao aquecimento do planeta. Situação calamitosa confirmada pela segunda parte do relatório intitulado Mudanças Climáticas 2022: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade elaborado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) eapresentado nas últimas semanas. Nele revela-se que, embora os esforços de adaptação estejam sendo observados em todos os setores, o progresso implementado até agora é muito baixo, pois as ações tomadas não são suficientes.
A Favela Marte, localizada em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, será a primeira comunidade da América Latina totalmente abastecida com placas solares. O local servirá de modelo para um amplo projeto que promete gerar renda e desenvolvimento social aos moradores.
Conhecida como Vila Itália, a comunidade começou a surgir em 2014. Por diversos anos, a população foi alvo de ações judiciais, que visavam desapropriar a área privada. Um novo revés veio quando a área foi escolhida para servir como modelo para o projeto “Favela 3D”, referindo-se à criação de ambientes dignos, digitais e desenvolvidos.
Foi-se o tempo em que eram bem vistas as arquiteturas que se fechavam para dentro de si, nas quais seu envoltório seria, não como um moderador do clima exterior no ambiente interno, mas uma barreira inerte e independente. Inúmeros equipamentos mecânicos, elétricos para ventilar, para aquecer, para resfriar. Uma completa máquina.
Hoje se pensa cada vez mais na interação da arquitetura com meio no qual está inserida, fazendo com que nós arquitetos assumamos a responsabilidade do conforto térmico dos ambientes, utilizando estratégias de projeto para uma climatização natural.
O armazenamento de energia renovável, sobretudo eólica e solar, ainda é um desafio. Mas, cientistas da Universidade Técnica Chalmers, na Suécia, estão dando um grande passo rumo à criação de uma bateria ecológica feita de cimento. O projeto, ainda em fase de protótipo, é focado na construção civil.
Em busca de materiais sustentáveis e escaláveis, os pesquisadores Emma Zhang e Luping Tang, do Departamento de Arquitetura e Engenharia Civil, criaram um novo conceito para baterias recarregáveis. O processo envolve primeiro uma mistura à base de cimento, com pequenas quantidades de fibras curtas de carbono adicionadas para aumentar a condutividade e a tenacidade à flexão. Então, embutida na mistura está uma malha de fibra de carbono revestida de metal – ferro para o ânodo e níquel para o cátodo. É o primeiro conceito do tipo no mundo.
Primeiro lugar: Síntese Arquitetura. Image Cortesia de Secretaria Nacional de Habitação/MDR e Agência Alemã de Cooperação Internacional – Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH (GIZ)
Reunir projetos arquitetônicos de habitações de interesse social que sejam inovadores, sustentáveis e possibilitem redução do consumo de energia. Esse é o objetivo do Concurso Nacional de Ideias em Arquitetura para Eficiência Energética em Habitação de Interesse Social, lançado nesta segunda-feira (15) pela empresa de cooperação governamental alemã Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. As inscrições vão até 26 de abril.
https://www.archdaily.com.br/br/958724/ministerio-do-desenvolvimento-regional-lanca-concurso-de-projeto-para-eficiencia-energetica-em-habitacao-de-interesse-socialEquipe ArchDaily Brasil
Foto: Jean-Paul Pelissier | Reuters. Via CicloVivo
Sempre que pensamos em painéis solares, a ideia de um produto sustentável surge. Sem dúvida eles são uma solução para gerar energia renovável, mas, o que pouca gente sabe, é que os painéis solares são muito difíceis de reciclar. Esta desvantagem não é motivo para que eles não sejam adotados em construções e usinas solares, mas mostram que a sustentabilidade tem que ser um foco constante em relação a estes produtos, mesmo depois que eles deixam de funcionar.
Em 2018, a ONU divulgou um artigo afirmando que 55% da população mundial já vivia em áreas urbanas, prevendo que em 2050 esse percentual chegará a 68%. Essa tendência à maior urbanização traz consigo várias implicações em relação à degradação ambiental e à desigualdade social. De acordo com a National Geographic, o crescimento urbano aumenta a poluição do ar, põe em perigo as populações de animais, promove a perda de cobertura urbana de árvores e aumenta a probabilidade de catástrofes ambientais, como inundações repentinas. Esses riscos à saúde e fenômenos catastróficos podem ter maior probabilidade de afetar as populações mais pobres, pois as cidades maiores geralmente demonstram taxas mais altas de desigualdade econômica e o crescimento descontrolado tende a produzir distribuições desiguais de espaço, serviços e oportunidades.
Para mitigar esses efeitos negativos da urbanização, arquitetos vêm priorizando cada vez mais a sustentabilidade e a maximização do espaço disponível - permitindo que mais pessoas ocupem menos espaço com uma área menor.
O funcionamento das telhas solares, ou telhas fotovoltaicas, acontece da mesma forma que os painéis fotovoltaicos, já bastante utilizados na construção civil. A diferença está na montagem, já que essas fazem parte da construção do telhado desde seu início, ou seja, são projetadas em conjunto à nova cobertura enquanto os painéis são parafusados em uma cobertura existente.
As telhas são compostas por células fotovoltaicas que, no momento em que recebem luz solar, criam um campo elétrico capaz de fornecer energia elétrica para ser utilizada no interior da construção, já que as placas fotovoltaicas são conectadas através de cabos elétricos até o quadro de força.
Desde a época da faculdade estudantes de arquitetura aprendem que a ventilação dos recintos é importante para retirar o excesso de calor dos ambientes. Mas nem sempre são delimitadas as situações nas quais isso realmente proporciona ambientes com desempenho térmico adequado, principalmente quando se fala na ventilação da cobertura de uma habitação.
https://www.archdaily.com.br/br/926646/estrategias-de-projeto-para-habitacao-ventilar-a-cobertura-ou-acrescentar-isolante-termicoAdriana Camargo de Brito
Ruas de Tietê foram pintadas de azul para diminuir a temperatura ambiente. Foto: Reprodução/TV TEM
Os efeitos das ilhas de calor nas cidades, mais perceptíveis durante as altas temperaturas do verão, tem grande ligação com a área asfaltada nos centros urbanos. Impermeável e capaz de absrver muito calor devido à sua coloração escura, o asfalto que recobre as vias pode fazer com que a temperatura média da cidade aumente consideravelmente - sobretudo em zonas que carecem de vegetação.
Com isso em mente, a prefeitura da cidade de Tietê, no interior do estado de São Paulo, implementou uma estratégia bastante simples e barata: pintou as ruas de azul ciano. Segundo o secretário de Meio Ambiente da cidade, George Nicolosi, estudos apontam que esta cor azul reflete mais a luz do que o cinza escuro do asfalto, o que favorece a redução da temperatura do piso.
A domótica é um conjunto de tecnologias aplicadas ao controle e automação inteligente de uma obra de arquitetura. Seus diferentes sistemas permitem uma gestão eficiente do consumo de energia, segurança, acessibilidade e conforto geral do edifício, tornando-se uma questão importante a considerar ao projetar, construir e habitar.
Os sistemas domóticos são baseados na coleta de dados por sensores, que logo são processados para emitir ordens precisas aos executores, variando a qualidade ambiental de cada espaço de acordo com as necessidades do usuário. O ritmo da vida atual e os avanços tecnológicos que experimentamos nos últimos anos levaram a novas formas de viver, motivando o projeto de residências e edifícios mais humanos, multifuncionais e flexíveis.
Este artigo recolhe diferentes referências de habitação onde a domótica tem sido utilizada, o que deixou de ser um luxo para se tornar uma solução viável e eficaz para todos os tipos de projetos.
https://www.archdaily.com.br/br/906418/casas-inteligentes-que-utilizam-domotica-para-melhorar-a-qualidade-de-vida-de-seus-habitantesMartita Vial della Maggiora
Casas de um empreendimento do Minha Casa, Minha Vida em Antonio Cardoso, na Bahia. Foto: Paulomedford/Wikimedia Commons
Cerca de três bilhões de pessoas, ou 40% da população mundial, precisarão de novas moradias até 2030. Isso exigirá a construção de aproximadamente 21 milhões de novas residências por ano em todo o mundo.
Vários dos países que mais crescem têm metas ambiciosas para atender a essa necessidade. O governo indiano pretende construir 20 milhões de habitações de baixo custo até 2022. A Nigéria tem como meta um milhão de casas construídas por ano para a próxima década. O presidente da Indonésia iniciou o programa Um Milhão de Casas para atender cidadãos de baixa renda.
https://www.archdaily.com.br/br/903769/habitacoes-podem-ser-consideradas-de-baixo-custo-se-nao-forem-eficientesHenrique Evers, Catalina Demidchuk e Eric Mackres