
A cidade do Rio de Janeiro teve sua paisagem edificada, ao longo dos seus 457 anos, de diversas formas. Nos primeiros séculos se consolidou no entorno da Rua Direita, atual rua Primeiro de Março, basicamente com casarios de dois pavimentos, normalmente com seu térreo formado por uma porta e duas janelas — isso decorria da medida da época, a braça, e os seus lotes que costumavam ter três braças (cada braça equivale a 2,2 metros). O perfil fundiário carioca sempre foi um indutor da forma urbana e o lote português, com testada pequena e muito comprido, marcou uma época da nossa cidade e é uma marca do desenvolvimento da cidade.
No início do século XX vimos diversos engenhos sendo transformados em loteamentos, marcadamente na Zona Norte da cidade, bem como nas terras Beneditinas em Vargem Grande, Pequena e Camorim. Nas duas situações o loteador usava do lote mínimo para fazer sua divisão; na Zona Norte eram lotes pequenos que seriam ocupados por pequenas casas, as quais resistiram — e resistem — por muito tempo, sendo transformadas com o passar do tempo em edifícios de pequeno porte. Já na região de Vargem os lotes mínimos eram extensos, por serem agrícolas, com 10 mil metros quadrados de área. Na década de 2010 alguns deles foram transformados em condomínios, cercados por enormes muros.







