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Caos Planejado: O mais recente de arquitetura e notícia

O papel do transporte informal na recuperação pós-pandemia

As crises geralmente provocam mudanças na maneira como nos movemos. A prosperidade pós-guerra fez do automóvel um item doméstico e um estilo de vida. A crise fiscal e petrolífera global dos anos 70 trouxe um boom de bicicletas de curta duração e uma retirada dos dólares das cidades para o transporte público. E a crise financeira de 2008 preparou o caminho para que o capital de risco no Vale do Silício estourasse, apoiando novas plataformas como Uber e Waze.

O que o espraiamento urbano e a verticalização dizem sobre as emissões de CO2

Quando pensamos em Nova York, pensamos em Manhattan e seus arranha-céus super altos. Como resultado, acreditamos que a cidade é um dos lugares mais densos da Terra: uma Hong Kong no Hudson. Mesmo assim, olhar para cima desvia nossa atenção de outro fato: Nova York não é tão densa quando você olha para sua área territorial em extensão. Depois de sair de Manhattan e passar pelos bairros históricos periféricos, você encontrará uma cidade distintamente suburbana. A paisagem compreende quarteirões e mais quarteirões de casas unifamiliares, shoppings e ruas largas que não permitem carros. Nova York é, portanto, um conto de duas cidades — dos skylines e do espraiamento.

Como discussões sobre “caráter de bairro” reforçam o racismo estrutural

Quando a cidade de St. Paul, Minnesota, propôs o desenvolvimento de prédios de apartamentos e espaços comerciais em uma região industrial vazia, um artigo de opinião na Growler Magazine comparou o desenvolvimento proposto a uma trituradora de metal. “Em vez de conservar e melhorar as qualidades e caráter do bairro,” escreve Charles Hathaway, “a requalificação endossada pelo projeto da cidade desconsidera as características únicas do bairro e diminui sua qualidade.”

Reparcelamento do solo: uma solução para a urbanização não-planejada

Uma vez que a urbanização acontece, seja legal ou ilegalmente, e os terrenos são subdivididos e povoados, é extremamente difícil reorganizar a posteriori seus limites, sobretudo de propriedade, e garantir terrenos para necessidades públicas básicas.

Tal dificuldade acontece devido a dois fatores principais. Em primeiro lugar, qualquer reorganização de terrenos requer o deslocamento dos usuários existentes, o que afeta suas redes sociais, culturais e econômicas — ou seja, o chamado “capital social” — e também afeta o senso de igualdade e de distribuição justa de direitos. Em segundo lugar, o valor do solo urbano aumenta com seu uso intensivo, especialmente quando a oferta é escassa em uma situação de grande demanda.

SimCity criou uma geração de urbanistas

Enquanto trabalhava em Raid on Bungeling Bay — um jogo sobre bombardear cidades —, o lendário designer de jogos Will Wright descobriu que se divertia mais projetando as cidades do que as destruindo. Ele então se perguntou se os jogadores iriam gostar de ter essa mesma oportunidade.

Quatro anos depois, o resultado foi SimCity, um jogo que partiu das bases de um jogo tradicional, trocando as fases por uma jogabilidade aberta e os objetivos claros por um sandbox, uma “caixa de areia” para criar. Os jogadores receberam uma área sem nada construído, uma pilha de dinheiro e algumas ferramentas básicas de planejamento antes de poderem fazer o que quiserem.

O que acontece quando o espaço viário é redistribuído

A construção de ruas ao longo do século XX foi baseada principalmente na premissa de que mais infraestrutura facilita o trânsito. Porém, evidências mostram que, em vez de reduzir o congestionamento, construir mais ruas na verdade aumenta o tráfego. Quando se reduz o tempo dos deslocamentos feitos de carro, aumenta a conveniência — com isso, em paralelo ao apelo exercido pelo veículo particular como indicador de riqueza e posição social, as pessoas tendem a fazer mais viagens de carro. Um estudo recente de pesquisadores da Universidade de Barcelona analisou dados de 545 cidades europeias entre 1985 e 2005 e confirmou que os esforços empreendidos ao longo dessas duas décadas para ampliar a capacidade das ruas levaram ao aumento do tráfego de veículos, e não à redução, e os congestionamentos não foram amenizados.

O custo social dos estacionamentos

O livro “The high cost of free parking”, do professor aposentado da Universidade da Califórnia Donald Shoup, mostra que estacionamentos podem gerar um custo social relevante. Shoup mostra que o modelo de cidades centradas nos automóveis é irracional, onde se destina cada vez mais recursos e espaço para uma máquina que não é usada em 95% do tempo.

12 Exposições virtuais gratuitas sobre cidades e urbanismo

Reunimos uma seleção de exposições online sobre urbanismo — disponíveis gratuitamente no Google Arts & Culture —, sobre a história do desenvolvimento de grandes cidades ao redor do mundo. Confira a seguir:

Redes da Maré: a favela na pandemia

Para entender como as comunidades vêm enfrentando a crise de Covid-19, o Caos Planejado recebe em seu podcast Eliana Sousa Silva, diretora da ONG Redes da Maré e coordenadora da campanha “Maré diz não ao Coronavírus”.

Nascida em Serra Branca, na Paraíba, Eliana é mestre em Educação e doutora em Serviço Social e Segurança Pública pela PUC-Rio. Atua como pesquisadora em segurança pública e professora visitante do Instituto de Estudos Avançados da USP.

A Amazon e a volta da “starchitecture”

Enquanto o mundo corporativo discute o trabalho remoto, a Amazon decidiu dobrar a aposta nos escritórios físicos. No início deste ano, a empresa anunciou seus planos para a nova sede em Arlington, no estado americano de Virgínia. O complexo de edifícios será construído em torno de uma estrutura espiralada com mais de 100 metros de altura, batizada de Helix. Além dos 260 mil m² de escritórios, haverá também 10 mil m² de espaço acessível ao público, incluindo anfiteatro, mercado, restaurantes e praças. A escolha do local, no centro da área metropolitana de Washington, D.C., vai na contramão de empresas que construíram suas sedes em subúrbios, fechadas ao público externo, como a Apple e a Facebook.

Amazon Spheres, em Seattle. Imagem: MikeWu/FlickrMuseu Guggenheim, em Bilbao. Imagem: Alex Gonzalez/FlickrHelix, projeto para a nova sede em Arlington, Virgínia. Imagem: NBBJProjeto para a sede da Amazon em Berlim. Imagem: OVG Real Estate/World Architecture+ 5

O cenário da pandemia pode gerar cidades caminháveis?

Dois meses e onze dias após o início de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia por Covid-19. Para conter a ameaça que estava se alastrando, pessoas e autoridades tiveram que criar estratégias coletivas e mudar seus comportamentos. Esta batalha entre vírus e humanidade também colocou em xeque a existência e manutenção de uma das criações humanas mais importantes: as cidades.

Como símbolo do ambiente onde acontecem encontros casuais entre pessoas diferentes e experiências diversas, as pessoas governando ambientes urbanos foram desafiadas a convencer e, em alguns casos, forçar sua população a ficar em casa como principal medida para conter o contágio.

O que é preciso para viabilizar a bicicleta como opção de mobilidade nas cidades brasileiras?

Grandes manchas urbanas, temperaturas elevadas, relevos bastante acidentados, falta de segurança. Quais são os caminhos para promover o uso das bicicletas como alternativa de mobilidade nas cidades brasileiras? Para aprofundar o tema, o Caos Planejado recebe Glaucia Pereira, fundadora da Multiplicidade Mobilidade Urbana e diretora e integrante da Cidadeapé, e Rosa Félix, investigadora em mobilidade urbana em bicicleta do laboratório U-Shift.

O ideal da cidade compacta ainda faz sentido?

Quem se interessa por política urbana provavelmente ouvirá, em algum momento, o termo “cidade compacta”. A expressão se tornou recorrente no campo do planejamento urbano. Propostas associadas ao termo privilegiam uma ocupação mais densa, com comércio e serviços perto das residências, e favorecem o trânsito de pedestres, ciclistas e usuários do transporte público. Algumas capitais europeias, como Copenhague e Amsterdã, costumam ser apontadas como exemplos deste modelo. Seu contraponto é a cidade dispersa, onde os bairros são predominantemente residenciais, afastados do Centro, e exigem longos deslocamentos de casa ao trabalho.

Imagem: Luana Alencar/FlickrImagem aérea da área metropolitana de Portland, EUA, mostrando sua barreira de crescimento urbano bem definidaA grelha viária de Toronto possui ruas arteriais a cada 2km, formando lotes quadrados de 4km². Imagem: Logan/Urban TorontoNesta imagem da área metropolitana de Manila, nas Filipinas, o trecho reservado para uma nova via foi ocupado por assentamentos informais+ 5

Existe algo de “inteligente” nas cidades inteligentes?

Não tem como ser um urbanista ou se interessar pelas questões das cidades e ainda não ter ouvido — muito — sobre o movimento “Cidades Inteligentes” (“Smart Cities”). A ideia é que não há nada nas cidades que o uso de dados (especialmente “big data”) ou de tecnologia não resolva. O resultado tem sido uma série de afirmações sobre como é possível solucionar problemas tão desafiadores como habitação, tráfego e desigualdade simplesmente criando modelos mais elaborados com base em big data ou implantando novas formas de tecnologia.

“Drivewave” do MIT. Cortesia de Caos PlanejadoBoring Company de Elon Musk: Habitrail para Teslas? Cortesia de Caos PlanejadoPortland, Oregon. Imagem: David Mark/PixabayImagem aérea de Smart City Laguna, primeira smart city planejada do Brasil. Image via Engenharia E+ 5

Urbanismo tático e espaços públicos: entrevista com Letícia Sabino

Neste episódio do podcast do Caos Planejado, a discussão envolve alternativas para a mobilidade a pé e ocupação dos espaços públicos através do urbanismo tático. A convidada é Letícia Sabino, fundadora e diretora do SampaPé, organização que atua desde 2012 para transformar as cidades em ambientes mais caminháveis junto com as pessoas.

Quanto custa uma linha de metrô?

“Quanto custa uma linha de metrô?” é uma pergunta feita com frequência quando se discute soluções ferroviárias de alta capacidade para cidades brasileiras. No entanto, o custo da implementação de projetos ferroviários varia enormemente em diferentes geografias globais.

Por exemplo: uma linha ferroviária em Nova York custa cerca de vinte vezes mais por quilômetro que uma linha em Seul, chegando ao orçamento de U$6,4 bilhões para um trecho de apenas 2,6 quilômetros na segunda fase do metrô Second Ave., ao norte da ilha de Manhattan. A questão geográfica, ou mesmo da alta densidade construída da metrópole americana, são respostas insuficientes para justificar tamanha disparidade em custos de construção.

Green Line, em Boston, EUA. Imagem: PixelDownpour/FlickrLinha 4 do metrô do Rio de Janeiro. Imagem: Fernando Frazão/Agência BrasilMetrô de São Paulo. Foto: Pedro Hartmann, via UnsplashLinha de metrô em Istambul, Turquia. Imagem: WRI/Flickr+ 5

Economia urbana e acessibilidade à moradia: conversa com Tainá Pacheco e Vanessa Nadalin

Como é calculado o déficit habitacional? O Minha Casa Minha Vida aumentou a acessibilidade à moradia? O que é Outorga Onerosa? Para responder a essas e outras perguntas o Caos Planejado recebeu Tainá Pacheco e Vanessa Nadalin para uma conversa.

Habitação não pode ser um bom investimento e acessível ao mesmo tempo

A promoção da casa própria como uma estratégia de investimento é uma proposta arriscada. Nenhum consultor financeiro recomendaria contrair dívidas para aplicar uma parte tão grande de suas economias em um único ativo financeiro, qualquer que seja, por ser uma grande concentração de risco.

Pior ainda, esse risco não é aleatório: ele recai mais pesadamente sobre os compradores de baixa renda, que recebem condições de financiamento piores e cujos bairros são sistematicamente mais propensos a ter valores residenciais mais baixos ou mesmo em queda, causando resultados devastadores sobre a diferença de riqueza entre grupos raciais.