
Com seus objetivos quantificáveis e desempenho mensurável, a sustentabilidade muitas vezes se apresenta como um desafio tecnológico. Sua linguagem primária é aquela dos dados, equipamentos, sistemas projetados, muitas vezes traduzidos em uma camada hipertecnológica escondida dentro de um design que apoia normas estéticas pré-existentes. Como a arquitetura é a imagem de uma sociedade em um momento do tempo, como o foco em sustentabilidade se traduz em linguagem, legitimando ainda mais as iniciativas para estabelecer uma relação de equidade com o meio ambiente? A arquitetura serve como uma expressão de atitudes, e já que a sustentabilidade se tornou um valor fundamental, é válido olhar se ela produziu ou não uma transformação estética.
"A Sustentabilidade precisa encontrar seu próprio poder de sedução", diz Ilaria di Carlo em seu livro "A estética da Sustentabilidade" ("The Aesthetics of Sustainability"), no qual ela aponta que a sustentabilidade é expressada mais "por uma performance técnica aprimorada do que por uma nova linguagem urbana", argumentando pela necessidade de uma "estética inovadora". A inovação do século XIX em relação ao uso do vidro e do aço levou à emergência de uma nova estética, embora as primeira tentativas da arquitetura de fazer uso de novos materiais replicaram as convenções estéticas daquele tempo. Em seu artigo intitulado "An Un-flushable Urinal. The aesthetic potential of sustainability", David Heymann faz a pergunta: qual é a consequência estética do nosso desejo por performance sustentável? e faz paralelos com o mundo da arte para argumentar que nenhuma mudança tecnológica é livre de consequências estéticas.






