Quem é Smiljan Radić Clarke? 10 fatos sobre o ganhador do Prêmio Pritzker 2026

Smiljan Radić Clarke, vencedor do Prêmio Pritzker 2026, é um arquiteto chileno contemporâneo conhecido por sua abordagem projetual experimental, com uma prática que equilibra o elementar com o íntimo, o monumental com o frágil. Ao longo de mais de três décadas, Radić desenvolveu uma arquitetura que resiste à repetição e à categorização estilística convencional, favorecendo, em vez disso, intervenções profundamente específicas ao local, materialmente sensíveis e culturalmente reflexivas.

Seu trabalho negocia permanência e impermanência, memória e imaginação, criando edifícios que tratam tanto da experiência e emoção humanas quanto da estrutura e forma. Em residências, instituições culturais e instalações temporárias, a arquitetura de Radić destaca a interação entre contexto, materiais e os gestos sutis que moldam a forma como os espaços são habitados e percebidos.

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Os projetos de Radić emergem de uma sensibilidade aguda à história, à paisagem e à presença humana, refletindo uma filosofia mais ampla na qual a arquitetura é entendida como um processo cumulativo e em camadas. Influenciado pela literatura, filosofia e mitologia, bem como pela sua própria educação multicultural, ele aborda cada projeto como uma investigação singular, em vez de uma oportunidade para afirmar uma estética característica. Desde a pequena Casa Chica, construída à mão nos Andes, até instalações internacionalmente reconhecidas, como o Serpentine Pavilion, em Londres, o trabalho de Radić revela um interesse duradouro em criar experiências que são simultaneamente protetoras, contemplativas e abertas à interpretação.


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Nave, Performing Arts Creation Center, Santiago, Chile. Image © Cristobal Palma, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

Em cada obra, ele é capaz de responder com originalidade radical, tornando o não óbvio óbvio. Ele volta aos fundamentos básicos mais irredutíveis da arquitetura, explorando, ao mesmo tempo, limites que ainda não foram alcançados. – Alejandro Aravena, presidente do júri e vencedor do Prêmio Pritzker 2016

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Pite House 2005. Image © Cristobal Palma, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

1. Origens multiculturais e a construção da identidade

Nascido em Santiago, Chile, em 1965, Smiljan Radić cresceu em uma família marcada pela migração e por histórias culturais complexas. Os pais de seu pai eram originários de Brač, na Croácia, e as origens de sua mãe remontavam ao Reino Unido, o que o colocava em um ambiente familiar onde questões de pertencimento e origem eram constantes. Radić refletiu que a identidade não é meramente herdada, mas algo que deve ser construído através da experiência: “Às vezes, você tem que criar suas próprias raízes. Isso lhe dá liberdade.” Assim como sua própria vida, seu trabalho surge através da experiência acumulada, da memória e da reflexão, construindo significado em vez de herdá-lo. Desde o início, a arquitetura de Radić abraçou esse senso de abertura e camadas, rejeitando tradições fixas em favor de projetos que respondem às nuances culturais e contextuais.

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Vik Winery, Millahue, Chile, 2012. Image © Cristobal Palma, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

2. Descobrimento da arquitetura por meio do desenho e da formação

O caminho de Radić para a arquitetura desenvolveu-se gradualmente, em vez de através de um único momento decisivo. Quando criança, passava grande parte do tempo desenhando e, aos 14 anos, teve o seu primeiro contato com a arquitetura quando um professor de arte lhe pediu para projetar um edifício como parte de um exercício na sala de aula. O projeto revelou a capacidade da disciplina de mesclar imaginação, raciocínio espacial e experiência humana, lançando as sementes para uma carreira que iria fundir arte, escultura e arquitetura. 

Mais tarde, ele cursou Arquitetura na Pontifícia Universidad Católica de Chile, em Santiago, graduando-se em 1989. Em vez de seguir uma carreira estritamente profissional, Radić expandiu seus horizontes intelectuais estudando História no Istituto Universitario di Architettura di Venezia e viajando extensivamente. Essas experiências o expuseram a diferentes paisagens, culturas e tradições arquitetônicas, moldando sua compreensão da arquitetura como uma prática cultural e filosófica, e não apenas uma profissão técnica.

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Guatero, Pavilion of the Architecture Biennale 2023, Santiago, Chile. Image © Cristobal Palma, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

3. Arquitetura inspirada pela filosofia, literatura e mito

A abordagem de Radić tem suas raízes em influências intelectuais mais amplas. Filosofia, literatura e narrativas mitológicas frequentemente influenciam seu pensamento projetual, fornecendo estruturas conceituais que moldam tanto as imagens quanto a organização espacial. Ele acredita que as ideias habitam objetos físicos e que a arquitetura pode funcionar como um cenário no qual os significados emergem gradualmente. Em vez de impor mensagens simbólicas claras, seus edifícios criam condições nas quais os usuários podem descobrir suas próprias interpretações. Ele afirmou: “Sempre tentei construir cenários onde outros pudessem descobrir ideias emergentes”, enfatizando as dimensões experienciais e interpretativas da arquitetura. Seus edifícios operam em vários níveis — material, emocional e conceitual —, mantendo a ambiguidade e a abertura, incentivando os usuários a descobrir significados pessoais ao longo do tempo. Essa camada intelectual é uma marca registrada de seu trabalho, onde a narrativa e a imaginação estão incorporadas nas qualidades espaciais, estruturais e materiais de um edifício, tornando a arquitetura simultaneamente reflexiva, poética e fundamentada.

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Carbonero, Chile, 1999. Image © Smiljan Radić, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

4. Colaboração com a escultora Marcela Correa

Uma influência importante no trabalho de Smiljan Radić tem sido sua longa relação com a escultora Marcela Correa. Os dois se conheceram durante os anos de universidade e acabaram se casando, estabelecendo uma parceria caracterizada por uma troca contínua de ideias entre escultura e arquitetura. Sua colaboração inicial na Casa Chica (Vilches, Chile, 1997) ilustra claramente essa relação. A pequena casa, com apenas 24 metros quadrados, foi construída em grande parte à mão nas montanhas dos Andes e demonstra o interesse inicial de Radić pela presença dos materiais, pela paisagem e por gestos arquitetônicos modestos.

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Regional Theater Bio Bio, Concepción, Chile. Image © Iwan Baan, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

5. Estabelecendo uma prática íntima e rejeitando um estilo próprio

Radić fundou seu escritório de arquitetura Smiljan Radić Clarke em Santiago, em 1995. Ao contrário de muitos escritórios contemporâneos que crescem e se tornam grandes empresas internacionais, Radić manteve intencionalmente um escritório relativamente pequeno e intimista. Essa estrutura permite que ele aborde cada projeto como uma investigação única, em vez de aplicar uma linguagem projetual repetitiva. Ele rejeita abertamente a noção de um “estilo prórprio”, preferindo desenvolver a arquitetura a partir de princípios básicos, considerando cuidadosamente o contexto, o uso e as condições culturais que envolvem cada projeto. Para Radić, a arquitetura não se trata de estabelecer uma identidade estética reconhecível, mas de responder às circunstâncias específicas de cada encomenda.

Desenvolvido em um contexto de circunstâncias adversas, nos confins do mundo, com uma equipe de apenas alguns colaboradores, ele é capaz de nos levar ao âmago do ambiente construído e da condição humana. – Alejandro Aravena, presidente do júri e vencedor do Prêmio Pritzker 2016

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Mestizo Restaurant, Santiago, Chile, 2005. Image © Gonzalo Puga, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

6. O sítio como contexto cultural, social e ambiental 

No centro da filosofia arquitetônica de Radić está uma ampla compreensão do sítio. Em vez de tratar o local apenas como um terreno físico, ele o interpreta como uma convergência de condições ambientais, camadas históricas, práticas sociais e circunstâncias políticas. Seus edifícios geralmente surgem por meio de estratégias que respondem diretamente a essas condições. Alguns projetos estão parcialmente embutidos no solo, enquanto outros são orientados para proteger contra ventos predominantes ou luz solar intensa. Exemplos incluem o Restaurante Mestizo (Santiago, 2006), que se integra à paisagem em vez de se destacar sobre ela, e a Casa Pite (Papudo, 2005), que é cuidadosamente orientada para proteger seus espaços internos dos ventos fortes da costa e da luz solar.

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Serpentine Gallery Pavilion 2014. Image © Iwan Baan, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

7. Experimentação material e a disciplina da construção

A simplicidade arquitetônica de Radić mascara uma abordagem rigorosa à engenharia e à construção. Materiais como concreto, pedra, madeira, vidro e fibra de vidro são utilizados com atenção cuidadosa às suas propriedades físicas e sensoriais. Por meio dessas combinações, Radić molda não apenas a estrutura, mas também a luz, o som, o peso e o envoltório. Um exemplo bem conhecido é o pavilhão de 2014 projetado para as Serpentine Galleries em Londres, onde uma concha translúcida de fibra de vidro repousa sobre grandes pedras de pedreira. A estrutura filtra a luz suavemente, permanecendo parcialmente aberta para o parque circundante, criando uma atmosfera que é ao mesmo tempo protetora e permeável. Em projetos como o Teatro Regional del Bío-Bío (Concepción, 2018), a limitação de materiais é usada de forma semelhante para regular a luz e a acústica, demonstrando como a própria construção se torna uma forma de narrativa arquitetônica.

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Regional Theater Bio Bio, Concepción, Chile. Image © Hisao Suzuki, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

8. A arquitetura como espaço emocional e experiencial

Além das considerações técnicas e formais, o trabalho de Smiljan Radić reflete frequentemente uma profunda sensibilidade à experiência emocional e psicológica da arquitetura. Os seus edifícios criam frequentemente espaços que transmitem uma sensação de proteção, focados no interior e atentos à vulnerabilidade humana. Isto é evidente na Casa para o Poema do Ângulo Reto (Vilches, 2013), uma estrutura contemplativa onde aberturas cuidadosamente posicionadas emolduram o céu e permitem que a luz marque a passagem do tempo. Em sua própria residência e estúdio, Pequeño Edificio Burgués (Santiago, 2023), a arquitetura faz, de forma semelhante, uma mediação entre exposição e privacidade. Do interior, os moradores têm vista para a cidade abaixo, enquanto do exterior, o edifício permanece oculto atrás de telas e cortinas em camadas. Tais estratégias revelam o interesse de Radić em como a arquitetura pode moldar atmosferas emocionais e incentivar a introspecção.

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Nave, Performing Arts Creation Center, Santiago, Chile. Image © Cristobal Palma, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

9. Reutilização adaptativa, instituições culturais e investigação contínua

Smiljan Radić também trabalha com estruturas existentes, tratando a intervenção arquitetônica como um processo de sobreposição em vez de substituição. Projetos como o NAVE (Santiago, 2015) demonstram essa abordagem. O edifício, originalmente uma residência do início do século XX danificada por um desastre natural, foi transformado em um espaço cultural para apresentações e workshops, mantendo grande parte de sua estrutura original. Acima do edifício restaurado, um terraço coberto por uma tenda de circo introduz uma sensação inesperada de leveza e celebração, contrastando com os espaços mais sóbrios abaixo. Esse interesse em processos arquitetônicos em camadas também se estende além de projetos individuais. Em 2017, Radić fundou a Fundación de Arquitectura Frágil, uma instituição dedicada à pesquisa, exposições e investigação arquitetônica experimental, refletindo sua crença de que a arquitetura deve permanecer uma prática cultural aberta e em evolução.

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Vik Winery, Millahue, Chile, 2012. Image © Cristobal Palma, courtesy of The Pritzker Architecture Prize

10. Reconhecimento internacional, instalações e prática global

Sediado em Santiago, Smiljan Radić ganhou reconhecimento internacional mantendo um estúdio relativamente pequeno e independente. Nas últimas duas décadas, seu trabalho foi amplamente exibido e apresentado em importantes instituições culturais, refletindo o forte diálogo em sua prática entre arquitetura, arte e instalação. Radić participou de eventos como a Bienal de Arquitetura de Veneza, onde colaborou com a escultora Marcela Correa na instalação The Boy Hidden in a Fish (2010). Seu trabalho também foi exibido em instituições como o Swiss Institute em Nova York e a Fundação LUMA na Suíça. O reconhecimento internacional de seu trabalho inclui o Grande Prêmio Bienal na Bienal Pan-Americana de Arquitetura de Quito em 2022 pelo Teatro Regional Bío Bío e o Primeiro Prêmio pelo Pavilhão Chileno na Expo 2020 Dubai em 2019. Apesar de seu portfólio em expansão nas Américas e na Europa, Radić continua a operar em Santiago, mantendo uma prática caracterizada pela experimentação, exploração de materiais e uma forte ênfase nas qualidades atmosféricas da arquitetura.

Acompanhe a cobertura do ArchDaily do Prêmio Pritzker.

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Sobre este autor
Cita: Dogan, Reyyan. "Quem é Smiljan Radić Clarke? 10 fatos sobre o ganhador do Prêmio Pritzker 2026" [Who Is Smiljan Radić Clarke? 10 Things to Know About the 2026 Pritzker Architecture Laureate] 12 Mar 2026. ArchDaily Brasil. (Trad. Moreira, Susanna ) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/1039587/quem-e-smiljan-radic-clarke-10-fatos-sobre-o-ganhador-do-premio-pritzker-2026> ISSN 0719-8906

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