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Arquivo: Des-construção e reuso de materiais para uma arquitetura circular

O setor da construção civil enfrenta hoje um paradoxo incontornável: a necessidade urgente de soluções sustentáveis para o futuro das cidades colide com o esgotamento do próprio termo "sustentabilidade", muitas vezes reduzido a um selo comercial vazio. Diante desse cenário, a Arquivo — uma das vencedoras do prêmio Next Practices 2025 do ArchDaily — emerge como uma facilitadora e uma mediadora entre os diferentes agentes no campo da construção a partir da desmontagem – ou ainda, des-construção – e o reuso de elementos construtivos. Etimologicamente, se "construir" deriva do latim construere ("amontoar, reunir"), o prefixo "des-" impõe uma inversão conceitual: não se trata de destruir, mas de desmontar com inteligência para compreender a lógica das partes.

Enquanto a prática convencional das demolições gera um grande volume de resíduos e gasto energético, a Arquivo propõe o reuso como uma alternativa viável para a economia circular. A empresa atua na lacuna entre o descarte e a nova obra, operando sob uma premissa clara: “O reuso só se dá por completo quando o material ganha uma nova vida”.

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Mapear o espaço sem a visão: a arquitetura sensorial do SEAlab

Fundado em 2015 em Ahmedabad por Anand Sonecha, o SEAlab é um escritório moldado por uma abordagem lenta e contemplativa em relação ao lugar, à proporção e à participação. Reconhecido como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o estúdio constrói com materiais simples e técnicas locais, buscando criar ambientes que sejam experimentados tanto quanto vistos. Esse ethos tornou-se particularmente tangível em Gandhinagar, onde a Escola para Crianças Cegas e Deficientes Visuais não começou como uma instituição projetada especificamente para esse fim. A escola funcionava em um edifício de ensino fundamental já existente, com salas de aula sobrepostas a dormitórios e doze crianças dividindo um único quarto. O espaço era limitado, assim como as possibilidades de crescimento. O novo edifício acadêmico precisava ampliar a capacidade, melhorar as condições de permanência e favorecer uma maior autonomia dos estudantes.

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Projetar com, e não para: a prática participativa da CatalyticAction

A arquitetura costuma ser avaliada a partir de formas concluídas. No entanto, algumas práticas operam em outro registro — um em que o projeto se desenvolve por meio de relações, do tempo e do uso, e não a partir de um resultado único e definitivo. Para a CatalyticAction, a participação não é uma atividade social paralela, mas o próprio meio pelo qual os espaços são concebidos, construídos e sustentados ao longo do tempo.

Com atuação entre Beirute e Londres, o escritório desenvolveu projetos no Oriente Médio e na Europa, criando espaços públicos, escolas, playgrounds e infraestruturas urbanas cotidianas por meio de colaborações de longo prazo com comunidades locais. Fundamentada em pesquisa participativa e tomada de decisão coletiva, essa abordagem foi reconhecida pelo ArchDaily Next Practices Awards 2025, destacando um modo de atuação em que a arquitetura é entendida como um processo compartilhado e em constante transformação, e não como um objeto fixo. Nesse contexto, o valor arquitetônico é medido pela continuidade, pelo uso e pelo senso de pertencimento coletivo, mais do que pela forma em si.

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Carbono incorporado nos materiais de construção: O que é e como calcular

Qualquer atividade humana impacta de alguma forma o meio ambiente. Algumas menos, outras muito mais. Segundo o United Nations Environment Programme (Unep), o setor da construção é responsável por até 30% de todas as emissões de gases que contribuem ao efeito estufa. Atividades como mineração, processamento, transporte, operação de indústria e combinação de produtos químicos resultam na liberação de gases como o CO2, CH4, N2O, O3, halocarbonos e vapor d' água. Estes, quando lançados na atmosfera, absorvem uma parte dos raios do sol e os redistribuem em forma de radiação na atmosfera, aquecendo o planeta. Com uma quantidade desenfreada de gases sendo lançados cotidianamente, essa camada é engrossada, fazendo com que a radiação solar entre e não consiga sair do planeta, acarretando em impactos quase incalculáveis para a humanidade, como desertificação, derretimento das geladeiras, escassez de água, tempestades, furacões, inundações, alterações de ecossistemas, redução da biodiversidade.

Como arquitetos, uma das nossas maiores preocupações deveria ser de que forma é possível diminuir as emissões de carbono incorporados nas construções. Conseguir mensurar, quantificar e qualificar os impactos é um primeiro caminho.