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Ensaios De Arquitetura: O mais recente de arquitetura e notícia

“Arquitetura não exclusivamente para arquitetos”: Ole Bouman fala sobre senso de medida

O historiador, escritor e curador alemão-holandês, Ole Bouman, é hoje uma das figuras mais influentes do mundo da arquitetura. Apesar de nunca ter frequentado uma escola de arquitetura, o outsider e co-curador da 5ª Bi-City Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Shenzhen afirmou recentemente que “todos nós podemos fazer arquitetura”. Envolvido até o pescoço no discurso da prática da arquitetura contemporânea, Ole Bouman é diretor e fundador da Design Society de Shenzhen, e um dos responsáveis pela introdução de uma série de novos conceitos no discurso da arquitetura além de ter assumido importantes cargos institucionais relacionados aos profissionais da industria da construção civil ao longo de sua carreira.

Neste tempo, Ole Bouman já foi diretor do Instituto de Arquitetos da Holanda (NAi) e também diretor de criação da 5ª Bienal Bi-City de Arquitetura e Urbanismo de Shenzhen/Hong Kong. Buscando congregar em um só lugar todo o conhecimento adquirido ao longo de sua carreira como historiador, escritor, editor, fotógrafo, curador, conferencista e especialista em projeto de arquitetura, Ole Bouman acaba de lançar uma nova plataforma, um lugar onde “a vida se entrelaça com a história”. Para saber mais sobre o a vida e obra Bouman, e especialmente sobre seu artigo recentemente publicado, “Finding Measure”, acompanhe a seguir a entrevista exclusiva do historiador e curador para o ArchDaily, onde o diretor fundador da Design Society discute o presente e o futuro da arquitetura, abordando o papel do arquiteto e os principais desafios do mundo hoje, além da revolução digital e muitos outros tópicos interessantes.

Tecnologia, luta de classe e o mercado imobiliário em tempos de pandemia

Já faz mais de um ano que fomos todos pegos de surpresa com o então surto de coronavírus que, posteriormente, se transformaria em pandemia e nos mantém ainda hoje em completo estado de suspense. Entretanto, não demorou muito para toda esta situação passasse a ser encarada como um desafio a ser superado, inspirando arquitetos e arquitetas ao redor do mundo a desenvolver soluções e estratégias projetuais para combater a maior e mais longa crise sanitária da modernidade. Neste contexto, é importante mencionar o fato de que a grande maioria destas inovações foram comissionadas ou comercializadas pelo setor imobiliário e portanto, representam um benefício a apenas uma pequena parcela da população. Entretanto, à medida que estas empresas se esforçam para oferecer melhores alternativas aos clientes com melhores condições financeiras, a pandemia faz muito mais vítimas junto à classe trabalhadora, principalmente no que se refere às restrições que lhes são impostas e os poucos benefícios que lhes são oferecidos. Somado a isso, quando observamos as condições de moradia das classes mais baixas, especialmente em países mais pobres ou aqueles de economia emergente, a precarização dos espaços habitáveis é um agravante o qual, resulta diretamente da total liberdade e da falta de fiscalização que gozam os empreendedores do mercado imobiliário nestes países.

A religião da cidade: carros, transporte coletivo e Coronavírus

A religião é uma realidade exclusivamente humana. Assim como as cidades. À medida que emergimos de nosso isolamento, as cidades silenciosas e locais de adoração serão novamente humanizados, em comparação com a triste memória do que já foram.

Vamos nos recuperar dessa estranha realidade, a pandemia e, quando o fizermos, seremos forçados a responder a algumas questões. Antes deste século, o automóvel já foi visto como a forma como os americanos podiam criar uma nova realidade: uma enorme classe média que podia controlar sua vida usando a liberdade que os carros lhes davam para ir onde quisessem, quando quisessem e viver onde eles quisessem viver. Entretanto, antes do isolamento, essa visão do que os carros significavam para nossa cultura estava mudando - especialmente nas cidades.

O paradoxo do desenvolvimento “sustentável” sem fim

Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge

Em um recente artigo publicado no Common Edge, discuti brevemente um conceito que chamo de “mentira tripla”, que é a idéia de um sistema econômico “saudável” alimentado por um número crescente de pessoas, as quais consumirão cada vez mais—e que este sistema continuará funcionando perfeitamente ad infinitum. Ao longo de sua história, os Estados Unidos se apegaram à ideia de um crescimento econômico infinito, e muito disso se deve ao fato que esta ilusão opera como uma espécie de ópio para o povo, dissimulando o conflito de classe. No entanto, “a mentira tem pernas curtas” e como todos nós sabemos, estamos nos aproximando do limite finito do crescimento, tanto do ponto de vista dos recursos (estamos esgotando nossas matérias-primas) quanto do ponto de vista tecnológico (nossas invenções estão se tornando cada dia menos revolucionárias).

A obra de arquitetura na era de sua reprodutibilidade técnica

Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

Fiz pós-graduação em geografia em Tucson, Arizona, Estados Unidos, no final dos anos 1990. Tucson obtém fama por uma série de coisas, incluindo sua herança mexicano-americana, suas chimichangas, suas montanhas que formam as "ilhas do céu" e sua abundante população de cactos saguaro.

2020: O fim do século XX na arquitetura

Toda vez que nos aproximamos do final do ano ouvimos as pessoas dispararem aos quatro ventos: “o mundo já não é mais o mesmo”. Acontece que, no epílogo do ano de 2020, esta profecia parece enfim, soar como algo verdadeiro. Embora tenhamos visto centelhas de esperança ao longo dos últimos meses, a pandemia de coronavírus definitivamente está provocando uma mudança de paradigma na arquitetura.

Na minha opinião, 2020 representará o fim do século XX na arquitetura. Isso porque mudanças radicais na nossa disciplina nunca coincidem com datas exatas e números redondos. O modernismo, como exemplo máximo disso, nasceu em um momento onde as monarquias ocidentais estavam em queda e com a efervescência de um mundo imerso em plena revolução industrial. É importante lembrar que o modernismo na arquitetura é uma decorrência deste contexto e não a sua razão.

Turistas não há mais: chamada de ensaios sobre cidades turísticas no pós-pandemia

A Torre Eiffel, desenhada e erguida para a Exposição Universal de Paris em 1889 celebrava novos métodos e materiais industriais, e a inovação de se construir em altura. Apesar de ter apenas um patamar inaugurado a tempo para a exposição, a torre já possibilitava a seus visitantes uma visão aérea de sua cidade. Isso era particularmente interessante naquele momento, em que se celebravam as recentes Reformas de Paris (1853-1975), por Barão Haussmann, e seu racional, inovador e controverso plano urbano para a cidade.

Três banheiros, três danças: experimentações do corpo na arquitetura

Este artigo é um excerto originalmente publicado na Revista Cadernos de Pesquisa #7 da Associação Escola da Cidade. Trata-se de uma publicação proveniente do trabalho final de graduação “Três banheiros, três danças”, de autoria de Manuella Ferreira Leboreiro, realizado na Escola da Cidade em 2018, sob a orientação do professor Yuri Fomim Quevedo. Este ensiaio também integrou a seleção de trabalhos expostos no CCSP como parte da 12ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

São 12:11 do dia 7 de novembro (de 2018). Um "S" na porta indica a quem supostamente se destina esse banheiro. Estou em um banheiro localizado em um predinho que o Vilanova Artigas, arquiteto modernista brasileiro, projetou na década de 1950 no bairro de Santa Cecília. É a segunda vez que entro nele e para mim ainda é um espaço que vai se revelando. De primeira, o que chamou muito a atenção foi o azul quase roxo causado pela luz negra que faz com que todos os tons do banheiro tendam para essa cor. Traz um sentimento de muita serenidade durante o dia.

© Manuella Ferreira Leboreiro© Manuella Ferreira Leboreiro© Manuella Ferreira Leboreiro© Manuella Ferreira Leboreiro+ 10

O que um sachê de fermento biológico tem a dizer sobre o futuro das nossas cidades

Desde o início do surto de coronavírus no Chile, o consumo de pão no país alcançou níveis jamais registrados anteriormente. Isso que o Chile é o segundo maior consumidor de pão per capita do mundo. Como resposta às medidas de distanciamento social, os chilenos correram para os supermercados esgotando os estoques de fermento biológico na capital Santiago em poucos dias, levando-nos a acreditar que ao que parece, a maioria da população decidiu estocar ingredientes para a fabricação caseira de pães como uma medida para lidar com as incertezas trazidas pela pandemia. Todo mundo decidiu botar a mão na massa, e lá em casa não foi diferente.

Lições da arquitetura: leituras a partir de poéticas

O arquiteto Luciano Margotto, orientado pela Profa. Dra. Mônica Junqueira de Camargo, apresenta nessa tese de doutorado cinco lições da arquitetura: Austeridade, Generosidade, Liberdade, Público e Espacialidade. O autor investiga no trabalho as obras de arquitetos como Carlos Millan, Marcello Fragelli, Eduardo Souto de Moura, Oscar Niemeyer, Vilanova Artigas, Fábio Penteado, Lucio Costa, Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, Brasil Arquitetura, Gabriel Guarda, Martín Correa e Alvaro Siza. Veja abaixo o resumo da tese defendida na FAUUSP em 2016.

Pós-modernismo póstumo: porque devemos parar de usar o termo mais mal compreendido da arquitetura

© Giacomo Pala
© Giacomo Pala

Esperávamos que ele retornasse no começo dos anos 2000. Foi celebrado na exposição “Postmodernism: Style and Subversion, 1970 – 1990” no Victoria & Albert Museum em Londres no ano de 2011. Agora, mais do que nunca, depois de ouvirmos pela enésima vez sobre uma possível "retomada do pós-moderno", finalmente podemos afirmar: o termo "pós-modernismo" voltou para ficar. Embora a expressão esteja na moda no mundo da arquitetura, seu significado não é suficientemente claro para a maioria das pessoas. Na verdade, ela vem sendo utilizada para se referir aos mais variados significados: arquitetos tem usado o termo "pós-moderno" para definir projetos "na moda", alguns críticos a utilizam para descrever tudo o que é colorido demais, ao passo que alguns teóricos a têm usado para afirmar que, conceitualmente, a arquitetura foi subjugada à tecnologia ou ao seu puro formalismo, transformando-se em nada mais que uma caricatura de seus pressupostos valores morais.

Concordando com isso ou não, precisamos todos refletir sobre o que atualmente significa o "pós-modernismo" na arquitetura. Afinal, se voltamos a utilizar com frequência um dos termos mais mal interpretados e contraditórios já introduzidos em nosso campo, devemos ao menos ter consciência de seu real significado.

Chamada de Artigos e Ensaios para a Revista Cadernos de Pesquisa da Escola da Cidade

A Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, por meio do seu Conselho Científico abre chamada para submissão de artigos científicos e ensaios a serem publicados no quarto número da Revista Cadernos de Pesquisa da Escola da Cidade. De caráter acadêmico e científico, a revista configura-se como um espaço de discussão e reflexão dedicado às questões relacionadas à pesquisa de arquitetura e urbanismo – bem como áreas afins – em seus múltiplos aspectos. Voltados para a publicação de trabalhos de pesquisa desenvolvidos por estudantes de graduação, os Cadernos de Pesquisa buscam qualificar e fomentar as pesquisas desenvolvidas na Escola da Cidade, mas também chamar ao diálogo pesquisadores de outras instituições.

Arquitetos que projetam prisões são os mesmos que projetam escolas (ou como pensar a escola do século XXI)

Na Colômbia, o arquiteto estadunidense Frank Locker tem assessorado a Secretaria de Educação de Bogotá, guiando arquitetos e construtores sobre o modelo de uma nova infraestrutura escolar, capaz de enfrentar as constantes mudanças sociais e culturais da sociedade colombiana. Com vasta experiência em arquitetura educacional e ambientes para aprendizagem, Locker afirma que estamos nos limitando a replicar, literalmente, o modelo espacial das prisões, sem interesse algum em estimular uma formação integral, flexível e versátil.

Segundo o professor da Harvard GSD, continuamos repetindo a grande fórmula do século XX: professores transmitindo um conhecimento rígido e básico, de caráter unidirecional e massivo às novas gerações, ignorando o fato de que todos os estudantes possuem distintas motivações, interesses e habilidades. A comparação com a prisão não é exagero. "Com que espaço você relacionaria uma fila de salões de porta fechada com um corredor no qual não se pode estar sem permissão e um sinal sonoro que ordena entrar, sair, terminar ou começar as aulas?", questiona Locker.

"Marcha dos 100 mil guarda-chuvas", protesto no contexto das marchas estudantis de 2011 no Chile. Imagem ©  Rafael Edwards [Flickr CC]Escola Lucie Aubrac / Laurens&Loustau Architectes. Imagem © Stéphane ChalmeauEscola primaria Kirkmichael / Holmes Miller. Imagem © Andrew LeeEscola Saunalahti / VERSTAS Architects. Imagem © Tuomas Uusheimo+ 9

Isaac Asimov fala sobre a importância da criatividade

Inovação, rebelião ou "a próxima grande descoberta" - seja como for, parece que arquitetos e designers estão eternamente em busca da ideia que os colocará no mapa; a ideia original que é inteiramente e inegavelmente de sua autoria. Neste ensaio de Isaac Asimov, escrito em 1959 mas publicado apenas recentemente pela Technology Review, o cientista e escritor levanta a questão: como as pessoas têm novas ideias? Embora escrito originalmente para provocar cientistas e engenheiros que trabalham em sistemas de defesa, suas ideias e contribuições servem como lembrete sutil para todas as classes criativas do papel da colaboração, da diversão e do fracasso no processo de projeto.

Ensaio sobre a Arquitetura / Marc-Antoine Laugier

Existem vários tratados de arquitetura que desenvolvem com bastante exatidão as medidas e as proporções arquitetônicas, que entram nos detalhes das distintas ordens e que provêm de modelos para as distintas formas de construir. Porém não existe ainda nenhuma obra que estabeleça solidamente os princípios da arquitetura, que manifeste seu verdadeiro espírito e que proponha regras adequadas para dirigir o talento e definir o gosto. Entendo que nas artes que não são puramente mecânicas não basta saber trabalhar, é importante sobretudo aprender a pensar. Um artista tem que poder dar-se a si mesmo razão de tudo o que faz. Para isso, necessita de princípios fixos que determinem seu juízo e justifiquem sua eleição; de modo que possa dizer que uma coisa está bem ou mal não só por instinto, senão por meio da razão e como homem instruído nos caminhos do belo.

Geometria Habitada / Joaquim Guedes

"A physis é o logos."

Eupalinos ou O Arquiteto, de Paul Valéry, não é um li­vro de arquitetura. "Escritos de circunstância", de 1921, para um suntuoso volume –Architectures– com tiragem de ape­nas 500 exemplares, é, hoje, uma das mais importantes refle­xões sobre o processo de criação arquitetônica, desde a publi­cação do monumental De Re Aedificatoria., de Leon Battista Alberti, em 1453, em Bolonha. Poderia ser o Livro de Horas dos arquitetos. Porém, transcende ao seu incidental começo: investiga e revela o ambiente humano e as dramáticas vicis­situdes de sua invenção. É amplo, universal e clássico, cultuado pelos estudiosos das artes e da literatura.