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Arquitetura Humanitária: O mais recente de arquitetura e notícia

5 Organizações que usam a arquitetura como resposta a emergências

A arquitetura pode ser uma ferramenta de transformação social, e a crença nesta afirmação é o que motiva o trabalho de muitas ONGs dedicadas à construção de moradias em comunidades carentes, promovendo a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico além de proporcionar uma maior resiliência destas pessoas e comunidades. Essas organizações costumam operar em duas grandes fretes: assistência em situações emergenciais e estratégias de desenvolvimento sócio-econômico – sendo que muitas delas procuram atuar em ambas frentes. Neste artigo procuramos elencar algumas das principais fundações que têm se dedicado à arquitetura de emergência ao longo dos últimos anos, destacando seu papel em recentes crises humanitárias assim como de que maneira podemos colaborar para fortalecer estas rede de assistência humanitária em tempos de crise.

Quando arquitetos se mobilizam em tempos de crise

Nos últimos meses, a comunidade de arquitetura vem tentando trazer sua contribuição para a luta contra a pandemia. A disseminação global dessa crise pode ter desencadeado um esforço coordenado e, mais visível, mas não é a primeira vez que os profissionais se mobilizam em momentos de crise. Ao longo dos anos, desastres naturais e emergências fizeram com que vários arquitetos se envolvessem em iniciativas de auxílio a desastres, bem como em uma ampla gama de ações humanitárias. Neste artigo, analisaremos diferentes ocasiões em que arquitetos e iniciativas contribuíram de forma significativa, ajudando as comunidades afetadas a superar as dificuldades.

Parques infantis em assentamentos de refugiados. Imagem Cortesia de CatalyticActionCatedral de Papelão / Shigeru Ban. Imagem © Bridgit AndersonHabitações por Yasmeen Lari. Imagem Cortesia de Al JazeeraCentro de Mulheres / Yasmeen Lari. Imagem Cortesia de Al Jazeera+ 13

Os projetos humanitários de Shigeru Ban

Catedral Cardboard. Imagem © Stephen Goodenough
Catedral Cardboard. Imagem © Stephen Goodenough

Shigeru Ban, Premio Pritzker de 2014, é conhecido pelo seu uso inovador de materiais assim como pela sua abordagem compassiva em seus projetos. Por um pouco mais de três décadas, Ban, fundador da Voluntary Architects Network, também aplicou seu extenso conhecimento em materiais recicláveis, principalmente papel e papelão, para construções de alta qualidade, abrigos de baixo custo para vítimas de desastres em todo o mundo – Ruanda, Haiti, Turquia e Japão, são alguns dos países que receberam seus projetos.

Casas Paper Log no Índia. Imagem © Kartikeya ShodhanEscola Primária Temporária Hualin. Imagem © Li JunSala de Concertos de Papel. Imagem © Didier Boy de la TourCatedral Cardboard. Imagem © Stephen Goodenough+ 25

Seminário Latino-Americano "Risco, resiliência, arquitetura humanitária e incremental housing em favelas"

1º Seminário Científico Internacional em questões de Risco, Arquitetura Humanitária e Gênero Risco, resiliência, arquitetura humanitária e incremental housing em favelas: O papel das universidades, dos(as) profissionais de arquitetura, das áreas sociais e das Marias & Marielles
5 — 6 de Dezembro 2019, 8h — 17h
Pontifícia Universidade Católica
Rio de Janeiro, Brasil

Pesquisadores e professores de diversas instituições, entre as quais o CIAUD, da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, a PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), a Universidade Federal Fluminense, a Universidade Internacional de Catalunya (Master em Sustainable Emergency Architecture, Barcelona) e ainda a Universidade da Beira

Arquitetura pós-desastre: 10 exemplos inspiradores

Após um desastre natural ou um conflito, a arquitetura desempenha um papel fundamental não apenas na reconstrução da infraestrutura perdida, mas também na necessidade de conforto e segurança para os afetados. Uma arquitetura pós-desastre bem-sucedida deve atender tanto à necessidade de abrigo imediato a curto prazo quanto às necessidades de reconstrução e estabilidade a longo prazo. Oito anos após o terremoto de 2010 no Haiti, os desalojados continuam residindo em abrigos temporários sem acesso adequado a encanamentos e eletricidade, revelando a importância crítica de atender às necessidades de longo prazo após desastres e conflitos.

Abaixo, você verá 10 exemplos de arquiteturas pós-desastre, desde propostas de baixo custo em um curto prazo, até aquelas que reconstroem comunidades inteiras do zero:

Pop-Up Places of Worship. Imagem Cortesia de Lucas Boyd and Chad GreenleeVila Verde. Imagem © Suyin ChiaSoma City Home-For-All. Imagem © Koichi TorimuraCatedral Cardboard. Imagem © Bridgit Anderson+ 10

Shigeru Ban trabalha com voluntários para construir abrigos temporários para vítimas das inundações no Japão

O arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker, Shigeru Ban, conhecido por seus projetos humanitários ao redor do mundo, convocou a participação de arquitetos voluntários através de sua rede "Voluntary Architects’ Network" (VAN) para ajudar as vítimas das recentes inundações no sul do Japão. Até o momento, pelo menos 210 pessoas foram mortas por inundações e deslizamentos ocorridos na semana passada, e para piorar, uma forte onda de calor têm prejudicado ainda mais os esforços das equipes de resgate.

Shigeru Ban e os membros da VAN tem trabalhado em colaboração com estudantes voluntários para construir sistemas de divisórias com tubos de papelão nos centros de acolhida às vitimas das enchentes. Estas estruturas temporárias foram concebidas para oferecer maior privacidade para as famílias acolhidas, configurando unidades modulares de quatro metros quadrados.

Cortesia de Voluntary Architects' NetworkCortesia de Voluntary Architects' NetworkCortesia de Voluntary Architects' NetworkCortesia de Voluntary Architects' Network+ 7

Shigeru Ban lança campanha para construir abrigos emergenciais no Nepal

O escritório Shigeru Ban Architects, juntamente com a Voluntary Architects' Network (VAN), anunciou planos de enviar abrigos e equipamentos emergenciais para ajudar as vítimas do terremoto no Nepal que ocorreu dia 25 de abril. O plano é dividido em três etapas e prevê, primeiramente, o envio e montagem de tendas com repartições de plástico conseguidas através de doações para p,oferecer abrigo imediato às vítimas. Alguns meses depois, o escritório japonês, através de uma colaboração com arquitetos e estudantes locais, construirá habitações temporárias com materiais disponíveis na região.

Habitações permanentes fazem parte da terceira fase do plano, no entanto, poucos detalhes sobre isso foram divulgados até o momento. Para ajudar a iniciativa liderada por Ban, clique aqui.

Ban vs. Schumacher: Os arquitetos deveriam assumir responsabilidades sociais?

Recentemente, Patrik Schumacher, o braço direito de Zaha Hadid, tentou impor os limites da arquitetura em um post no Facebook digno de um Millenial. O tom era prescritivo e caracterizado por uma aplicação liberal do caps lock . Em um mundo ideal, poderia ter sido ignorado coletivamente, mas a discussão se estendeu por vários segmentos do Facebook e inspirou uma resposta da mídia. Aqui está um resumo: a contribuição da arquitetura para a sociedade é a forma, não o politicamente correto e não a arte, que não tem uma função para além de si. Com mais que apenas uma pitada de indignação, ele denuncia especificamente os vencedores da Bienal de Veneza 2012. Ele não estava na lista. Egos feridos à parte, o comentário abriu espaço para uma questão profunda e onipresente dentro da nossa disciplina: O que os arquitetos oferecem que ninguém mais pode oferecer?