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Projete como se você se importasse: O legado de Architecture for Humanity

  • 07:00 - 6 Fevereiro, 2015
  • por
  • Traduzido por Camilla Sbeghen
Projete como se você se importasse: O legado de Architecture for Humanity
Projete como se você se importasse: O legado de Architecture for Humanity, Collège Mixte Le Bon Berger. Imagem Cortesia de Architecture for Humanity
Collège Mixte Le Bon Berger. Imagem Cortesia de Architecture for Humanity

Na introdução do livro da Architecture for Humanity, Projete como se você se importasse (2006), Cameron Sinclair relata a história desde os primórdios da organização. Em tom meio irônico mas ao mesmo tempo sério, ele descreve o dia em que, trabalhando na Architecture for Humanity com apenas um telefone celular durante seu expediente na Gensler, foi contatado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, que lhe disse que a Architecture for Humanity estava em uma lista de organizações que podem ser capazes de ajudar uma potencial crise de refugiados no Afeganistão.

"Espero que seja uma longa lista", diz Sinclair. "Não", foi a resposta.

"Gostávamos de pensar que era porque já havíamos nos tornado uma voz para o projeto humanitário - um elemento inesperado no movimento da arquitetura socialmente consciente", escreve Sinclair sobre o incidente. "A triste verdade é que, até 1999, quando nossa organização incipiente começou junto com várias outras, não havia recurso de projeto facilmente identificável para abrigos temporários contra desastres."

Agora, após seu fim repentino e nada cerimonioso, a Architecture for Humanity tornou a arquitetura um mundo muito diferente daquele que entrou há quase 16 anos.

Escola Francisco Perez Anampa. Imagem Cortesia de Architecture for Humanity
Escola Francisco Perez Anampa. Imagem Cortesia de Architecture for Humanity

É importante notar, como muitos fizeram, que o encerramento de sua sede em San Francisco, não significa necessariamente um fim. Graças à conexão bastante livre entre a sede e as suas 59 ramificações em todo o mundo, grande parte do trabalho da organização poderá prosseguir, como explicou em uma declaração oficial da Diretoria da Architecture for Humanity que foi (finalmente) divulgada:

"Muitas das filiais internacionais da Architecture for Humanity, mesmo compartilhando um nome comum, são entidades jurídicas distintas e vão continuar o seu trabalho sem pausa. Além disso, aquelas com sede nos EUA são geridas por todos os diretores voluntários, e esses diretores se comprometeram a continuar o trabalho da organização, embora possam mudar de nome. Isso é uma prova do que a Architecture for Humanity significa para a profissão."

No entanto, como explica um informativo do FastCo Design, embora a maioria das filiais não estivesse intimamente ligada à sede, "a organização sem fins lucrativos foi essencialmente um lugar para guardar seu dinheiro", e agora que esta organização sem fins lucrativos entrou com pedido de falência, "ainda há confusão sobre se as filiais verão o dinheiro novamente."

Quando se trata do legado da Architecture for Humanity, é importante olhar para além das filiais que continuarão o nome ou os muitos projetos concluídos em todo o mundo.

Infographic: Architecture for Humanity

Antes que a Architecture for Humanity começasse, havia, claro, pessoas que já trabalham na área de projetos socialmente conscientes. Alguns exemplos internacionais se destacam, como Arquitetos Sem Fronteiras (Architects Without Borders), fundada em 1979, mas a maior parte deste trabalho estava sendo feito em escala local. No entanto, a tremenda resposta da Architecture for Humanity para o primeiro projeto - um concurso internacional para projetar moradias temporárias para o regresso de refugiados em Kosovo - demonstrou que havia entre os arquitetos o desejo de fazer mais. Como Sinclair escreve em Design Like You Give a Damn, "nós percebemos que eu não era o único "cadista" desiludido e que os arquitetos e designers realmente queriam fazer a diferença."

Ao longo dos anos seguintes, a Architecture for Humanity, inquestionavelmente, se tornou o "elemento inesperado no movimento para a arquitetura socialmente consciente". Depois de vencer o Prêmio TED em 2006, Architecture for Humanity desenvolveu o Open Architecture Network , que fornece serviços de arquitetura para comunidades carentes com soluções prontamente disponíveis para os problemas comuns. Pela primeira vez, a arquitetura humanitária tinha um sistema para promover o aprendizado coletivo, aumentando a eficiência de iniciativas ao redor do mundo.

E se a Architecture for Humanity fez progressos significativos até 2006, a crise financeira de 2007-08 colocou-os em hiperatividade. A redução da demanda de projetos de arquitetura "normais", combinada com a retórica gerada em torno do "um por cento", anunciou um aumento na conscientização em relação ao projeto humanitário. Como resultado, a receita anual da organização aumentou de US $2 milhões em 2009 para US $12 milhões quando Sinclair escreveu o seu plano estratégico para a Architecture for Humanity em 2013.

Através disso, o projeto humanitário passara de uma preocupação periférica da arquitetura à parte do mainstream, e esta tendência só se intensificou depois que Sinclair e a co-fundadora Kate Stohr renunciaram no final de 2013. Em 2014, o júri do Prêmio Pritzker que premiou Shigeru Ban, observou especificamente suas contribuições para o projeto humanitário. Este prêmio originou uma resposta crítica no Facebook a partir de Patrik Schumacher, que lamentou o aumento da atenção para o "politicamente correto" no discurso arquitetônico - o que, por sua vez, levou a uma série de respostas indignadas que argumentavam a favor da inclusão das causas humanitárias ao lado dos museus, casas particulares e arranha-céus que são tradicionalmente chamados de "alta" arquitetura.

Mas a questão permanece: se a Architecture for Humanity era uma importante figura no movimento crescente de projetos com consciência social, o que a levou a falência?

A resposta pode estar, paradoxalmente, neste sucesso. Em sua estratégia de 2013, Sinclair adverte que "a falta de foco pode diluir os recursos." No entanto, a FastCo Design menciona o fato de que alguns voluntários sentiram que o trabalho local não era considerado tão importante quanto os projetos que que apareciam na mídia, como aqueles feitos no Haiti ou em outro lugar, citando a diretora da Architecture for Humanity de Nova Iorque, Rachel Starobinsky: "o comentário foi sempre que a maior visibilidade era dada para projetos relacionados à desastres ... o trabalho das filiais não foram realmente destacados ou valorizados tanto quanto poderiam ter sido."

Legado da Copa do Mundo. Imagem Cortesia de Architecture for Humanity
Legado da Copa do Mundo. Imagem Cortesia de Architecture for Humanity

Esta estratégia de focar a atenção da mídia em projetos principais pode ter sido a chave para o sucesso da Architecture for Humanity, e, portanto, para o sucesso do movimento do projeto humanitário como um todo. No entanto, nos últimos anos, o aumento da popularidade desse tipo de projeto trouxe uma série de novos atores para a atenção da mídia internacional, em que, mais uma vez, a Architecture for Humanity foi a empresa escolhida pelos meios de comunicação interessados em arquitetura socialmente consciente, agora junto com outras organizações sem fins lucrativos como MASS Design Group e empresas como NLÉ Architects e Kéré Architecture, bem como toda uma série de outras pequenas entidades, que competem pelos holofotes - e, portanto, pelas doações.

Parece, então, que o que era melhor para o movimento da arquitetura humanitária não era necessariamente o melhor para Architecture for Humanity como uma organização. Em 2012, com seu texto Design Like You Give a Damn, Sinclair escreve que uma das coisas que aprendeu foi a "projetar-se para fora de um trabalho" - em outras palavras, ajudar a comunidade até que não seja mais necessário. Se ele sabia ou não, isso é exatamente o que a Architecture for Humanity vinha fazendo - apenas o "design" foi um modelo para a arquitetura socialmente consciente, e a "comunidade" que estavam servindo eram os arquitetos em todo o mundo que acreditavam que a arquitetura poderia ser algo mais do que edifícios para os ricos.

Apesar da falência ter sido totalmente inesperada, a Architecture for Humanity em última análise, sacrificou-se por um objetivo maior. Embora seu nome e seu trabalho irão viver nas filiais em todo o mundo, o verdadeiro legado da Architecture for Humanity será como eles ajudaram a mudar a paisagem da Cultura Arquitetônica. Embora seja fácil de sentir uma enorme sensação de perda, é bom lembrar as palavras de Sinclair em seu plano estratégico de 2013: "Através do treinamento, prática e um profundo sentimento de otimismo, os arquitetos vêem oportunidades onde outros só vêem um vazio. Este tem sido o princípio motor por trás da Architecture for Humanity desde a nossa fundação. "

Sobre este autor
Rory Stott
Autor
Cita: Stott, Rory. "Projete como se você se importasse: O legado de Architecture for Humanity" [Design Like You Give a Damn: The Legacy of Architecture for Humanity] 06 Fev 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/761472/projete-como-se-voce-nao-estivesse-se-importando-o-legado-da-arquitetura-para-a-humanidade> ISSN 0719-8906