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Arquitetura E Raça: O mais recente de arquitetura e notícia

Entrevista com Gabriela de Matos sobre seu projeto Espaço Agô: ancestralidade afro-brasileira na CasaCor 2021

© Paulo Pereira – Teia Documenta
© Paulo Pereira – Teia Documenta

Gabriela de Matos chama a atenção por seu pioneirismo. Única mulher negra em seu curso de graduação, criou o primeiro grupo de pesquisa sobre arquitetura afro-brasileira e gênero do país – o Arquitetas Negras – é a primeira mulher negra a ser eleita vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil departamento São Paulo, assim como a primeira a ganhar o prêmio de Arquiteta do Ano concedido pelo IAB Rio de Janeiro em 2020. Este ano torna-se novamente a primeira mulher negra a participar do CasaCor São Paulo. E a estreia não poderia ser melhor: ela assina o Espaço Agô, que acolhe e dá as boas vindas aos visitantes do evento que marca sua 34ª edição com o tema “a casa original”.

Performancidade: entrevista com Ricardo Aleixo

A arquitetura britânica se diz progressista, mas atua pela exclusão

Este artigo foi publicado originalmente em Common Edge como “Presenting Architecture as Progressive, but Practicing Through Exclusion.”

Para uma profissão que gosta de se vangloriar por suas boas intenções e que se acha super liberal, diversa, aberta e progressista, no contexto do Reino Unido e além, por outro lado, podermos dizer que a arquitetura é completamente o oposto disso tudo. A profissão da arquitetura foi, ao longo de toda sua história, e permanece sendo nos dias de hoje, um território dominado por uma pequena comunidade de origem abastada. Atualmente, ainda que o Reino Unido tenha sido responsável pela formação de uma horda de arquitetas brilhantes ao longo das últimas décadas, a indústria da arquitetura e da construção civil ainda não foi capaz de estabelecer um piso salarial congênere e independente de gênero. Como consequências disso, a profissão da arquitetura tem assistido historicamente uma imensa perda de arquitetas mulheres após os 30 anos de idade, principalmente por ser incapaz de consentir um equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar. Etnicamente falando, a arquitetura é uma profissão majoritariamente branca, isso considerando que estamos entrando no ano de 2021. Uma suposta luz no fim do túnel é a suposta aceitação da comunidade LGBTQ dentro de uma disciplina que se auto denomina inclusiva, mas assim como muitas arquitetas mulheres denunciam com frequência, minorias religiosas e étnicas bem como toda a comunidade não heteronormativa costumam conviver diariamente com comentários não profissionais e inadequados.

Leilão com trabalhos de David Adjaye e Daniel Libeskind levanta fundos para combater racismo na profissão

Recém lançada, a Architecture for Change (ARCH ) é uma iniciativa sem fins lucrativos dedicada a combater o racismo sistêmico na indústria da arquitetura e construção civil. Como parte de sua primeira série de ações, a ARCH realizou um leilão online com obras — esboços, maquetes, plantas, fotografias etc. — doadas por alguns dos mais importantes nomes da arquitetura contemporânea, incluindo Sir David Adjaye, Daniel Libeskind, Michel Rojkind, David Rockwell, Jennifer Bonner, Trey Trahan entre outros.

Reconstruindo repertório: trajetórias negras

O mês de novembro é marcado por diversas ações de sensibilização e conscientização acerca da luta do povo negro em uma sociedade tão racista, e principalmente um momento essencial para a branquitude se tornar cada vez mais protagonista nas práticas antirracistas.

Dia Mundial da Arquitetura: projetando para o futuro do habitat humano

O Dia Mundial da Arquitetura, comemorado na primeira segunda-feira de outubro, foi instituído pela Union International des Architects (UIA) em 2005 para “lembrar ao mundo de sua responsabilidade coletiva em relação ao futuro do habitat humano” e, não por acaso, coincide com Dia Mundial do Habitat da ONU.

"Cresci onde a arquitetura foi projetada para oprimir": Wandile Mthiyane sobre impacto social e educação na África do Sul

A justiça do projeto é baseada na experiência pessoal e construída por meio de ações cotidianas. Wandile Mthiyane é um arquiteto que personifica essa ideia, um ativista que cresceu em Durban, na África do Sul, durante o Apartheid. Desde jovem sentiu-se atraído pela construção e pelo design, um contexto diretamente ligado à sua infância. Com o tempo, percebeu que queria construir um futuro melhor trabalhando para desfazer os efeitos arquitetônicos da segregação racial institucionalizada. Hoje, Wandile é reconhecido por estratégias que geram impacto social, incluindo seu trabalho para transformar sua cidade natal, Durban.

© Troy Homenchuk, Andrew Von Maur, Andrews University School of Architecture & Interior DesignConferência de jovens arquitetos Keynote. Imagem © Timothy NiouCortesia de Wandile Mthiyane© Johnny Miller+ 15

Um novo modelo urbano para outro projeto de sociedade: uma entrevista com Tainá de Paula

Tainá de Paula. Imagem: Divulgação
Tainá de Paula. Imagem: Divulgação

Abordar o contexto de ampliação das diferenças políticas e crescentes desigualdades econômicas. Um novo contrato espacial. Apreender como viveremos juntos. As indagações trazidas por Hashim Sarkis, curador da próxima Bienal de Veneza, podem levantar importantes questões sobre como a arquitetura atravessa e concretiza os conflitos sociopolíticos. Para compreender um ponto de vista descentralizado e que aponta para outras possibilidades além das impostas por um pensamento normativo, entrevistamos Tainá de Paula, arquiteta e mobilizadora comunitária em áreas periféricas.

Espaço público: lugar democrático ou de privilégios?

Quando falamos de espaço público, muitas vezes imaginamos um parque com pessoas felizes e relaxadas em um dia ensolarado. Na verdade, esta é uma abordagem muito restrita. Uma jovem não atravessa uma rua deserta de madrugada da mesma forma que um homem branco de terno ou um imigrante de diferentes trajes. Você já se sentiu discriminado ao visitar um espaço público?

Nesta edição da conversa entre editores do ArchDaily, editores de Los Angeles, São Paulo, Argentina e Uruguai compartilham seus pontos de vista sobre a definição de espaços públicos para todos

4 Projetos que buscam aprofundar a discussão de raça na arquitetura

Longe de se esgotarem, as discussões de raça e gênero na arquitetura estão apenas começando a tomar fôlego, e uma de suas repercussões são os projetos e iniciativas que buscam mapear e identificar arquitetas e arquitetos negros que, embora numerosos e em prolífica atividade, são pouco citados - e publicados.

Ainda raras e absolutamente necessárias, essas iniciativas são um importante passo em direção a um reconhecimento mais justo e igualitário no campo da arquitetura. A seguir, apresentamos quatro projetos investigativos que pretendem dar nome e lançar luz sobre estes profissionais e seus trabalhos. 

A Arquitetura precisa reconhecer, além do papel social, os debates sobre Raça e Gênero / Stephanie Ribeiro

Resolvi fazer arquitetura de forma bem inocente depois de ter feito vários testes vocacionais que encontrei no Google. Quando descobri ser um dos cursos mais concorridos nas universidades públicas brasileiras, pensei em desistir. Mas já estava fisgada pela história da arquitetura e seu papel social.

Entretanto, nada é perfeito. Arquitetura e Urbanismo é um dos cursos mais elitizados nas mais renomadas universidades brasileiras e isso reflete também para fora das salas de aula. O arquiteto passou a servir aos mais ricos, deixando de lado as necessidades urbanas e os mais pobres.