Vladimir Belogolovsky

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

Steven Holl: “Estou interessado na arquitetura que fala com a alma"

A cidade de Nova Iorque tem agora três edifícios de Steven Holl: o Higgins Hall Insertion no Pratt Institute no Brooklyn (2005), o Campbell Sports Center da Columbia University em Upper Manhattan (2013) e a Hunters Point Community Library em Long Island City, Queens, inaugurado em setembro do ano passado. O evento coincidiu com a publicação do novo livro de Holl, Compression, que leva uma imagem abstrata da Biblioteca em sua capa. Este é o quinto volume da produção teórica do arquiteto, um trabalho há 30 anos em andamento, publicado pela Princeton Architectural Press. O novo edifício, do tamanho do letreiro vermelho de néon da Pepsi instalado nas proximidades, é um robusto paralelogramo de concreto, marcado por aberturas de vidro que percorrem a fachada cortando vários pavimentos. Construído em frente a um passeio público a poucos metros do East River, de frente para o complexo das Nações Unidas, o edifício se encontra em um privilegiado lugar de destaque. O novo prédio é um ponto de referência, visível da orla leste de Manhattan e das balsas e, embora tenha levado nove anos para ser concluído, sua simples existência é um sinal positivo do compromisso de Nova Iorque com projetos públicos.

Vanke Center © Steven Holl ArchitectsCampbell Sports Center © Iwan Baan. ImageCampbell Sports CenterCampbell Sports Center © Iwan BaanLinked Hybrid © Shu He+ 14

“Arquitetura é a arte de colocar as coisas no seu devido lugar”: uma conversa com Alberto Campo Baeza

Alberto Campo Baeza nasceu em 1946 na cidade de Valladolid, no centro norte da Espanha mas passou boa parte de sua infância e juventude na extremidade oposta do país, na cidade portuária de Cádiz, no sul da Andaluzia. Graduado arquiteto pela Universidade Politécnica de Madri em 1971, Campo Baeza obteve seu título de doutor em arquitetura pela mesma instituição pouco mais de dez anos depois. Desde então, assumiu o papel de professor catedrático na Escola Superior de Arquitetura de Madri (ETSAM), onde leciona há mais de 40 anos. Ele encara a arquitetura como uma ferramenta para a concretização de idéias e conceitos abstratos. A transfiguração da subjetividade do mundo em estruturas corpóreas simples e cristalinas, apoiando-se em elementos arquitetônicos singelos como volumes retangulares estoicamente enraizados em seus contextos específicos, paredes sólidas e profundas e estruturas honestas. Na arquitetura de Campo Baeza não há lugar para formas complexas ou quaisquer exageros. Formas autênticas e despretensiosas acentuam as relações primárias entre a volumetria pura de seus edifícios e a exuberância da paisagem que os cerca. A arquitetura de Campo Baeza fala sobre transparência e precisão, planos, linhas e ângulos. Embora sua obra construída seja bastante concisa – em sua maioria projetos em pequena escala –, ela representa um dos legados mais completos, consistentes e inspiradores que a arquitetura contemporânea já produziu.

© Javier Callejas. MA© Hisao Suzuki. Casa Gaspar© Hisao Suzuki. Caja Granada© Hisao Suzuki. Caja Granada+ 42

Ricardo Bofill: “Por que as cidades históricas são mais bonitas que as modernas?"

Para os não iniciados, Ricardo Bofill pode parecer algo como um camaleão. Comparando o pós-modernismo de seus projetos em Paris dos anos 80, suas recentes torres de aço e vidro e o estoicismo estéril de sua própria casa e estúdio, que ele reformou na década de 1980, seria perdoado pensar que não há consistência presente em todo o seu trabalho. No entanto, como Bofill revela nesta entrevista de Vladimir Belogolovsky, da série "City of Ideas" (2016), seus projetos são realmente enraizados em conceitos de regionalismo e processo que, embora recentemente sejam populares na comunidade arquitetônica em geral, têm apoiado sua mente arquitetônica desde os seus vinte anos.

La Fabrica, Sant Just Desvern, Barcelona, 1975. Cortesia de Ricardo BofillWalden-7, Sant Just Desvern, Barcelona, 1975. Cortesia de Ricardo BofillThe Pyramid, Fronteira Espanha-França, 1976. Cortesia de Ricardo BofillLes Espaces D´Abraxas, Le Palacio, Le Théâtre, L´Arc New Town Of Marne La Vallée Region Of Paris, França, 1982. Cortesia de Ricardo Bofill+ 80

"É preciso muito mais que apenas imaginação para se fazer arquitetura": entrevista com Junya Ishigami

Em minha recente visita ao Japão tive a oportunidade de encontrar-me com uma das principais figuras do momento no cenário arquitetônico japonês. Junya Ishigami recebeu-me em seu estúdio pra lá de experimental (além de muito internacional) em Tóquio, uma das experiências mais memoráveis ​​pelas quais passei ao longo dos últimos anos. Seu entusiasmo incontido é arrebatador, principalmente quando ele fala à respeito de sua própria arquitetura ou aquilo que pensa em relação à nossa querida profissão. Junya acredita que a arquitetura contemporânea “ainda não é suficientemente livre”. E é exatamente aí que ele começa a se posicionar. Junya tem buscado libertá-la, desvencilhar-se desta inércia determinante que define e limita a arquitetura nos dias de hoje. Ele procura desenvolver uma arquitetura que seja leve e liberta, projetos inspirados em metáforas improváveis ​​como as nuvens ou a tranqüilidade da superfície da água. “Precisamos introduzir mais diversidade na arquitetura contemporânea, é preciso dar novas respostas aos sonhos das pessoas ... Eu quero levar a arquitetura para o futuro, criar novas condições que nunca foram pensadas antes”, diz Ishigami. O arquiteto japonês inaugurou recentemente duas exposições em forma de manifesto na cidade de Paris, questionando a natureza e o propósito da arquitetura nos dias de hoje. Junya é um visionário que parece um pouco fora de moda naquela que talvez seja a mais incerta das profissões.

Cartier Foundation Exhibition / Junya Ishigami. Image © junya.ishigami+associatesCartier Foundation Exhibition / Junya Ishigami. Image © junya.ishigami+associatesJunya Ishigami's works at the 2008 Venice Biennale. Image © junya.ishigami+associatesKanagawa Institute of Technology (KAIT) / Junya Ishigami. Image © Giovanni Emilio Galanello+ 33

Sergei Tchoban: "Não podemos evitar olhar para a arquitetura. Arquitetura deve ser bela"

Após ser educado no Instituto Repin de Pintura, Escultura e Arquitetura em São Petersburgo, Sergei Tchoban se mudou para a Alemanha aos 30 anos de idade. Ele agora executa práticas paralelas em Berlim e Moscou, após tornar-se sócio-gerente da NPS Tchoban em 2003 e co-fundador da SPEECH com Sergey Kuznetsov em 2006. Em 2009, a Fundação Tchoban foi formada em Berlim para celebrar a arte perdida de desenhar através de exposições e publicações. O Museu de Desenho Arquitetônico da Fundação foi construído em Berlim em 2013 para o projeto da Tchoban. Nesta última entrevista para sua série “Cidade das Ideias”, Vladimir Belogolovsky conversou com Tchoban durante seu recente encontro em Paris sobre identidades arquitetônicas, inspirações, a paixão fanática do arquiteto pelo desenho e intangíveis como a beleza.

Villa in Wasiljewo, 2009, near Saint Petersburg. Image © Aleksey NaroditskyMuseum for Architectural Drawing, 2013, Berlin. Image © Roland HalbeActor Galaxy, 2015, Sotchi. Image © Aleksey NaroditskyExpo Pavilion Milan, 2015, Milan. Image © Aleksey Naroditsky+ 45

“A arquitetura acontece porque acreditamos em um futuro melhor”: uma conversa com Jürgen Mayer H

Museum Garage Miami / Jürgen Mayer. Image © Miguel Guzman
Museum Garage Miami / Jürgen Mayer. Image © Miguel Guzman

O arquiteto Jürgen Mayer H. fundou sua empresa J.MAYER.H em Berlim em 1996. Estudou na Alemanha (Universidade de Stuttgart) e nos EUA (Cooper Union e Princeton). Em 2010, Mayer H. disse que, embora sua sólida formação profissional na Alemanha o tenha equipado com o know-how sobre os aspectos técnicos e práticos da arquitetura, ele ainda não tinha uma visão clara sobre como desenvolver seu próprio pensamento e uma linguagem arquitetônica.

Anos de questionamento e experimentação acabaram levando ao desenvolvimento de sua própria voz peculiar. Os edifícios de Mayer H. trouxeram identidades únicas para muitos lugares ao redor do mundo, particularmente através do uso de padrões de proteção de dados que provocaram a criação de uma arquitetura diferente de tudo visto anteriormente. Em minha recente visita ao seu estúdio na Berlim Ocidental, discutimos a identidade do arquiteto. Quando confrontei Mayer H. sobre o que ele pensa sobre seu estilo de assinatura nos momentos em que não é mais celebrado pela mídia, ele disse: “Isso começou como minha voz e agora é a contribuição de uma equipe inteira. Não há intenção ou estratégia, apenas nossa própria capacidade de trabalhar com o meio da arquitetura”.

Court of Justice / Jürgen Mayer. Image © Filip DujardinMetropol Parasol / Jürgen Mayer. Image © Nikkol Rot for HolcimRest Stops Gori / Jürgen Mayer . Image © Jesko Malkolm Johnsson-ZahnSarpi Border Checkpoint / Jürgen Mayer. Image © Jesko Malkolm Johnsson-Zahn+ 38

"Criar problemas é muito mais divertido que resolvê-los": entrevista com Liz Diller e Ricardo Scofidio

É tão revigorante ouvir algo como o que eu acabei de ouvir: “Procuramos fazer tudo de maneira diferente. Pensamos diferentemente. Podemos dizer que não fazemos parte de nenhum estilo ou grupo.” A seguir, apresentarei um resumo da minha recente conversa com Liz Diller e Ric Scofidio em seu movimentado escritório de Nova Iorque. Falamos sobre como a maioria dos arquitetos segue trabalhando segundo sistemas bastante convencionais, o que fazer para evitá-los e como reinventar-se a cada novo projeto. Na cidade de Nova Iorque encontram-se alguns dos projetos mais representativos desenvolvidos pela Scofidio + Renfro, como o popular High Line Park, a remodelação do Lincoln Center, o Columbia University Medical Center e o fantástico "The Shed", um museu totalmente dinâmico e aberto que está sendo construído no Hudson Yards para atender às crescentes demandas dos artistas contemporâneos, porque ninguém sabe (nem pretende definir) como será a arte no futuro.

Institute of Contemporary Art / Diller Scofidio + Renfro. Image © Iwan BaanRoy and Diana Vagelos Education Center / Diller Scofidio + Renfro. Image © Iwan BaanZaryadye Park / Diller Scofidio + Renfro. Image © Maria GonzalezThe Broad Museum / Diller Scofidio + Renfro. Image © Iwan Baan+ 39

Entrevista com Álvaro Siza: "A beleza é o auge da funcionalidade!"

Ao longo dos 60 anos de carreira, o trabalho de Álvaro Siza tem desafiado continuamente a categorização - sendo várias vezes descrito como "regionalismo crítico" e "modernismo poético", sem captar a verdadeira essência da arquitetura intuitiva de Siza. Nesta entrevista, a mais recente da série "City of Ideas" de Vladimir Belogolovsky, Siza discute essas tentativas de categorizar seu trabalho, sua abordagem de projeto e o papel da beleza em suas obras.

Vladimir Belogolovsky: Seu aluno, Eduardo Souto de Moura, disse: "As casas de Siza são como gatos dormindo ao sol".

Álvaro Siza: [Risos.] Sim, ele queria dizer que meus edifícios assumem as posturas mais naturais do local. Há também uma referência ao corpo humano.

Auditorium Theatre of Llinars del Valles . Image Estação de Bombeiros em Santo Tirso. Imagem © Joao Morgado - Architecture PhotographyThe Building on the Water / Álvaro Siza + Carlos Castanheira. Image Casa de Chá Boa Nova. Imagem © Samuel Ludwig+ 33

Paulo Mendes da Rocha: “Arquitetura não quer ser funcional; quer ser oportuna”

Paulo Mendes da Rocha é um dos arquitetos mais cultuados do Brasil. E apesar do fato de pouco de seu trabalho ser encontrado fora de São Paulo, seu estilo é reverenciado mundo afora, o que lhe rendeu o Prêmio Pritzker em 2006 e recentemente, a Medalha de Ouro do Royal Institute of British Architects. À luz desta nova premiação e como parte de sua coluna City of Ideas (Cidade de Ideias, em tradução livre), Vladimir Belogolovsky compartilha conosco uma entrevista realizada com Paulo Mendes da Rocha em 2014. Tal entrevista aconteceu em seu escritório em São Paulo e contou com a colaboração do arquiteto Wilson Barbosa Neto como tradutor, e foi originalmente publicada no livro de Belogolovsky intitulado “Conversations with Architects in the Age of Celebrity,” até então sem tradução para o português.

Ginásio do Clube Atético Paulistano, 1957. Imagem Cortesia de Paulo Mendes da RochaGinásio do Clube Atético Paulistano, 1957. Imagem Cortesia de Paulo Mendes da RochaCapela de São Pedro, 1999. Imagem © Cristiano MascaroPinacoteca do Estado de São Paulo, 1998. Imagem © Nelson Kon+ 27