À medida que as cidades crescem em dimensão e número de habitantes, chegando a abrigar 60% da população mundial, as Nações Unidas criaram o “Dia Mundial das Cidades”, celebrado em 31 de outubro, como uma oportunidade para debater a urbanização global, seus desafios, oportunidades e soluções. Este ano, o mote foi “Adaptando as Cidades para a Resiliência Climática” – uma iniciativa para discutir a crise climática e suas repercussões no ambiente construído.
Compreendendo a importância de pensar a cidade, reunimos aqui artigos publicados pelos editores do ArchDaily que oferecem ferramentas e diretrizes de planejamento, abordam os diferentes componentes do espaço urbano e destacam questões e respostas contextuais em todo o mundo.
A casa original é para onde retornamos em tempos de crise. Ela é uma ficção móvel, quase como uma utopia invertida. O espelho perfeito do futuro inalcançável, não porque é passado, mas porque é um ponto de partida criado para dar sentido a esse mesmo futuro utópico. A casa original pode ser muitas coisas. O útero, a caverna, a cabana, a roupa, a tenda, a terra. Mas ela é antes de tudo a história que contamos sobre nós mesmos para nos sentirmos menos perdidos no processo de expulsão desse primeiro local de identidade. Lançados no mundo, ficamos numa constante busca de um lugar que faça sentido, um lar.
Os modos de abordar o tema infantil ao redor da arquitetura são infinitos: desde projetar em outra escala que não a padrão pensada para adultos até campos mais lúdicos como o projeto de brinquedos e artefatos. O olhar arquitetônico para a infância aposta na construção de uma qualidade espacial que, além de representar espaços mais seguros no ponto de vista urbano, também são um investimento para um melhor futuro da sociedade, visto que a arquitetura pode desempenhar papel fundamental no desenvolvimento infantil.
https://www.archdaily.com.br/br/970091/arquitetura-para-criancas-como-conceber-espacos-que-estimulam-e-protegemEquipe ArchDaily Brasil
Casas coloridas contornam um vasto pátio que se estende à frente da igreja de fachada franciscana: o visitante que chega a Marechal Deodoro (AL) é logo cativado por essa paisagem singular. Trata-se da Igreja Nosso Senhor do Bonfim, situada no Largo de Taperaguá, que está sendo restaurada com investimentos de R$ 1,3 milhão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O interior da edificação também guarda atrativos, como a recém-descoberta pintura do forro.
Jacob K. Javits Convention Center em New York City, Abril, 2020. New York National Guard. (U.S. Air National Guard foto por Major Patrick Cordova)
A cidade sempre foi um palco de transformações. Mudam-se os direcionamentos, os fluxos, as formas como as pessoas se apropriam dos espaços, alteram-se os desejos, surgem novas demandas, novos lugares. Tal abundância, ao mesmo tempo em que permite um caráter inovador e mutável à cidade, tende também a exigir da arquitetura uma flexibilidade programática e estrutural. No último ano, especialmente, pudemos acompanhar – em vertiginosa velocidade – grandes mudanças nas cidades e nos seus espaços. A pandemia trouxe consigo novos paradigmas, desestruturando repentinamente ordens há muito estabelecidas. As casas viraram escritórios, os escritórios viraram desertos, hotéis deram lugares a leitos médicos e estádios se transformaram em hospitais. A arquitetura, em meio a tudo isso, teve de mostrar sua flexibilidade abrigando usos que antes eram inimagináveis. Uma adaptabilidade que parece ser cada vez mais a chave para a criação de espaços coerentes com o modo (e a velocidade) como vivemos.
Por necessidade, edifícios mudam de uso ao longo do tempo. Igrejas passam a ser bibliotecas, armazéns abandonados são transformados em centros culturais. Embora muito tenha sido escrito sobre o assunto, desde o conceito de open building de N. John Habraken nos anos 70, há, hoje, um interessante debate global sobre isso em curso. É necessário ter tantos metros quadrados dedicados a escritórios quando, com a pandemia, percebemos que muito do trabalho pode ser feito remotamente?
O relatório de 2021 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deixou muitos de nós questionando se o mundo pode de fato manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, o limite que os cientistas consideram seguro para evitar os impactos mais perigosos das mudanças climáticas. Uma nova pesquisa do WRI e da Climate Analytics mostra que os países do G20, que respondem por cerca de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa, podem conduzir o mundo em direção a essa meta – se aumentarem consideravelmente sua ambição.
https://www.archdaily.com.br/br/969689/acao-climatica-ambiciosa-dos-paises-do-g20-pode-limitar-o-aquecimento-global-a-17-degrees-cJamal Srouji, Taryn Fransen e David Waskow
Um dos teóricos mais importantes do século XX, o educador brasileiro Paulo Freire faria 100 anos em 19 de setembro de 2021, não fosse seu falecimento em 1997. Um mês depois, o Brasil comemora o Dia dos Professores no dia 15 de outubro, ao mesmo tempo em que a educação pública enfrenta cortes massivos no orçamento federal, dando continuidade a um antigo processo de sucateamento do ensino brasileiro. Dentro desse contexto, Freire se tornou um dos teóricos mais lidos e citados no mundo na área das humanas. Apesar do reconhecimento mundial, sua teoria ainda não foi totalmente incorporada à bibliografia da arquitetura e urbanismo. Propomos aqui uma breve reflexão sobre como as práticas da arquitetura podem visitar a teoria de Paulo Freire.
O planejamento urbano e a maneira como o espaço construído afeta a vida cotidiana de seus habitantes são dois elementos que não podem ser considerados separadamente ao analisar a qualidade de vida em uma determinada cidade. Estratégias de planejamento urbano incluem a construção de moradias acessíveis, instalações e serviços públicos, sistemas de mobilidade, áreas verdes etc. Ainda assim, gerir uma cidade não é tarefa fácil, e muitos dos motivos pelos quais as cidades de hoje estão se tornando cada vez mais caras, densas e desiguais, têm a ver com regras de zoneamento desatualizadas e pouco flexíveis, as quais, consequentemente, não facilitam em nada o acesso à moradia digna e o direito à cidade de forma equitativa a todos os seus habitantes.
A responsabilidade perante o uso e consumo de recursos naturais e os impactos da construção civil tem sido uma pauta constante nas discussões do campo da arquitetura e do urbanismo. Se no passado as ideias de “tábulas rasas”, demolições em massa e novas construções eram aceitas e incentivadas, hoje em dia parece haver uma transformação no cenário, no qual se faz necessária a discussão sobre reutilização, reuso adaptativo e reformas, partindo e utilizando daquilo que é existente. Neste texto propomos um olhar atento à como grandes arquitetos interagem com construções pré-existentes em seus projetos, a partir da análise de alguns casos.
Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo buscava um recomeço e a população dos Estados Unidos, o lugar certo para viver o sonho americano. Passando por um amplo processo de desenvolvimento e crescimento populacional, porém com um estoque habitacional insuficiente, soluções rápidas e eficientes tiveram que ser inventadas da noite para o dia para poder suprir a paulatina demanda por moradia. Neste sentido, o surgimento de novas técnicas de construção e a popularização de materiais de construção industriais e pré-fabricados pareciam abrir caminho para um novo futuro mais digno e equitativo para todos.
https://www.archdaily.com.br/br/969639/a-evolucao-da-planta-residencial-nos-eua-o-periodo-pos-guerraAgustina Coulleri, Hana Abdel & Clara Ott
Com objetivo de conhecer os arquitetos, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa de referência, Sara Nunes, da produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, lançou o podcastNo País dos Arquitectos, em que conversa com importantes nomes da arquitetura portuguesa contemporânea.
No episódio desta semana, Sara conversa com o arquiteto Guilherme Machado Vaz, sobre o impacto que a Casa da Arquitectura e a antiga Real Companhia Vinícola assumem na cidade de Matosinhos, norte de Portugal. Reveja as outras entrevistas realizadas pelo podcast No Pais dos Arquitectos e leia a transcrição da entrevista com Vaz, a seguir:
Concurso como Prática: A Presença da Arquitetura Paranaense é o título do documentário que integra uma exposição homônima em cartaz no Museu Oscar Niemeyer (MON) até o dia 12 de dezembro. Disponível no YouTube, o longa metragem produzido e dirigido pelos arquitetos Isabela Maria Fiori e Luiz Gustavo Singeski, em coautoria com Felipe Santos Gomes, expõe um amplo panorama da participação e premiações de equipes do Paraná em concursos de arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/br/970387/documentario-resgata-a-historia-dos-concursos-de-arquitetura-no-paranaEquipe ArchDaily Brasil
Na Semana Holandesa de Design 2021, uma casa construída inteiramente com materiais de origem orgânica e biológica procura ilustrar que a economia circular na arquitetura não é apenas viável, mas também um método de construção que no futuro pode vir ser replicado em grande escala. Apresentando um catálogo de 100 diferentes materiais naturais e sustentáveis, The Exploded View Beyond Building é uma mostra de que estamos muito próximos de um grande salto na industria da construção civil, revelando que já existem atualmente no mercado uma ampla gama de materiais sustentáveis e modulares que podem ser também reutilizados, reciclados e reaproveitados.
Hoje, a arquitetura se tornou — ou está se tornando — mais flexível e individualista, para acomodar os diversos estilos de vida, e necessidades espaciais das pessoas. Com esta adaptação, a tipologia residencial mudou, e as salas de estar correm perigo. Muitos insistem na necessidade de ter um espaço dedicado ao relaxamento e ao lazer, enquanto outros afirmam ser simplesmente um desperdício de espaço e dinheiro. Este debate levantou uma questão importante: ainda precisamos de salas de estar? Neste enfoque, veremos como as salas de estar evoluíram ao longo dos anos, e como os arquitetos readaptaram e integraram o conceito de "espaço de encontro" na arquitetura residencial contemporânea.
Neste episódio da série Perfil do Arquicast, que faz um balanço da vida e obra de nomes consagrados da arquitetura e urbanismo, a equipe conversa sobre uma arquiteta brasileira que, tomando emprestado suas próprias palavras, "inventou uma profissão", da qual se tornou uma referência mundial. Com sua postura corajosa e engajada, extrapolou suas obrigações profissionais para dar uma contribuição inestimável à valorização de toda uma classe de arquitetas e arquitetos dedicados ao estudo e atuação sobre a paisagem brasileira. Estamos falando da dama do paisagismo brasileiro, a arquiteta e paisagista Rosa Grena Kliass.
A construção do edifício Masaryčka de Zaha Hadid Architects em Praga atingiu o terceiro pavimento com trabalhos concluídos nos espaços comerciais do térreo e primeiro andar, e trabalhos em andamento nos andares superiores que incluem escritórios nas extremidades em balanço e jardins no terraço. O projeto de 28.000 m2, que substituirá um estacionamento existente, está previsto para ser inaugurado em 2023 com uma estrutura de sete pavimentos na parte leste e nove na extremidade oeste.
Dona Dalva, com sua casa na Vila Matilde, definitivamente ajudou a colocar o quarteto formado pelos arquitetos Danilo Terra, Pedro Tuma, Fernanda Sakano e Juliana Terra, no roteiro arquitetônico nacional e internacional. Com soluções simples e inteligentes, o projeto em questão acumulou seis prêmios, entre nacionais e internacionais, fazendo com que os paulistas do Terra e Tuma conquistassem espaço nas mídias apresentando um modelo de boa arquitetura acessível para classes sociais menos favorecidas. Entretanto, apesar da grande repercussão, os trabalhos do escritório nunca se restringiram a apenas um tipo de cliente e de solução, o que pode ser visto no vasto portfólio construído ao longo dos seus quase 15 anos de jornada.