Luz e cor: enriquecendo a arquitetura com vitrais

Predominantemente associado a locais de culto, o vitral tem sido usado por artesãos em todo o mundo há milhares de anos em uma série de empreendimentos e instalações artísticas. Intensificando a arquitetura com cores vivas, o processo do vitral remete a uma ação particular em que o vidro é colorido através de óxidos metálicos durante sua fabricação, usando diferentes aditivos para criar uma gama de matizes e tons.

No quesito de aprimoramento arquitetônico, os vitrais são frequentemente reunidos para produzir representações de arte decorativa, permitindo que a luz filtre e penetre em uma estrutura ou edifício específico. Como componente, é ao mesmo tempo, decorativo e funcional, uma vez que permite a entrada de uma quantidade substancial de luz em um espaço, para efeito atmosférico e benéfico. 

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Catedral de Sens (século XIII). Imagem Cortesia de Pmr Maeyaert / WikiCommons CC BY-SA 4.0

As origens da aplicação de vitrais na arquitetura remontam ao século VII, quando começou a ser aplicado em edifícios religiosos incluindo igrejas, abadias e conventos, sendo o Mosteiro de São Paulo em Jarrow um dos mais antigos exemplares conhecidos de acordo com escavações. No século VIII, o uso de vitrais foi empregado para adornar elementos da arquitetura islâmica, incluindo mesquitas e palácios, vindo de prósperas indústrias de vidro em toda a Síria, Egito, Irã e Iraque.

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Mesquita Nasir Old Molk, Irã. Imagem cortesia de Ayyoubsabawiki / WikiCommons CC BY-SA 4.0

Na Idade Média, os vitrais podiam ser encontrados em inúmeras igrejas por toda a Europa, de forma simples até por volta do século XII. Durante o período gótico os vitrais se tornaram muito mais esplendorosos, à medida que a arquitetura se tornava mais atenta à altura e à luz. De escala monumental, as janelas góticas, incluindo rosas e lancetas arqueadas, eram mais decorativas por natureza, capazes de suportar peças de vidro mais intrincado e deixar entrar muito mais luz.

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York Minster (século XIV). Imagem cortesia de Peter K Burian / WikiCommons CC BY-SA 4.0

Caracterizada por sua natureza sólida, pela presença de colunas e sua aparência dominante, a arquitetura românica utilizava frequentemente vitrais para representar indivíduos em ação, com uma série de eventos associados à Bíblia encerrados em medalhões. Como uma variação mais primitiva dos vitrais, o estilo usava predominantemente tons de vermelho e azul. Infelizmente, com o tempo, muitos exemplares se perderam e poucos permanecem até hoje. A Catedral de Chartres (1252) na França, construída nos estilos românico e gótico, apresenta alguns dos mais importantes exemplos de vitrais românicos na França, com representações tanto de Cristo como da Virgem Maria trazidos à vida em cores, acentuados durante o pôr-do-sol, pois a luz quente ilumina as figuras no ambiente espiritual.

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Vitral românico, Catedral de Estrasburgo. Imagem cortesia de Rama / WikiCommons CC BY-SA 2.0

Após o período românico, o período gótico anunciou a formação de novas ordens religiosas, e consequentemente muitas igrejas e catedrais foram construídas, e patrocinadas pela igreja medieval. Este movimento deu início à evolução das representações em vitrais, passando de figuras simples para iconografia complexa. Alguns exemplos incluem os vitrais vistos em York Minster (século XIV), na Catedral de Wells (século XIV) e na Catedral de Sens (século XIII).

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Roundel renascentista em vitrais. Imagem cortesia de WikiCommons

O Renascimento ofereceu um enfoque diferente sobre o uso de vitrais na arquitetura. Embora permanecesse principalmente na natureza bíblica, o vitral também foi usado em edifícios seculares, incluindo prefeituras e até mesmo edifícios residenciais. Painéis com verniz e tinta em prata eram frequentemente usados em vidros brancos, aplicados nos vidros transparentes das casas, sendo o "trabalho das estações" e cenas históricas um tema popular deste período. A representação das pessoas tornaram-se mais emotivas e as perspectivas tornaram-se mais precisas.

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Revival gótico (século XIX) . Imagem cortesia de Reinhardhauke / WikiCommons CC BY-SA 3.0

Os vitrais começaram a cair em desuso durante o final do período medieval e no século XIX. Como a Igreja Católica é a principal patrona das artes, a onda de novos protestantes não estava interessada em uma decoração mais elaborada, exigindo edifícios mais simples e sem adornos. Grupos puritanos e o parlamento inglês procuraram remover imagens da Virgem Maria e da trindade, resultando na destruição de uma grande quantidade de vitrais. A destruição teve um fim devido ao enorme custo de substituir o vidro colorido por outros vidros translúcidos mais comuns.

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Vitral Art Nouveau (1904). Imagem cortesia de line1 / WikiCommons CC BY-SA 3.0

Como o fascínio pelo estilo gótico do período medieval voltou à moda na forma do neogótico por volta de 1740, muitos indivíduos ricos construíram castelos para si correspondentes às estruturas descritas nos romances góticos. A Strawberry Hill Mansion (1717 – 1797) em Londres apresenta elementos de vitrais medievais recuperados, restaurados e instalados para Horace Walpole, um ávido colecionador da forma de arte. Poucos foram aqueles que mantiveram o interesse pela técnica, colecionando peças que hoje são exibidas em museus. À medida que os vitrais começaram a reaparecer, muitas empresas inglesas apresentaram vitrais na grande Exposição do Palácio de Cristal de 1851.

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Janela de Mackintosh (século XX). Imagem cortesia de Tony Hisgett / WikiCommons CC BY-SA 2.0

A popularidade do neogótico levou à construção de um grande número de novas igrejas, repletas de vidro colorido atraente e evocativo. Revivendo técnicas medievais de produção de vidro, elas se difundiram, sendo amplamente utilizadas por artistas que utilizam o estilo. Durante o século XIX, o movimento American Arts and Crafts procurou transformar a arte do vitral em uma forma de arte moderna, com artistas como Frank Lloyd Wright usando elementos de vitrais como parte intrínseca dos interiores da Prairie School, criando vitrais com exibições únicas de arte que não podem ser encontrados em nenhum outro lugar.

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Abstracção de vitrais (século XX) . Imagem cortesia de WikiCommons

Durante o século XX, tanto o movimento Arts and Crafts quanto o Art Nouveau apresentaram muitos vitrais entre o mobiliário e o design de interiores. Os fabricantes de vitrais contemporâneos continuam a revigorar a antiga arte de fazer vidro colorido, usando o material para continuar a realçar os elementos da arquitetura de hoje.

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Sobre este autor
Cita: Leete, Rebecca Ildikó. "Luz e cor: enriquecendo a arquitetura com vitrais" [Enriching Architecture: Stained Glass ] 06 Jul 2022. ArchDaily Brasil. (Trad. Bisineli, Rafaella) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/984777/luz-e-cor-enriquecendo-a-arquitetura-com-vitrais> ISSN 0719-8906

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