O cimento pode ser um material (mais) sustentável

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Centro de Interpretação do Românico / spaceworkers. Image © Fernando Guerra | FG+SG

“Se a indústria do cimento fosse um país, seria o terceiro maior emissor de dióxido de carbono do mundo, com cerca 2,8 bilhões de toneladas, superado apenas por China e Estados Unidos.” Essa afirmação chama muita atenção na reportagem de Lucy Rodgers para a BBC, sobre a pegada ecológica do concreto. Com mais de 4 bilhões de toneladas produzidas por ano, o cimento responde por cerca de 8 por cento das emissões globais de CO2 e é elemento fundamental para a produção de concreto, o produto mais fabricado no mundo. Para se ter uma noção, produz-se cerca de meia tonelada de cimento por pessoa do mundo todo ano, o suficiente para construir 11.000 edifícios Empire State. Com esses números impressionantes, há alguma forma de reduzir este impacto?

Para a fabricação de cimento, calcário, argila e areia são aquecidos em fornos super quentes, que chegam a 1450° C. Isso forma o clínquer, que depois é misturado com gipsita (gesso) e outros aditivos como pozolana, calcário e outros. O cimento corresponde a cerca de 10% da mistura do concreto. Os outros componentes básicos são areia, brita (agregado graúdo e miúdo) e água. Na produção de cimento há dois principais aspectos que resultam em emissões de dióxido de carbono. Segundo este artigo de Robbie M. Andrew, a primeira é a reação química envolvida na produção do principal componente do cimento, o clínquer, à medida que os carbonatos (principalmente CaCO3, encontrados no calcário) são decompostos em óxidos (principalmente cal, CaO) e CO2 pela adição de calor. A segunda fonte de emissões é a utilização de combustíveis fósseis para gerar a energia significativa necessária para aquecer os ingredientes brutos a bem mais de 1000 °C. Ou seja, durante a produção de cimento, são consumidos grandes quantidades de combustíveis (geralmente de fontes não-renováveis, como coque de petróleo, gasolina ou gás natural) e emitidos diferentes gases poluentes, entre eles o monóxido e dióxido de carbono. Segundo este estudo, “a reação química de calcinação é responsável por aproximadamente 52% das emissões de CO2 no processo de fabricação do clínquer, enquanto o consumo de energia responde pelo restante. (...) Considerando o consumo energético, tem-se que a cada 1.000 kg de clínquer fabricados gera-se em média aproximadamente 815 kg de CO2 no processo de fabricação do clínquer.”

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Sobre este autor
Cita: Eduardo Souza. "O cimento pode ser um material (mais) sustentável" 09 Out 2021. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/968777/o-cimento-pode-ser-um-material-mais-sustentavel> ISSN 0719-8906

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