
Em 1963, a exposição “Nordeste” inaugurou o Museu de Arte Popular do Unhão em Salvador. Apesar do fortuito cenário para que Lina Bo Bardi deslanchasse o projeto do museu nas dependências restauradas do Solar do Unhão, suas atividades foram interrompidas após um ano de existência. A mostra temporária e única aberta ao público contou com empréstimos de diferentes coleções particulares e acervos museológicos para apresentar uma extensa reunião de objetos variados, baixo um convite ao público geral para compreender o valor do fazer técnico popular. A exposição que a gosto da arquiteta teria sido intitulada ‘Civilização Nordeste’ acusou posturas de classe pouco relacionadas com o conhecimento do que qualificou como a "atitude progressiva da cultura popular ligada a problemas reais". (BO BARDI, 1963)
No ano seguinte, o Museu Anahuacalli abriu as portas no sul da Cidade do México. Em seu acesso principal, as palavras de Diego Rivera talhadas em pedra até hoje recepcionam o público diverso: ‘Devolvo ao povo o que da herança artística de seus ancestrais pude resgatar’. Ao passo em que a escritura celebra a exposição permanente do acervo de esculturas pré-hispânicas, ela também é reveladora do compromisso moral do artista mexicano profundamente relacionado a ambições de um projeto de integração cultural do país. O edifício sonhado para abrigar a coleção particular iniciada desde seu retorno ao México (GLADYS; RIVERA, 1960) foi desenhado pelo muralista em 1939 e levou mais de duas décadas para sua conclusão, a qual não pode testemunhar.






