
Entre 1914 e 1915, Le Corbusier projetava a Maison Dom-Ino, uma proposta de sistema estrutural que subvertia os modelos de então substituindo densas paredes portantes por pilares e lajes de concreto reforçado com aço. Muito mais leve e composto por elementos esbeltos, a este sistema se uniria o uso de grandes superfícies de vidro que garantiriam, de uma só vez, a entrada de higiênica luz solar nos espaços interiores e uma almejada transparência arquitetônica que diluiria as fronteiras entre interior e exterior – ao menos, metaforicamente.
Mais de um século depois de Le Corbusier compartilhar suas ideias para a Dom-Ino, a arquitetura contemporânea, na esteira de uma prolongada modernidade, continua investindo no vidro como solução para fechamentos. É claro que ao longo de tanto tempo o significado atribuído a este material mudou, ao menos em parte: da transparência inicial que possibilitava a compreensão estrutural da obra, o vidro passou a ser associado a valores ideológicos, vindo a ser empregado em projetos de cunho político por evocar uma abertura que extrapola o plano físico e passa a compreender também a esfera do simbólico. Um exemplo disso, comenta o crítico e historiador Hal Foster no livro O complexo arte-arquitetura, é o projeto de remodelação do Reichstag, o Parlamento Alemão em Berlim, desenvolvido pela Foster + Partners. Neste, assim como em outros projetos concebidos pelo mesmo escritório e por diversas outras firmas, busca-se uma analogia entre abertura arquitetônica e abertura política: o vidro expressa a transparência e acessibilidade do processo democrático.









