Como os espaços de trabalho evoluíram de cubículos para cafeterias

Como os espaços de trabalho evoluíram de cubículos para cafeterias
Cortesia de Herman Miller
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O ano é 1985, você está arrumando sua maleta para ir ao escritório onde fica sentado atrás de uma prancheta para desenhar. Avance para 2020, e você estará tendo uma teleconferência com toda a equipe em um café do outro lado da rua. Relativamente, pouco mudou; o trabalho ainda deve ser concluído até o final do dia, apenas com um cenário diferente.

Atualmente, os funcionários procuram algo mais do que apenas um emprego atrás de uma mesa. Eles querem trabalhar em um espaço dinâmico e inspirador que agregue valor ao seu conhecimento e promova o seu bem-estar físico e mental. Mas esse não era o caso um século atrás. Veja como os escritórios evoluíram ao longo dos anos e o que podemos esperar do futuro.

Cortesia de Herman Miller
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Tudo começou por volta de 3 séculos atrás…

Muito antes de termos a Internet ou os computadores, a Marinha Real Britânica queria supervisionar toda a logística em andamento em suas rotas de comércio internacional concentrando o serviço em um lugar central. Para poder fazer isso, eles abriram o Old Admirability Building em Londres - que é freqüentemente considerado o primeiro prédio de escritórios de todos os tempos - em 1726. Logo depois, começaram a se espalhar por toda a cidade inglesa.

Plantas Livres

Enquanto alguns consideram as plantas livres uma tendência de design do século XXI, vale ressaltar que elas já foram uma linguagem dominante nos escritórios até meados do século XX. Os arquitetos usaram o “taylorismo” para estudar a mecânica dos movimentos e um meio de otimizar a produtividade, implementando layouts abertos com fileiras organizadas de mesas para otimizar a eficiência e facilitar a administração.

Cortesia de Herman Miller
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Office Landscape

Na década de 1950, os designers de interiores alemães começaram a implementar o "Burolandschaft" ("office landscape"), um conceito que adota uma abordagem mais orgânica dos layouts de escritórios, possuindo plantas baixas maiores para o trabalho em grupo, telas curvas e vegetação em vez de divisórias. Em comparação com o taylorismo, o "office landscape" é menos sistemático ou rígido, permitindo que os funcionários “fluam” pelo espaço. Depois que se tornou notavelmente popular no norte da Europa, o estilo começou a se espalhar por todo o mundo.

Cortesia de Herman Miller
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Action Office I

Alguns anos após o 'Burolandschaft', a equipe de pesquisa da Herman Miller deduziu que os escritórios abertos precisavam ser liberados, permitindo que os trabalhadores se movimentassem e interagissem entre si. O "Action Office" foi sua primeira tentativa de melhorar os locais de trabalho, envolvendo várias peças de móveis com diferentes alturas e funções. No entanto, as peças de mobiliário eram muito caras e difíceis de montar, portanto, a solução não ganhou uma grande aceitação.

Action Office II

Após o Action Office I, o Action Office II foi desenvolvido para corrigir os erros do antigo, como criar móveis padronizados e fáceis de montar. Talvez a invenção mais proeminente tenha sido o 'sistema de parede móvel / cubículos', que era uma versão retilínea do "office landscape", porém com mais privacidade e capacidade de personalização. A Herman Miller expandiu essa estratégia para outros setores, como hospitais e laboratórios. Os cubículos do Action Office II se tornaram um sucesso global e foram imitados por outras empresas de móveis, levando à tendência as “cubicle farms”, superlotadas e estáticas.

Cortesia de Herman Miller
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Cubicle Farm

Ao longo da década de 1980, houve uma mudança completa nos projetos de escritórios devido à crescente demanda por locais de trabalho modulares, baratos e eficazes. Dizem que naquela época os escritórios adotavam a mentalidade de ‘acumulá-los; vendê-los baratos", e é por isso que cubículos padronizados dominaram todo o setor, resultando em locais de trabalho sistemáticos e monótonos.

Nos anos 50 e 60, estávamos basicamente alinhando as pessoas e dando-lhes uma tarefa. Elas faziam parte de uma linha de montagem para obter informações. O trabalho era repetitivo e orientado ao processo, e a fábrica era o modelo. Hoje, a inovação é importante, juntamente com novas ideias e criatividade. A maneira como você gerencia as pessoas é muito diferente. Você promove liberdade, mudança e variedade - Greg Parsons, diretor criativo da Herman Miller para o Global Work.

Cortesia de Herman Miller
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Escritórios Contemporâneos: Design e Tecnologia

As tendências de projeto nos escritórios completaram um ciclo pois os arquitetos se viram criando espaços abertos novamente, mas com pequenas modificações. Recentemente, muita luz foi lançada sobre a importância de ter locais de trabalho "orientados ao usuário". Quando os funcionários estão trabalhando em um espaço que não oferece a oportunidade de colaborar ou se envolver, é menos provável que os negócios prosperem. Isso levou à 'reimplementação' de layouts abertos, áreas de colaboração e um senso geral de transparência. "As pessoas têm um senso de propósito quando os líderes são visíveis e acessíveis e quando os líderes reforçam a importância do trabalho dos indivíduos e a conexão com a equipe e organização", diz Tracy Brower, diretora de Human Dynamics + Work, de Herman Miller que supervisionou um estudo sobre os locais de trabalho. A “transparência” em espaços abertos obscureceu a hierarquia entre empregadores/empregados, encontrando novas maneiras sutis de representar status. “A liberdade de ir e vir quando eu quiser, poder escolher onde quero me sentar, ser designado para uma conta-chave, postar nas mídias sociais sobre a comida tailandesa orgânica gratuita na cafeteria - essas são as maneiras pelas quais as pessoas mostram seu status agora”, diz Brower.

As tendências sociais e de estilo de vida atuais, juntamente com a tecnologia, ajudaram os funcionários a se tornarem mais móveis, trabalhando onde e quando quiserem. Esse estilo de vida "nômade" lançou o "hot desking", onde os funcionários não são fixos em um escritório, mas se acomodam em qualquer espaço disponível para trabalhar. Eles não precisam mais estarem presos às suas mesas pessoais; em vez disso, eles estão trabalhando em cafeterias, espaços de trabalho compartilhados ou simplesmente em casa.

À medida que os projetos de escritório continuam a evoluir, esse espaços contemporâneos não se limitam mais apenas ao trabalho, mas inspiram-se nas casas e no exterior. Máquinas de pinball, jogos de tabuleiro, tênis de mesa e videogames tornaram-se partes cruciais dos escritórios. Devido aos seus inúmeros benefícios à saúde, também houve um aumento significativo nos projetos biofílicos, trazendo um pouco do ar livre para dentro.

Percebemos que é inútil sempre tentar prever a próxima tendência, então nos voltamos para algo que não muda: a experiência humana. Estamos projetando para o sistema operacional humano. Costumávamos ter escritórios fechados, e esses também eram ineficazes. O que precisamos é da combinação certa, e não é apenas uma questão de aberto versus fechado. Precisamos equilibrar coisas como formalidade e informalidade, consistência e adaptabilidade, uniformidade e diversidade - Greg Parsons, diretor criativo da Global Work da Herman Miller

Cortesia de Herman Miller
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O que o futuro reserva para os projetos de escritórios?

Com o aumento da mobilidade do trabalho e a infeliz pandemia de Coronavírus, as indústrias passaram por mudanças drásticas. Milhões de pessoas em todo o mundo agora são forçadas a trabalhar em casa como resultado de decisões estritas de quarentena. Enquanto a resolução dessa pandemia permanece incerta, surge uma pergunta: será este o fim das tipologias tradicionais de escritório?

Fontes

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Sobre este autor
Cita: Stouhi, Dima. "Como os espaços de trabalho evoluíram de cubículos para cafeterias" [Out of Office: How Workplaces Evolved from Cubicles to Coffee Shops ] 14 Abr 2020. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/937275/como-os-espacos-de-trabalho-evoluiram-de-cubiculos-para-cafeterias> ISSN 0719-8906

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