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Como o BIM pode tornar as reformas e retrofits mais eficientes

Como o BIM pode tornar as reformas e retrofits mais eficientes

BIM (Building Information Modeling) é uma sigla cada vez mais usual entre os arquitetos. A maioria dos escritórios e profissionais já vem migrando ou planeja mudar para esse sistema, que representa digitalmente as características físicas e funcionais de uma edificação, integrando diversas informações sobre todos os componentes presentes em um projeto. Através dos softwares BIM é possível criar digitalmente um ou mais modelos virtuais precisos de uma construção, o que proporciona maior controle de custos, eficiência na obra. Também há possibilidade simular o edifício, entendendo seu comportamento antes do início da construção, e seu respectivo suporte ao projeto ao longo de suas fases, inclusive após construído ou na sua desmontagem e demolição.

Reforma do Mason Bros Warehouse / Warren and Mahoney. Image © Simon Devitt Reforma do Mason Bros Warehouse / Warren and Mahoney. Image © Simon Devitt © Bruce Damonte Novo Laboratório, Centro de Pesquisa e Fábrica / Marvel Architects. Image © David Sundberg | Esto + 9

A metodologia BIM é majoritariamente desenvolvida e aplicada para projetos novos de construção e seu potencial para reformas e retrofits ainda é muito pouco explorado. Se levarmos em conta as necessidades da sociedade para melhorar a qualidade espacial e o mau desempenho da grande maioria do estoque de edifícios existentes, especialmente no que diz respeito ao consumo de energia, o BIM pode contribuir para tornar as reformas e as modernizações (retrofits) mais eficientes, inteligentes e sustentáveis.

© Cristián Weason
© Cristián Weason

Por permitir um melhor controle das etapas de projeto, diversos governos, empresas e proprietários já vem solicitando a confecção de projetos em BIM, por possibilitar um maior detalhamento de orçamentação, planejamento e manutenção preventiva do empreendimento, e prever os possíveis erros na geração de desenhos de construção para diferentes áreas do projeto, além da verificação dos impactos das decisões de projeto e a identificação das incompatibilidades entre sistemas. Um projeto iniciado na plataforma BIM tem uma abordagem bastante diferente do que no CAD, já que não apenas sua geometria mais visível é representada, mas todos os seus componentes e mesmo elementos que não estão tão evidentes e podem influenciar nas decisões de projeto.

TOPOTEK 1. Image © Laurian Ghinitoiu
TOPOTEK 1. Image © Laurian Ghinitoiu

É inegável que trabalhar com reformas é sempre um pouco mais arriscado do que iniciar uma obra do zero. Há surpresas agradáveis e desagradáveis durante o processo, que necessitam de resoluções rápidas e precisas para evitar o desperdício de tempo e, sobretudo, de recursos. Para diminuir as possibilidades de percalços, o primeiro passo é investir em uma pesquisa e representação digital do ambiente ou da edificação. Para isso, tudo desde desenhos 2D em CAD ou conjuntos de documentos de construção constituem-se de informações valiosas para criar um modelo de construção. Evidentemente, se a edificação for mais antiga, é muito provável que todos os documentos estejam em papel, exigindo digitalização e trabalho extra. Há empresas especializadas em levantamentos, assim como processos que capturam digitalmente o ambiente usando lasers e scanners, através de nuvens de pontos ou fotogrametria, que pode ser feita através mesmo de drones. 

Depois que a geometria é capturada, começa a parte mais difícil da introdução de dados sobre as instalações (tubulação, HVAC, eletricidade). Vale a pena o esforço, no entanto, já que com um modelo bem construído, fiel ao edifício a ser remodelado, tem-se uma base de dados que pode ser usada e atualizada durante todo seu ciclo de vida, desde a obra em si às manutenções programadas posteriores. Mais importante ainda, com um modelo BIM é possível entender e prever como o projeto será executado e como ele se comportará em questões como conforto térmico, lumínico, acústico, entre outros. Além disso, pode-se registrar no modelo e ter um maior controle das origens dos materiais, dos processos que passou e do destino adequado no caso de desmontagem.

Königsberger SESC Paulista / Vannucchi Arquitetos Associados. Image © Pedro Vannucchi
Königsberger SESC Paulista / Vannucchi Arquitetos Associados. Image © Pedro Vannucchi

Por exemplo, através de um modelo BIM é possível simular o aproveitamento da iluminação natural, elementos sombreadores, e mesmo o potencial de aproveitamento de energia fotovoltaica em determinado local. Se o modelo for completo o suficiente para abranger as instalações hidráulicas e de ar condicionado, é possível testar e propor modificações pontuais ou radicais que podem melhorar a eficiência dos sistemas. Evidentemente, o importante é ter a possibilidade anterior de calcular se o investimento será ou não coerente. Ou estimar rapidamente o desempenho real da energia, ao se substituir um determinado revestimento de fachada por outro com maior nível de isolamento ou outra cor, por exemplo. Ou mesmo, ter um relatório rápido dos créditos de carbono na edificação, auditando todos os materiais e processos, para uma possível certificação posterior.

Axonometric Design of Metal Structure - Casa Piedra Blanca / Pablo Lobos Pedrals, Angelo Petrucelli. Image
Axonometric Design of Metal Structure - Casa Piedra Blanca / Pablo Lobos Pedrals, Angelo Petrucelli. Image

Além disso, o BIM permite uma maior cooperação entre os diversos consultores e atores envolvidos no projeto, além de um melhor gerenciamento do tempo e dos fluxos de trabalho, e, principalmente, auxiliar na detecção de quaisquer conflitos e incompatibilidades, tão comuns em obras de reforma e retrofit. Com o enorme estoque de edificações existentes em nossas cidades, aliado às preocupações latentes com a conversação dos recursos naturais e sustentabilidade, nada mais natural do que focar em desenvolver reformas e retrofits mais inteligentes, sustentáveis e eficientes. E o BIM pode contribuir muito para isso.

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Sobre este autor
Cita: Eduardo Souza. "Como o BIM pode tornar as reformas e retrofits mais eficientes" 20 Nov 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/927209/como-o-bim-pode-tornar-as-reformas-e-retrofits-mais-eficientes> ISSN 0719-8906

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