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Corpo, discurso e território: a cidade em disputa nas dobras da narrativa de Carolina Maria de Jesus

Corpo, discurso e território: a cidade em disputa nas dobras da narrativa de Carolina Maria de Jesus

Nessa tese de doutorado, a arquiteta e urbanista Gabriela Leandro Pereira explora os relatos e as disputas de narrativas urbanas da escritora mineira Carolina Maria de Jesus. Carolina é uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, tendo como sua obra mais conhecida o livro Quarto de Despejo. Diário de Uma Favelada - resultado do relato do cotidiano cruel de mulher negra, catadora de papel e moradora da favela do Canindé em São Paulo. A tese foi defendida em 2015 na Universidade Federal da Bahia, tendo como orientadora a Profa. Dra. Ana Maria Fernandes e recebeu o Prêmio Prêmio Rodrigo Simões de Teses de Doutorado, Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR) em 2017. Veja abaixo o resumo enviado pela autora.

Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, oferecendo autógrafos de seu livro "Quarto de Despejo", no qual relata o cotidiano e sentimentos experimentados pela comunidade da favela. Agosto de 1960. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã. Image via Wikipédia
Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, oferecendo autógrafos de seu livro "Quarto de Despejo", no qual relata o cotidiano e sentimentos experimentados pela comunidade da favela. Agosto de 1960. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã. Image via Wikipédia

"Esta proposta pretende deslizar por entre a narrativa da escritora Carolina Maria de Jesus (1914 - 1977) e suas dobras, para tensionar os lugares de disputa, conflito e criação que atravessam e se (re) produzem na cidade. Carolina-mulher, negra, pobre, migrante, nômade, favelada. A escolha da escritora e suas narrativas como figura central da tese, se deu por entender que secularmente, se operam processos direcionados para a desconstrução de determinados sujeitos, da criminalização de suas vidas, de seus corpos e seus territórios. Em meio às perversas investidas direcionadas para a racialização da pobreza e da violência, esses processos se acumulam e se arrastam no tempo, trazendo para o presente, não o eco distante de um passado de violações, mas vibrantes e violentas formas de exploração da vida no cotidiano. Uma das formas encontradas por Carolina para escapar, foi o discurso. Através da publicação de fragmentos de seus diários (o primeiro deles intitulado “Quarto de Despejo”, lançado em 1960), a escritora provoca um deslocamento no enunciante e nos enunciados que dominam o urbano nas narrativas literárias brasileiras. Uma narradora imprevista, de um lugar improvável, cujo discurso soa estranho, disputa a narrativa da cidade. Em suas “escrevivências”, a cidade é rasurada, trazendo para o visível não só o território da favela, mas a sua desconcertante presença que se atualiza nos dias atuais."

Veja a tese completa no link abaixo

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Sobre este autor
Cita: Pedro Vada. "Corpo, discurso e território: a cidade em disputa nas dobras da narrativa de Carolina Maria de Jesus" 08 Mar 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/912820/corpo-discurso-e-territorio-a-cidade-em-disputa-nas-dobras-da-narrativa-de-carolina-maria-de-jesus> ISSN 0719-8906

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