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Lina Bo Bardi, a representação da mulher no espaço público

Lina Bo Bardi, a representação da mulher no espaço público
Lina Bo Bardi, a representação da mulher no espaço público, Cortesia de Instituto Lina Bo e P.M. Bardi. Autor desconhecido
Cortesia de Instituto Lina Bo e P.M. Bardi. Autor desconhecido

Oito de março, Dia Internacional da Mulher. A data transmite muito mais do que uma reflexão acerca do universo feminino, pois traz a compreensão da importância do papel da mulher na sociedade e lembra sua luta política em prol de direitos. Para refletir sobre esta temática, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) faz uma homenagem às mulheres, relembrando a obra da arquiteta ítalo-brasileira, Lina Bo Bardi, marcada por ideias revolucionárias e humanistas.

Lina Bo Bardi não apenas fez edifícios; representou o espírito do seu tempo a partir de uma intensa produção cultural. Além de ilustradora, cenógrafa, designer, escritora, curadora e artista visual, ela compreendeu a cultura brasileira, disseminando um espírito moderno que transformou as formas de se entender a arte e a arquitetura no Brasil. Nos seus textos analíticos e críticos prevalece uma visão social. Isso mostra uma característica forte de sua atuação que sempre acreditou na arte popular, não como folclore exótico, mas sim como ação coletiva catalisadora de arranques sociais.

Sendo assim, a arquiteta tornou-se um ícone da ideologia que compreende a mulher multifacetada, que aponta as nuances de uma sociedade que ainda impõe a constante busca pela igualdade de gênero, de direitos políticos e, principalmente, por espaço no mercado de trabalho, na produção intelectual e na esfera pública. Ela era uma mulher faber sapiens sapiens, ou seja, aliava a concretude e materialidade do seu trabalho ao conhecimento, deixando um legado para o Brasil.

Trajetória

Vinda de uma Itália devastada pela segunda Grande Guerra, Lina Bo aportou no Brasil com seu marido, o crítico de arte e jornalista Pietro Maria Bardi, e foi recepcionada pela vista do prédio moderno do Ministério da Educação e Saúde (Mesp), hoje Palácio Gustavo Capanema. Era o sinal de uma nova vida, simbolizada pelas brises e por uma estrutura revolucionária, projetada por Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Machado Moreira, Carlos Leão e Ernany de Vasconcelos, que tiveram como referência estudos feitos por Le Corbusier. Por tal recepção, ela chamaria o prédio de “bela criança”.

Sua obra e história de vida estão atreladas aos primeiros movimentos de vanguarda do início do século XX que buscavam a arte libertária por meio da renovação poética e social, acelerada pela modernidade. Mas com as experiências nazista e fascista na Europa, o mundo para um arquiteto não era de construção e sim destruição. O projeto moderno se viu interrompido pelo totalitarismo.

"Aqueles que deveriam ter sido anos de sol, de azul e alegria, eu passei debaixo da terra, correndo e descendo sob bombas e metralhadoras. Em tempos de guerra, um ano corresponde a cinquenta anos; e o julgamento dos homens é um julgamento de pósteros. Entre bombas e metralhadoras fiz um ponto da situação. O importante era sobreviver. Mas como? Senti que o único caminho era o da objetividade e da racionalidade. Um caminho terrivelmente difícil, quando a maioria opta pelo desencanto literário e nostálgico. Sentia que o mundo podia ser salvo, mudado para melhor, que esta era a única tarefa digna de ser vivida. Entrei na resistência com o partido comunista clandestino. Só via o mundo em volta como realidade imediata e não como exercitação literária abstrata." Lina Bo Bardi

MASP. © Pedro Kok
MASP. © Pedro Kok

Ao chegar ao Brasil encontra um momento propício à produção intelectual e artística. Os ideais empreendidos desde a semana de Arte Moderna de 1922 estavam em plena consolidação e personagens da cultura brasileira vinham assumindo cargos políticos importantes, contribuindo para empreender um projeto de modernização do país. É nesse cenário, que Lina Bo Bardi vem se encaixar como peça fundamental imprimindo sua verve social que valorizava o ambiente da vida humana e não apenas uma arquitetura monumental e teatralizada que se resume no edifício, mas que reverbera posições políticas e busca a reflexão.

Seu empreendimento mais emblemático foi o Museu de Arte de São Paulo (Masp), com um vão livre que provocou uma fala emblemática do músico John Cage: “é arquitetura da liberdade”. Além disso, Lina atuou, juntamente, com Pietro Maria Bardi na construção de um dos acervos mais importantes da América Latina, já tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Todo seu trabalho é carregado de um significado cívico-coletivo, ou seja, busca a comunicação e o uso pelo povo, pois para ela “a verdadeira liberdade só pode ser coletiva. Uma liberdade ciente da realidade social”.

COLEÇÃO LINA BO BARDI

Para preservar e difundir os ideais da arquiteta ítalo-brasileira, o Iphan e as Edições Sesc São Paulo, em parceria com o Instituto Lina Bo e P.M Bardi, lançam a Coleção Lina Bo Bardi composto por textos, croquis, aquarelas, desenhos, fotos, reproduções de maquetes e construções. Organizada por Marcelo Ferraz a edição bilíngue (português e inglês) é composta, também, por depoimentos e escritos de Lina a respeito de seus projetos, somados às análises contemporâneas e farta ilustração. Cada um dos seis exemplares que compõe a coletânea abordam suas principais obras: os paulistanos Masp, Casa de Vidro (onde residiu), Teatro Oficina e Sesc Pompeia; o Solar do Unhão, em Salvador (BA); e a Igreja espírito santo do cerrado, em Uberlândia (MG).

Sesc Pompeia
Com textos de Lina Bo Bardi, André Vainer, Marcelo Ferraz e Cecília Rodrigues dos Santos, o exemplar remonta a história da obra, a partir do primeiro contato da arquiteta com o local: “entrando pela primeira vez na então abandonada Fábrica de Tambores da Pompeia, em 1976, o que me despertou curiosidade, (...) foram os galpões distribuídos racionalmente conforme os projetos ingleses do começo da industrialização europeia (...). Na segunda vez em que lá estive, num sábado, (...) (encontrei) um público alegre de crianças, mães, pais e anciãos passava de um pavilhão a outro”. 

Sesc Pompéia. © Pedro Kok
Sesc Pompéia. © Pedro Kok

Vemos uma arquitetura que foge de um esteticismo esvaziado e que se povoa e colore por meio do uso social, dando à cidade uma nova dinâmica em meio ao cinza e à rapidez do cotidiano. Assim, de acordo com ela, “numa cidade entulhada e ofendida pode, de repente, surgir uma lasca de luz, um sopro de vento”.

Sesc Pompéia. © Flickr DAW (CC BY-NC-SA). Used under <a href='https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/'>Creative Commons</a>
Sesc Pompéia. © Flickr DAW (CC BY-NC-SA). Used under Creative Commons

Solar do Unhão
Segundo André Vainer, “sua proposta para uma dialética entre o conhecimento popular das técnicas dos artesãos de ofício e o conhecimento científico via universidade criou um programa extremamente ambicioso de ensino e produção em contraponto com a extrema simplicidade de sua intervenção em um monumento histórico, o que explodiu em um museu totalmente sui generis”.

Solar do Unhão. © Manuel Sá
Solar do Unhão. © Manuel Sá

Entre os anos de 1958 e 1964, Lina Bo Bardi se mudou pra a Bahia, lá empreendeu a revitalização do Solar que, depois, posteriormente, abrigou o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). Este espaço funcionou como um lugar de debates e atividades de teatro, música e artes plásticas, criando um centro ativo de produção intelectual e material. Empreendeu um conceito de museu revolucionário, indo contra os resquícios da elite provinciana. Via no aspecto popular um meio ousado de repensar o mundo. Esse “era o caminho necessário para encontrar dentro do humanismo técnico uma poética”.

A experiência em terras baianas fez com que em 1959, junto com o diretor de teatro Martim Gonçalves, montasse em São Paulo a exposição Bahia, durante a V Bienal Internacional. Nesta mostra, foi reunido um rico material antropológico sobre as expressões culturais do estado baiano. Com fotos, esculturas, objetos e materiais de Pierre Verger colocados sob um chão de folhas secas, ela queria alertar para os problemas e abandono do Nordeste, pois acreditava que a região tinha uma potência cultural na sua apresentação mais genuína.

Teatro Oficina 
Neste livro, o arquiteto Edson Elito, narra, sobre a grande reforma do espaço, nos anos 1980, que “as reuniões de trabalho eram feitas ao redor de uma grande mesa circular de mármore, após a pasta e o vinho, ou ao pé da lareira, na Casa de Vidro, residência de Pietro e Lina”. Na publicação, ainda há texto de José Celso Martinez Corrêa, diretor teatral à frente do Oficina há mais de 60 anos e que vem encenando inúmeros textos teatrais e épicos em seu espaço. 

Teatro Oficina. © Nelson Kon
Teatro Oficina. © Nelson Kon

Casa de Vidro 
O livro dedicado à residência oficial de Lina e seu marido, Pietro M. Bardi, em São Paulo, tem textos dela e de Marcelo Ferraz. Em umas das passagens ela declara: “a casa Bardi foi a primeira que se construiu no Jardim Morumbi, quando o bairro ainda tinha esse nome (antiga Fazenda de Chá Müller Carioba). Atrás da antiga Casa da Fazenda, toda branca e azul, que conservava ainda os ferros e as correntes do tempo da escravidão; os enormes tachos, bacias de cobre e outros utensílios; e atrás ainda da senzala (...), estendia-se o lago (...), com uma mata Atlântica ao fundo”. 

Casa de Vidro. © wordpress casasbrasileiras
Casa de Vidro. © wordpress casasbrasileiras

Igreja Espírito Santo do Cerrado
Única obra de Lina em Minas Gerais, na cidade de Uberlândia, hoje tombada como patrimônio cultural, é um conjunto de igreja, centro comunitário e casa paroquial e foi construída em conjunto com a comunidade. Lina conta: “A igreja foi construída por crianças, mulheres e pais de família, em pleno cerrado, com materiais muito pobres: coisas recebidas de presente, em esmolas. (...) O que houve de mais importante na construção da Igreja do Espírito Santo foi a possibilidade de um trabalho conjunto entre arquiteto e mão de obra”.

A trajetória de vida de Lina Bo Bardi mostra que ela entendia o Brasil, como poucos; deixando um legado que pensava a construção edificada como projeto humano e social. Seus últimos dias de passou em São Paulo. Morreu em 1992, na famosa Casa de Vidro, tombada pelo Iphan, em 2007, e, hoje, aberta ao público. A italiana à brasileira se eternizou na paisagem e na memória do país que a acolheu.

Quando a gente nasce não escolhe nada, nasce por acaso. Eu nasci aqui, escolhi este lugar para viver. Por isso, o Brasil é meu país duas vezes, é minha Pátria de Escolha, e eu me sinto cidadã de todas as cidades, desde o Cariri, ao Triângulo Mineiro, às cidades do interior e às da fronteira.

Ação Cultural – Sorteio Coleção Lina Bo Bardi

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o Iphan sorteará um exemplar da Coleção Lina Bo Bardi. As inscrições estão abertas via a ferramenta de sorteio on-line Sorteie-me  até às 9h (horário de Brasília) do dia 08 de março. Para participar, é necessário seguir o regulamento da ação:

  1. O (a) participante deve residir no Brasil;
  2.Ter um perfil ativo no facebook e curtir a fanpage do Iphan;
  3. Marcar dois amigos no post de divulgação do sorteio;
  4. Compartilhar este mesmo post no modo “Público”;
  5. Inscrever-se via Sorteie-me, clicando em "Quero Participar" para validar sua participação.

Fique atento, pois o resultado será divulgado no dia 08 de março pelo Facebook e Twitter do Iphan. Se o sorteado não tiver seguido todas as regras ou o vencedor não entrar em contato dentro de três dias úteis, um novo sorteio será realizado. Vale ressaltar que é responsabilidade do Iphan encaminhar a coleção, após o resultado, ao vencedor no prazo de 30 dias. 

Via Iphan

Cita: Romullo Baratto. "Lina Bo Bardi, a representação da mulher no espaço público" 05 Mar 2016. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/783182/lina-bo-bardi-a-representacao-da-mulher-no-espaco-publico> ISSN 0719-8906
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