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Clássicos da Arquitetura: SESC Pompéia / Lina Bo Bardi

Clássicos da Arquitetura: SESC Pompéia / Lina Bo Bardi
Clássicos da Arquitetura: SESC Pompéia / Lina Bo Bardi, © Carlos Alberto Cerqueira Lemos. Cortesia de Arquigrafia (CC BY-NC)
© Carlos Alberto Cerqueira Lemos. Cortesia de Arquigrafia (CC BY-NC)

© Pedro Kok © Pedro Kok © Pedro Kok © Pedro Kok +35

Três volumes prismáticos de concreto aparente surgem ao lado dos antigos galpões da fábrica de tambores da Pompéia: um prisma retangular de trinta por quarenta metros de base e quarenta e cinco metros de altura; um segundo prisma retangular, menor e mais alto que o primeiro, de quatorze por dezesseis metros de base e cinquenta e dois metros de altura; e um cilindro de oito metros de diâmetro e setenta metros de altura.

© Pedro Kok
© Pedro Kok

O prisma maior apresenta cinco pavimentos, com oito metros e sessenta centímetros de altura entre pisos. Apresenta apenas paredes perimetrais portantes, que medem trinta e cinco centímetros de espessura, e nenhuma estrutura interna complementar. São moldadas com tábuas horizontais de madeira. As lajes nervuradas protendidas medem um metros de altura total.

As janelas se localizam nas faces menores, leste e oeste, do prisma maior. São quatro de cada lado por andar. Configuram simplesmente aberturas irregulares, criadas a partir de moldes de isopor embutidos durante a concretagem. As marcas do isopor são perceptíveis na largura dos muros, assim como as marcas das madeiras são perceptíveis no exterior. Internamente, foram utilizadas formas retangulares de plástico, que também são perceptíveis.

© Flickr DAW (CC BY-NC-SA)
© Flickr DAW (CC BY-NC-SA)

O prisma menor apresenta doze pavimentos que coincidem a cada dois com os pavimentos do prisma maior, tendo assim, quatro metros e trinta centímetros de altura entre pisos. Os dois últimos pavimentos têm sua altura reduzida para três metros e setenta centímetros. Esse prisma apresenta-se girado trinta e três graus horários em relação ao prisma maior. Suas faces externas também são moldadas com tábuas horizontais de madeira. Suas janelas são quadradas e menores que as aberturas ameboides do prisma maior, porém não apresentam um alinhamento ortogonal rígida, aparecendo dispostas em diversas coordenadas.

© Pedro Kok
© Pedro Kok

A esquina mais próxima ao prisma maior é então facetada paralelamente àquele, de modo a criar duas faces paralelas. Dessa nova face, que rompe o desenho retangular da base, partem quatro níveis de passarelas de concreto protendido aparente que dão acesso aos pavimentos do prisma maior. Entre os dois prismas, abaixo das passarelas, passa o córrego Água Preta, que fica oculto pela sobreposição de um pier de madeira.

© Julio Roberto Katinsky. Cortesia de Arquigrafia
© Julio Roberto Katinsky. Cortesia de Arquigrafia

Cada uma das passarelas elevadas apresenta um desenho diferente, ainda que sob as mesmas regras: partem de uma mesma abertura no prisma menor e se ramificam levando a duas aberturas simétricas no prisma maior. Têm dois metros de largura e peitoris de um metros e vinte centímetros. A primeira passarela, a partir de baixo, forma um V perfeito. A segunda também forma um V perfeito e leva a aberturas um pouco mais centralizadas que as da primeiras passarela, configurando um V mais fechado que o inferior. A terceira passarela parte como uma linha reta perpendicular, e somente depois da metade do vão se bifurca, assemelhando-se a um Y. Suas aberturas de chegada no prisma maior estão um pouco mais centralizadas que as inferiores, quase na mesma medida que as da segunda passarela em relação às da primeira. A quarta e última passarela volta a ser um V, porém imperfeito: um dos braços do V surge do outro, ou seja, não coincidem no ponto de saída. Além disso, a saída no prisma menor é desalinhada em relação às passarelas inferiores. As aberturas de chegada estão próximas aos extremos do prisma maior, formando um V mais aberto que os demais.

© Carlos Alberto Cerqueira Lemos. Cortesia de Arquigrafia (CC BY-NC)
© Carlos Alberto Cerqueira Lemos. Cortesia de Arquigrafia (CC BY-NC)

Além da face recortada, o prisma menor apresenta outros dois aspectos que quebram a sua condição de prisma ortogonal perfeito. Primeiramente, a presença na esquina norte de faixas horizontais de concreto que configuram os peitoris da escada externa: são os únicos elementos que são moldados com tábuas verticais de madeira. E o alargamento da sua base em um metro e meio para cada lado do perímetro, nos seus dois primeiros pavimentos. A união dessa base maior com a base normal a partir de terceiro pavimento é através de paredes inclinadas, favorecendo a uma percepção de contraforte.

© GFAU. Cortesia de Arquigrafia (CC BY-NC-ND)
© GFAU. Cortesia de Arquigrafia (CC BY-NC-ND)

O último prisma que compõe o conjunto é um cilindro formado a partir da concretagem sistemática de setenta anéis de um metros de altura cada. Une-se ao prisma menor através de uma passarela metálica que parte da sua cobertura. A fôrma que deu origem aos anéis tem formato de tronco de cone, ou seja, tem sua faces externas inclinadas para dentro, o que permite com que a fôrma se encaixe no anel inferior para a concretagem do anel superior seguinte. Esta condição da moldagem e concretagem teve como consequência que o limite inferior de cada anel ficasse imperfeito, formando uma linha irregular com certa espessura sobre o anel inferior.

Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato. Cita: Igor Fracalossi. "Clássicos da Arquitetura: SESC Pompéia / Lina Bo Bardi" 05 Nov 2013. ArchDaily Brasil. Acessado . <http://www.archdaily.com.br/153205/classicos-da-arquitetura-sesc-pompeia-slash-lina-bo-bardi>