
A arquitetura, ao longo de sua existência, tem se reinventado, não apenas pelo surgimento de novas técnicas e tendências, mas também pelo entendimento mais profundo do ser humano. Em tempos recentes, o campo da neuroarquitetura tem revelado estudos valiosos sobre a influência dos ambientes construídos em nossos cérebros e, por consequência, em nossos comportamentos e bem-estar. Esta interdisciplinaridade sugere que o design de interiores, especificamente a materialidade e design de superfícies, pode desempenhar um papel crucial na modulação das respostas neurais e comportamentais dos indivíduos.
A neuroarquitetura emerge da confluência da neurociência — o estudo do sistema nervoso, em especial o cérebro — com a arquitetura — a arte e a técnica de projetar e edificar o ambiente habitado pelo ser humano. Este conceito, embora tenha começado a ganhar destaque nas primeiras décadas do século 21, possui raízes em pesquisas anteriores que se empenham em entender como determinados ambientes podem evocar sentimentos específicos ou influenciar a saúde mental. Um dos pioneiros desse domínio emergente foi John P. Eberhard, arquiteto formado pelo Massachusetts Institute of Technology e fundador do Academy of Neuroscience for Architecture (ANFA). Em sua obra "Brain Landscape: The Coexistence of Neuroscience and Architecture" (2008), Eberhard delinea como a compreensão das funções cerebrais pode enriquecer o design arquitetônico. Em uma nota similar, em 2007, o neurocientista Fred Gage, do Salk Institute for Biological Studies, juntamente com outros especialistas, sublinhou a necessidade vital de se compreender as respostas neurais aos ambientes construídos, reforçando a ponte entre neurociência e arquitetura.










