Ensaio: O Arquiteto e a Cidade Acessível / Sophia Bannert

Todos os anos, o Departamento de Arquitectura da Universidade da Califórnia, Berkeley atribui o Berkeley Prize de modo a promover a investigação da arquitectura como arte social. O tema deste ano era “O Arquitecto e a Cidade Acessível.” O ensaio que se segue, “Um dia na vida de um utilizador de cadeira de rodas: circulando por Lincoln,” escrito por Sophia Bannert da Universidade de Lincoln, venceu o primeiro prémio. 

A Literatura da Arquitetura, uma conversa com Germán del Sol [Parte I]

Depois de esperar um breve momento no salão principal do seu escritório, Germán saiu da sua sala, apareceu no salão onde eu estava, me cumprimentou e me convidou a acompanha-lo de volta a sua sala para darmos início à conversa. Sentei-me no sofá e ele sentou-se em sua cadeira de trabalho, em frente a mim. Perguntei-lhe se o incomodaria se eu gravasse o áudio de nossa conversa. Disse-me gentilmente que não. Eu não tinha nenhum script, nenhum enfoque para dar à conversa. Simplesmente conversamos.

Uma definição de arquitetura / Silvio Colin

Sempre desejei comentar essa definição de arquitetura do Jorge Moreira. Ela me provoca há anos, desde que foi colocada em um grande painel no 5º andar do edifício da FAU,  na Ilha do Fundão no Rio de Janeiro, onde leciono.

Vejo nela muitas coisas verdadeiras sobre as quais todo estudante deve refletir. É mais que uma definição de arquitetura. É também uma definição do papel do arquiteto na sociedade, pelo menos segundo um determinado ponto de vista, a romântica atitude modernista de uma época. Mas vejo também neste texto algumas dissonâncias, não do tipo criativo, resultante da inserção de notas estranhas aos acordes perfeitos, mas do tipo de dissonâncias resultante de cordas desafinadas. É isto que desejo comentar porque esse texto expressa muitos problemas vividos pelo arquiteto na relação com sua profissão e com o cliente.

Poesia e Arquitetura: A sonhadora, 143 / Ana María Shua

Esta é a história de um bosque cujos limites são precisos,

Brasília-patrimônio: desdobrar desafios e encarar o presente / Eduardo Pierrotti Rossetti

“Brasília é de um passado esplendoroso que já não existe mais.
Há milênios desapareceu esse tipo de civilização.”
Clarice Lispector

“Cabe à inteligência retomar comando.”
Lucio Costa

“O planejamento urbano assemelha-se a uma grande orquestra em permanente execução: ainda que a música não tenha sido escrita por um só compositor, não prescinde da integração de todos para levar o projeto, ou a obra, a cabo. O esforço conjunto, porém, resulta de uma única cabeça e de um só coração.”
Lucio Costa

Aproximações a uma metástase urbana / Igor Fracalossi

I

Existem seis critérios básicos para a identificação do câncer de pele de acordo com o método ABCDEF1: Assimetria; Bordas irregulares; Cores variadas entre marrom, vermelho e preto; Diâmetro maior que 6 mm; Evolução na elevação em relação ao nível da pele adjacente, ou nos outros critérios; e F) funny looking (aspecto engraçado).

Fundamentos da Arquitetura Contemporânea / Siegbert Zanettini

O objetivo deste texto é trazer elementos que possam contribuir para uma reflexão sobre a contemporaneidade da arquitetura onde abordaremos alguns pontos que fazem parte da conclusão da obra “Razão e Sensibilidade”, texto sistemático que apresentei no ano 2000, para minha Livre Docência na FAUUSP e resultantes das experiências no universo teórico-prático, nas quatro últimas décadas.

Um Jardim de Microchips / Toyo Ito

O diagrama explodido de um microchip parece uma fotografia aérea de uma cidade, processada no computador. Se transformada por meio de um efetor, a fotografia de uma área urbana pode virar um diagrama abstrato que mostra apenas o contorno vazio dos prédios e as obras da engenharia civil, preenchida com pontos luminosos e coloridos. A aparência real do espaço urbano é cancelada, e a imagem começa a se assemelhar à fotografia de um microchip.

O resgate da unidade perdida: o Teatro do Museu de Arte Moderna de Affonso Eduardo Reidy / Roberto Segre

O problema que apresenta a arquitetura da primeira metade do século XX, é a escassa sensibilidade social sobre o valor cultural urbano, tanto das manifestações do ecletismo como das obras do Movimento Moderno. A arquitetura acadêmica foi a maior vítima dos apetites especulativos. Primeiro pela sua presença nas áreas centrais das cidades, que seriam utilizadas para os novos prédios de escritórios do Central District. Segundo, porque os prédios de apartamentos, originalmente de luxo, foram se degradando com a saída dos moradores em procura dos bairros suburbanos. Mas também a arquitetura do Movimento Moderno, por enquanto protegida pelo DOCOMOMO, não teve maior sorte. Se no caso do ecletismo, a euforia decorativa identificava a qualidade do edifício; no caso dos despojados prédios modernistas foi sempre difícil demonstrar a empresários e políticos a significação cultural dos principais exemplos, tanto do Art Déco, como do Racionalismo.

Poesia e Arquitetura: Constatações / Ozino Esteván

Não tem mais valor já a palavra
Não tem mais memória já as pessoas
Tudo necessita confirmar-se

Arquitetura de palavras: a escrita livre e exata de Lina Bo Bardi / Marcelo Ferraz

“Quando não posso construir, desenho; quando não posso desenhar, escrevo; quando não posso escrever, falo.” Com essa máxima, Le Corbusier não deixa dúvidas de que, para ele, a missão maior do arquiteto é a construção. É ela que fundamenta e alimenta o desenvolvimento tecnológico e intelectual em torno da disciplina arquitetura: modos de construir, de criar espaços e habitar. Mas, diz ele, qualquer recurso de linguagem –desenho, escrita ou fala– pode ser veículo da construção.

Metafísica do Concreto Exposto / Andrea Deplazes

Estruturas portantes feitas de concreto armado caracterizam a vida urbana diária. Sempre que possível, a indústria de construção emprega este material. É relativamente barato em comparação a outros materiais construtivos –visto que o trabalho no canteiro de obras progride rapidamente, e (aparentemente) especialistas altamente qualificados não são requeridos para instalá-lo. O concreto armado simplesmente se tornou o material construtivo escolhido do século XX –e o símbolo da atividade construtiva desenfreada. A “concretagem do meio ambiente” é um inventivo provérbio que denuncia a destruição da paisagem, natureza e habitats.

Poesia e Arquitetura: Largo / Carlos Nóbrega

Gostaria que não tivesses nome
e se o tivesses, não fosse de homem,
fosse de Vento: Praça de Sonho.

Não precisava haver em ti
nenhum relógio, nenhuma lâmpada,
nenhuma lógica. Fonte nenhuma.

Existirias sem nada disso.
Tinhas que ser,
és o que és,
Existirias

O movimento Slow City: Um caso de aplicação em Balcarce – Argentina

Texto por Guillermo Tella para Plataforma Urbana. Tradução Archdaily Brasil. 

O movimento internacional denominado Slow City promove desde meados dos anos 80 o desenvolvimento de “atividades lentas”, apelando a um estilo de vida sereno e pausado, que respeite as tradições próprias de cada lugar. A iniciativa surgiu na cidade de Roma como experiência contestatória ante a abertura de locais de fast-food e hoje foi expandido a diferentes latitudes para reacionar contra a pressa no uso do tempo na cidade e para defender o “bom viver”.

Nascido para Observar / Glenn Murcutt

Cynthia Davidson: O que “sustentável” significa pra você, especialmente com respeito ao seu trabalho?

Glenn Murcutt: É manter ou seguir levando; continuar. Coisas vivas podem ser sustentáveis se permitidas crescerem em equilíbrio com outros organismos e não consumirem em índices maiores do que é sustentável, como normalmente fazemos quando fazemos super-colheitas ou intoxicamos a terra. Nós não nos planejamos adequadamente para o futuro. Os povos aborígenes australianos têm a cultura mais longa  e contínua registrada no planeta. Eles sobreviveram por ao menos 40.000 anos –não através de competição, mas sim através de cooperação; trabalharam com a terra e não contra ela. Os povos aborígenes tradicionais têm vivido e trabalhado de maneira muito sustentável.