Enquanto escrevo esse texto uma chuva torrencial toca a janela do quarto. Aqui, no sul do Brasil, há semanas não sabemos o que é a luz do sol. Em várias cidades o volume de chuva já superou o total acumulado dos demais meses do ano. Alagamentos, inundações e deslizamentos são notícias corriqueiras nos jornais regionais. Neste cenário caótico, um estudo apresentado pela Confederação Nacional dos Municípios afirma que, entre as chuvas intensas no sul e a seca no norte do país, 5,8 milhões de brasileiros foram diretamente afetados pela catástrofes em 2023, incluindo casos de perda de vidas, desalojamentos e prejuízos econômicos significativos.
O prognóstico, infelizmente, também não é dos melhores. A versão nacional do renomado relatório de mudanças climáticas do IPCC, documento organizado pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) já alertou: o Brasil, assim como outros países da América Latina, não apenas ficará mais quente com as mudanças climáticas, como também verá seu regime de chuvas mudar drasticamente. Ou seja, aqui no sul, é melhor nos acostumarmos com o barulho da chuva na janela, assim como o norte deve esperar secas históricas.
Reunindo pesquisas científicas atuais, um novo relatório de ciência climática do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU foi aprovado e divulgado depois de intensas negociações entre os principais cientistas do mundo e governos. Com 37 páginas, o Relatório de Síntese da Sexta Avaliação do IPCC (AR6), reúne seis relatórios científicos e políticos aprofundados, e tem como público alvo principal os formuladores de políticas.
A Young Architects Competitions (YAC) em conjunto com o Cantiere delle Marche, acaba de lançar “Kiribati Floating Houses”, um concurso de ideias que pretende incentivar o desenvolvimento de novas soluções arquitetônicas para enfrentar os desafios impostos as nossas cidades em decorrência do aumento dos níveis das marés. Os vencedores dividirão um prêmio total em dinheiro de quinze mil euros. Além disso, algumas das propostas serão apresentadas em uma exposição a ser realizada na paróquia de Santa Maria della Vita no centro da cidade de Bolonha enquanto que outras serão convidadas para participar de uma mostra organizada pela National Geographic no Palazzo Blu, em Pisa. Os projetos participantes serão avaliados por um seleto e renomado júri de arquitetura, contando com a participação de Kengo Kuma, Moon Hoon, Rocco Yim, Cristiana Favretto (Studiomobile), Simon Frommenwiler (HHF Architects), Fabio Roversi Monaco (Genus Bononiae) e Giuseppe Zampieri (David Chipperfield Architects).
Em maio deste ano, o The Guardian recomendou, por meio de seu manual de redação, que jornalistas e colaboradores subam o tom para falar sobre as mudanças climáticas ou aquecimento global. Agora, anunciou o jornal britânico, é crise, emergência ou colapso climático.
https://www.archdaily.com.br/br/925200/crise-climatica-e-o-direito-a-cidadeTama Savaget e Henrique Frota
O Conselho Municipal de Utrecht, nos Países Baixos, em colaboração com a agência de publicidade Clear Channel, transformou 316 pontos de ônibus em toda a cidade em “pontos de abelhas”. A adaptação envolveu a instalação de coberturas verdes nas estruturas, criando espaços adequados para as espécies vegetais ameaçadas.
A GVL Gossamer divulgou imagens do seu projeto de "urbanismo resiliente". A proposta foi desenvolvida para um concurso de arquitetura com a intenção de ser implantada ao longo do Rio Jing, em Xi'an, China. Celebrando a história de Xi'an como como o berço da Rota da Seda, o projeto faz uma reinterpretação dos sistemas construtivos tradicionais locais para construir uma arquitetura sensível e adaptada ao clima e a geografia de Xi'an. Memórias do passado são reveladas ao longo dos 19 quilômetros de extensão do projeto, onde a arquitetura contemporâneas está à serviço da preservação e da sustentabilidade do meio ambiente.
Mapa: Crowther Lab, Fuente: Bastin et al. 2019 Plos One, Creado con Datawrapper
Em 2050, o clima em Madri será muito semelhante ao atual clima de Marrakech no Marrocos. Estocolmo será mais parecida com Budapeste, Londres a Barcelona, Moscou com Sofia, o clima em Seattle será como em San Francisco enquanto que Tóquio, apresentará condições climáticas como aquelas da cidade de Changsha, na China.
Alguns dos arquitetos britânicos de maior influência no cenário mundial se uniram para exigir das indústrias medidas contra as mudanças climáticas e a redução da biodiversidade. O grupo intitulado Architects Declare, que inclui escritórios como Foster + Partners, David Chipperfield Architects e Zaha Hadid Architects, já conta com quase 70 membros, 17 dos quais reconhecidos com o RIBA Stirling Prize.
https://www.archdaily.com.br/br/918161/arquitetos-britanicos-exigem-atencao-para-as-mudancas-climaticas-e-a-biodiversidadeNiall Patrick Walsh
A Frank Lloyd Wright Foundation aproveitou o Dia da Terra, 22 de abril, para lançar uma iniciativa voltada a educar o público sobre como práticas sustentáveis são usadas na conservação de locais históricos nacionais, incluindo os famosos projetos Taliesin (Wisconsin) e Taliesin. West (Arizona) de Wright. Programada para ocorrer ao longo do ano, a iniciativa tem como objetivo mostrar como essas práticas podem servir de exemplo para outras áreas da sociedade.
https://www.archdaily.com.br/br/915671/frank-lloyd-wright-foundation-usa-o-projeto-taliesin-west-para-educar-sobre-como-viver-na-naturezaNiall Patrick Walsh
O prefeito da cidade de Nova Iorque, Bill de Blasio, anunciou planos para apresentar um projeto de lei que proíbe a construção de arranha-céus de vidro, fazendo parte dos esforços para reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 30%. Revelando os planos, ele descreveu os arranha-céus de fachada de vidro como "incrivelmente ineficientes" por causa da perda de calor, segundo a NBC New York.
https://www.archdaily.com.br/br/915789/prefeito-de-nova-iorque-pretende-proibir-novos-arranha-ceus-de-vidroNiall Patrick Walsh
Considerando os mais recentes estudos e análises sobre os impactos do aquecimento global e do consequente aumento de nível das marés na cidade de Nova Iorque, o prefeito Bill de Blasio, anunciou um investimento de mais de US$ 10 bilhões para o desenvolvimento de projetos destinados a encontrar soluções para as previsíveis inundações da parte baixa de Manhattan. Em uma entrevista publicada recentemente pela New York Magazine, o prefeito de Blasio deu pistas sobre o ambicioso projeto de transformação da orla do Distrito Financeiro de Manhattan: a construção de infra-estruturas de controle de inundações no centro da grande maçã, avançando até 150 metros dentro do East River.
Referindo-se ao Estudo de Resiliência Climática da Baixa Manhattan, concebido em estreita colaboração com especialistas em mudanças climáticas e escritórios de arquitetura da cidade, o prefeito de Nova Iorque descreve o projeto como “um dos mais complexos desafios ambientais e de engenharia já empreendidos na cidade de Nova Iorque, algo que mais cedo ou mais tarde, irá alterar definitivamente as formas da nossa ilha como a conhecemos hoje.” O projeto de cifras exorbitantes é uma estratégia para resguardar a ilha de Manhattan pelo menos até o ano 2100.
https://www.archdaily.com.br/br/913799/nova-iorque-pretende-construir-aterros-para-combater-o-aumento-do-nivel-das-maresNiall Patrick Walsh
Este é o momento no qual nos projetamos ao futuro para definir as metas e focos de nossa carreira ao longo do ano que começa. Com o objetivo de ajudar os arquitetos que consultam o ArchDaily diariamente, realizamos a seguinte lista com as ideias que mais ecoaram durante 2018 e que, portanto, serão os temas que devem seguir desenvolvendo-se durante 2019.
Apenas no ano passado, mais de 130 milhões de usuários descobriram no ArchDaily novas referências, materiais e ferramentas que permitem aprimorar o desenvolvimento da arquitetura e melhorar a qualidade de vida de nossas cidades e entornos construídos. Quando nossos usuários começam a coincidir em suas buscas de informação ou demonstram maior interesse por um tema em relação a outros, estes tópicos passam a ser uma tendência.
https://www.archdaily.com.br/br/910567/as-tendencias-da-arquitetura-em-2019Pola Mora
Hong Kong is one of the most densely populated cities on earth. Image via Shutterstock
Centros urbanos geralmente acumulam mais calor do que regiões periféricas e menos povoadas, este é um fenômeno climático mais conhecido como ilha de calor urbano (UHI). Embora este não seja um fenômeno recente, o qual vem sendo analisado por décadas, recentes descobertas indicam que a maneira como construímos nossas cidades é um dos principais fatores para o agravamento deste fenômeno histórico. Considerando isso, a descoberta destes novos dados deverá transformar decisivamente a maneira como planejamos e construímos nossas cidades no futuro.
https://www.archdaily.com.br/br/909654/como-um-bom-projeto-urbano-pode-minimizar-os-efeitos-das-mudancas-climaticasTaahirah Martin
O escritório de arquitetura e urbanismo com sede em Londres, ecoLogicStudio, acaba de inaugurar uma instalação em forma de “cortina urbana”, uma estrutura para filtrar o ar e atenuar os impactos do efeito estufa. Chamada de “Photo.Synth.Etica”, a estrutura foi desenvolvida em colaboração com a Climate-KIC, uma das principais iniciativas lançadas pela União Europeia para melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades e minimizar os efeitos do aquecimento global.
A primeira versão da Photo.Synth.Etica, atualmente em operação no Castelo de Dublin, na Irlanda, é capaz de fixar e armazenar até um quilo de CO2 por dia, algo equivalente à capacidade de fixação de CO2 de pelo menos vinte árvores de grande porte.
Considerando as mudanças climáticas atualmente em curso, a cidade de Boston acaba de apresentar um enorme projeto de renovação urbana desenvolvido em parceria com os arquitetos da SCAPE. O projeto apresenta estratégias que devem “ampliar o acesso às praias da cidade, abrindo espaço ao longo da orla, protegendo a cidade de futuros eventos de inundação”.
O projeto faz parte da iniciativa Imagine Boston 2030, partindo de um estudo dos mapas de inundação "Climate Ready Boston 2070", desenvolvidos pelas autoridades do município. O objetivo principal da proposta é preparar à cidade para o futuro, construindo infraestruturas ao longo dos eixos de inundação mais vulneráveis da cidade de Boston.
https://www.archdaily.com.br/br/904775/boston-anuncia-grande-proposta-de-renovacao-urbana-em-resposta-as-mudancas-climaticasNiall Patrick Walsh
Combate ao aquecimento global pode ser vencido ou perdido nas cidades. Foto: vincent desjardins/Flickr-CC
Ainda que ocupem apenas 2% da superfície do planeta, ninguém questiona a importância das cidades. Elas concentram mais da metade da população mundial, produzem 80% do produto mundial bruto (PMB), são responsáveis por 78% do consumo mundial de energia e produzem 70% do total de emissões globais de gases de efeito estufa. Além disso, estão crescendo e, em pouco mais de 30 anos, devem abrigar 66% da população. Como contestar, então, que as áreas urbanas carregam a força do combate ao aquecimento global nas mãos?
No final de agosto deste ano ocorreu a terceira edição da AA Visiting School Amazon. Após oito dias de imersão na floresta amazônica, estudando sua natureza e compreendendo conceitos de biomimética, os professores Marko Brajovic, Nacho Martí e Alessandra Araujo, juntos de um grupo internacional de arquitetos e estudantes, projetaram um centro para educar as pessoas do Lago Mamori e ajudá-los a imaginar as mudanças que precisam fazer em suas vidas para se adaptarem às mudanças climáticas e possíveis desastres ambientais decorrentes delas.