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Segregação Urbana: O mais recente de arquitetura e notícia

O seu celular tem muito o que dizer sobre segregação urbana

Independentemente de onde você mora ou trabalha e com quem você interage, você geralmente passa pelos mesmos bairros e ruas da sua cidade. Seja em Santiago, Madri, Xangai ou Nova Iorque, certamente há bairros onde você nunca esteve, não importa o quanto você tenha vivido toda a sua vida na mesma cidade. Você realmente já pensou em quantas cidades existem na sua cidade?

Um artigo escrito por pesquisadores chilenos e publicado recentemente na Royal Society Open Science aposta no big data para analisar e visualizar a segregação urbana, oferecendo ferramentas espaciais que nos permitem planejar em uma "cidade de muitas cidades". "Sabemos que Santiago tem bolhas e que há segregação", diz Teodoro Dannemann, co-autor da pesquisa, em conversa com o ArchDaily via e-mail. "Sabemos que cada indivíduo explora apenas uma pequena parte da cidade, que é basicamente o percurso casa-trabalho, o que significa que apenas interagimos com um pequeno grupo de cidadãos", acrescenta.

A Segregação Urbana nos Estados Unidos e o Papel das Políticas Públicas

A segregação espacial é um dos grandes problemas urbanos no mundo. Ela se caracteriza pela separação de classes sociais em diferentes regiões das cidades. Esse processo, ao longo do tempo, acaba contribuindo para o aprofundamento dessas diferenças. Nos Estados Unidos após a crise de 1929, o governo federal criou uma metodologia para orientar empréstimos financeiros, visando possibilitar a quitação de imóveis para as populações endividadas. A metodologia se dedicou a classificar as regiões da cidade de acordo com seus aspectos sociais, e acabou por enfatizar e aprofundar uma urbe fragmentada, encorajando o preconceito e a intolerância. A segregação como política pública, acabou por limitar as oportunidades de muitas populações por gerações, resultando em uma distribuição social que ainda hoje, quase 100 anos depois, é evidente na maioria das cidades norte americanas.

A arquitetura da segregação

Em um recente artigo a equipe editorial do jornal The New York Times argumenta que a batalha contra a discriminação imobiliária [housing discrimination] e a segregação racial nos Estados Unidos está "longe de terminar". Isso após 50 anos da criação do Departamento Federal de Habitação e Desenvolvimento Urbano e 47 anos depois da aprovação da lei federal Fair Housing Act, que protege o vendedor ou comprador de uma propriedade de sofrer qualquer tipo de discriminação (racial, etária, de gênero etc.).

A desigualdade econômica "está atualmente aumentando em todo o país: à medida que mais famílias de minorias se encontram presas em bairros marcados pela pobreza, sem habitações, escolas ou trabalhos dignos e com poucas opções de sair dessas condições", comenta o editorial, advertindo, no entanto, que esta situação "não aconteceu por acidente".

Saiba mais a seguir.

Arte e Arquitetura: Mundos Isolados, segregação urbana e desigualdade em Santa Fé

Santa Fé é um exemplo de desigualdade social no México. Enquanto num setor da cidade a população conta com edifícios altos e modernos, bairros luxuosos construídos nas últimas décadas, em outro setor, é uma realidade completamente diferente: zonas humildes e casas de baixos recursos, como se fossem dois mundos isolados e divididos por uma parede.

Uma distribuição desigual de riqueza, que é ilustrada em uma série de imagens aéreas capturadas pelo fotógrafo Oscar Ruíz. Produzido pela agência de publicidade mexicana Publicis, a campanha busca, através de fotografias reais, ressaltar a enorme desigualdade e segregação urbana e social que existem em alguns bairros da cidade de Santa Fé, com o objetivo e sob o lema de "apagar a diferença".

Mais detalhes a seguir.

Vía Adeevee. Image © Oscar RuizVía Adeevee. Image © Oscar RuizVía Adeevee. Image © Oscar RuizVía Adeevee. Image © Oscar Ruiz+ 4

Segregação urbana em 6 fotografias: desigualdade vista de cima

Diz-se que o mundo está cada vez mais desenvolvido quando na realidade está, inegavelmente, mais tecnológico e globalizado. Contudo, parece arriscado falar em desenvolvimento quando os avanços não se apresentam em todos os lugares nem para todos os habitantes.

Num panorama tão desigual, uma seleta parte da população global desfruta dos ditos avanços, ao passo que um enorme contingente vive abaixo da linha de pobreza sem as menores condições de infraestrutura.

Tais contrastes passam muitas vezes despercebidos no cotidiano da cidade, entretanto, estão estabelecidos numa relação díptica com o traçado urbano, sendo, ao mesmo tempo causa e consequência de profundas marcas no desenho da cidade. No Brasil, por exemplo, temos as favelas e comunidades pobres que contrastam com a arquitetura de edifícios e casas de classe média alta, planejados e construídos com os recursos necessários.