O gênero é uma camada de desigualdade incontestável nas cidades, que marca, de maneira muito distinta e efetiva, a experiência e o cotidiano de homens e mulheres no ambiente urbano. Um dos elementos cruciais na tentativa de garantir espaços mais inclusivos e igualitários é a iluminação pública, que não costuma ser pensada sob uma perspectiva de gênero.
Espaços públicos mal iluminados reforçam o sentimento de medo nesses ambientes, e devem ser repensados para que promovam cidades mais seguras, especialmente para as mulheres. Uma vez que, atualmente, mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas — um cenário que só tende a aumentar —, como podemos tornar os espaços públicos mais seguros e confortáveis para que possam ser plenamente usufruídos e acessados por todas e todos?
Mobilidade urbana como um direito social. Figura produzida pela autora
É perceptível a exclusão do gênero feminino da formação do espaço, refletindo um lugar de insegurança e de vulnerabilidade. Neste contexto, a mobilidade urbana, tal qual conhecemos, reproduz as desigualdades de gênero, raça e classe existentes em nossa sociedade. Seja por meio da caminhabilidade ou do transporte público, o fato é que a forma como os deslocamentos são realizados não se adequa às necessidades das mulheres, especialmente aquelas autodeclaradas pretas e pardas e com menor renda. Buscamos aqui, portanto, dar especial atenção para o modo como as noções de interseccionalidade têm operado nessa mobilidade urbana como um direito social para todas e todos.
#DCRainbowCrosswalks Washington, DC USA. Flickr by Ted Eytan Attribution-ShareAlike 2.0 Generic (CC BY-SA 2.0)
Na década de 1970, em Berkeley, Califórnia, um grupo ativista dos direitos das pessoas com deficiência, chamado Rolling Quads, começou a desmontar os meios-fios e instalar rampas improvisadas nas calçadas, exigindo acesso para os cadeirantes. Mas, o que as pessoas não esperavam era que os usuários de cadeiras de rodas não seriam os únicos a se beneficiar da intervenção. Logo, pedestres com carrinhos de bebê, compras pesadas, malas ou simplesmente com mobilidade reduzida passaram a usar regularmente as rampas. Da mesma forma, uma cidade com inclusão de gênero funciona melhor para todos. Uma cidade onde todas as minorias de gênero, com idades e habilidades diferentes, podem se locomover com facilidade e segurança, participar plenamente da força de trabalho e da vida pública, levar uma vida saudável, sociável e ativa é uma cidade que melhora a vida de todos.
Elaborar espaços que sejam confortáveis e seguros para toda a população passa pela necessidade de que esses espaços sejam pensados por pessoas diversas. Uma cidade que acolha cidadãs negras e cidadãos negros é uma cidade melhor para todos. O Betoneira Podcast convidou a arquiteta e urbanista Gabriela de Matos para falar sobre a importância de evidenciar, enaltecer e estimular a participação de mulheres e pessoas negras nos projetos das cidades para uma discussão mais democrática sobre a organização dos territórios urbanos.
Desenvolvido pelo Instituto Semeia e pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS),Parques para Todas e Todosé uma ferramenta para inspirar a construção de espaços mais diversos a partir da inserção da perspectiva de gênero em parques urbanos em sua implantação ou gestão. Nele podem ser encontradas diretrizes, sugestões e ideias para começar a pensar em parques que considerem as necessidades de todas e todos.
https://www.archdaily.com.br/br/940533/onu-lanca-publicacao-online-sobre-parques-urbanos-com-perspectiva-de-generoEquipe ArchDaily Brasil
É rijo como cal e madeira o espírito das mulheres que participam dos movimentos de luta por moradia no Brasil. Maioria em ocupações de territórios, elas coordenam com vigor as práticas organizacionais e políticas de assentamento e construção de habitação popular. Não é à toa que muitas das ocupações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ou do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) carregam nomes de mulheres como Dandara, liderança de um quilombo do período colonial.
São 6:00 da manhã de uma terça-feira. Onde você está?
Geovana sai de casa já atrasada. Normalmente demora duas horas em três conduções para chegar no trabalho que fica no centro da cidade. Mas choveu durante toda a noite e sua casa inundou. Ela, a mãe e os irmãos tentaram salvar seus móveis e demais pertences. Às 2:00 da manhã quando a chuva acalmou, ela conseguiu descansar um pouco, para acordar na sequência. Depois da chuva de ontem sabe que as ruas do seu bairro estarão alagadas, e que o trajeto casa-trabalho levará mais uma hora do que o normal.
https://www.archdaily.com.br/br/935134/mulheres-nas-cidadesGraciela Medina, Lara Ferreira, Tama Savaget e Debora Pill
Maioria em graduações de arquitetura em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, as mulheres superam os homens em número de profissionais em atividade, entretanto, sua representatividade vem, há décadas, sendo sistematicamente diminuída frente à atuação masculina.
Você já atravessou a rua por estar com medo hoje? Enquanto mulher, qual o seu maior medo ao andar na rua? Como você se sentiria mais segura? Foi com o objetivo de refletir como podemos planejar cidades mais igualitárias para todos que o escritório amb ateliê, em parceria com as arquitetas Fernanda Linero e Beatriz Teixeira, promoveram essa ação em diferentes bairros de Curitiba. O projeto ci.da.de; substantivo feminino integra a 3ª Mostra Bienal de Arquitetura para Curitiba.
As discussões acerca do acesso de mulheres ao ensino superior e ao mercado de trabalho de forma geral, são tema de importância central ao pensar formas de estabelecer uma situação mais igualitária de condições de vida e protagonismo na sociedade contemporânea. Apesar de pautada em sensos e levantamentos ligados ao mercado formal de trabalho, trata-se de uma reflexão que informa um parâmetro geral das condições atuais da mulher frente às dificuldades produzidas por uma herança latente da estrutura patriarcal e moralista de hierarquias profissionais onde os protagonistas são, e foram historicamente, homens.
Cursos Livres Escola da Cidade – 2° semestre 2019 – inscrições abertas
CURSOS LIVRES ESCOLA DA CIDADE – SEGUNDO SEMESTRE DE 2018
A Escola da Cidade abre inscrições para os Cursos Livres oferecidos no segundo semestre de 2019. Os cursos abordam temáticas variadas – como dança, teatro, fotografia, gênero, diagramas, sustentabilidade, história, violência, democracia e geoprocessamento – sempre articulados a questões de arquitetura, urbanismo e cidade.
Inscrições abertas até 16 de agosto
Para inscrições e informações mais detalhadas sobre os cursos acesse ec.edu.br
A atuação de José Luís Sert na América Latina: trânsitos e projetos. Ministrado pela arquiteta e urbanista Dinalva Derenzo Roldan 24 de setembro a 29 de outubro, terças-feiras, 20h30 às 22h30
A temática da revista gira em torno da produção teórica, filosófica, e crítica desenvolvidas no trabalho de design de interiores, da arquitetura e do urbanismo.
Cidades mais seguras e sustentáveis pensadas a partir das vivências e perspectivas das mulheres - esse é o objetivo do projeto Mulheres Caminhantes! Auditoria de Segurança de Gênero e Caminhabilidade Terminal Santana, que teve os seus resultados apresentados no dia 5 de maio em evento no centro de convenções da Expo Center Norte, em São Paulo.
O relatório do projeto traz reflexões sobre como a cidade apresenta dificuldades para que as mulheres se desloquem e vivam o espaço público com qualidade e segurança.
Djamila Ribeiro e Juliana Borges fazem lançamento de livros em João Pessoa. (foto Djamila: RICARDO MATSUKAWA / foto Juliana: Cauê Gomes-Carta Capital)
Juliana Borges e Djamila Ribeiro protagonizarão a noite de 26/04 no palco da Semana Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo do IESP, a SAAU'18, em João Pessoa. Ao lado de outros nomes de referência na militância feminista, a Deputada Estadual Estela Bezerra (PB) e a advogada Liana Cirne Lins (PE), ambas conduzirão uma discussão sobre as invisibilidades sociais no processo de produção da cidade contemporânea. A mediação do debate ficará a cargo da arquiteta, urbanista e atriz, Natália Sá (PB). Além disso, Juliana e Djamila farão o lançamento dos seus respectivos livros, “O que é encarceramento em massa?” e “O
Há quase dois anos, a América do Sul foi atingida por uma crise na saúde pública que afetou centenas de milhares de mulheres. No Brasil, mais de 2.600 crianças nasceram com microcefalia – uma malformação que torna o crânio menor do que o normal – e outras complicações resultantes da infecção pelo vírus Zika. Os brasileiros se acostumaram com o nome pouco familiar da doença, que se rapidamente se espalhou pelo nordeste do país e cruzou as fronteiras com Colômbia e Venezuela. Porém, à medida que a doença se tornou uma preocupação internacional, ficou claro também que se tratava de um problema muito maior para alguns grupos do que para outros.
Diversos estudos têm se dedicado a compreender a relação entre gênero e mobilidade urbana. Eles concluem que mulheres enfrentam desafios maiores para exercer o direito à cidade e acessar as oportunidades oferecidas no espaço urbano. As desigualdades na divisão do trabalho doméstico implicam em maior carga para as mulheres, que acumulam funções como levar e buscar as crianças na escola, o cuidado com membros idosos e doentes da família, a ida às compras entre outras atividades, o que determina em grande parte um padrão de deslocamento consolidado por viagens em sequência, para múltiplos destinos e com uso preponderante do transporte público e da caminhada.
https://www.archdaily.com.br/br/888740/mulheres-e-mobilidade-urbana-indicadores-para-a-formulacao-de-politicas-urbanas-sensiveis-ao-generoITDP Brasil
Algumas iniciativas recentes demonstram o ressurgimento do movimento feminista em uma nova onda [1] que tem afetado diversos campos da sociedade brasileira. Toda essa movimentação de debates e ações realizadas pelas lutas das mulheres tem reverberado em diferentes áreas do conhecimento, e a arquitetura e urbanismo não estão de fora. No campo da arquitetura, por exemplo, se destaca a criação do grupo “Arquitetas invisíveis”, em Brasília (2014), um grupo voltado para dar visibilidade a prática arquitetônica de mulheres. Assim como o surgimento de alguns grupos pesquisa, trabalhos de graduação, dissertações, teses e debates públicos sobre a questão. Iniciativas especialmente de estudantes e jovens arquitetas.
https://www.archdaily.com.br/br/881263/genero-e-estudos-urbanos-uma-conciliacao-necessariaDiana Helene e Rossana B. Tavares