Ao fazermos um balanço e analisarmos o ano de 2022 através dos artigos mais visitados em nossa seção de Materials, fica claro que questões relacionadas ao interior ressoaram fortemente entre nossos leitores. Enquanto a humanidade gasta mais tempo em ambientes internos, tanto nos físicos quanto agora nos virtuais, como o Metaverso, as formas e funções que definem esses espaços internos adquiriram maior importância e valor. Experimentar com espaços fluidos, flexíveis e versáteis é uma tendência que testemunhamos há alguns anos, impulsionada principalmente pelos impactos das quarentenas ainda presentes em nossa memória. O caos e a incerteza que experimentamos nos fizeram entender a importância dos edifícios com consciência espacial e sensibilidade - aqueles capazes de antecipar e assumir a responsabilidade pelos efeitos que têm em seus habitantes. Fatores como orientação, dimensões e distribuição das salas, o uso de luz e ventilação naturais e a estética geral do espaço são essenciais. Os avanços tecnológicos adotaram o centro do palco e interromperam o design de interiores tradicional, dando origem a abordagens novas e inovadoras à eficiência e circularidade doméstica.
Através de três abordagens diferentes - operações, estética e energia -, abaixo, fornecemos uma previsão de como achamos que os espaços internos evoluirão de 2023 em diante.
Se um estilo de música não lhe agrada, você fica entediado no teatro ou não se sente atraído por obras de arte, você quase sempre pode evitá-los. Com arquitetura é diferente. Um projeto mal pensado afetará a vida de muitas pessoas e por muito tempo. Nos interiores isso é ainda mais amplificado, uma vez que a humanidade tem passado cada vez mais tempo em ambientes internos e isso impacta diretamente no nosso bem-estar e saúde. Em períodos de recolhimento obrigatório, como na pandemia atual da Covid-19, temos a noção do quão importantes são os espaços interiores para o nosso bem-estar e, até mesmo, para a prevenção de doenças. Projetar um ambiente interno é de uma responsabilidade enorme para um profissional. Um designer de interiores é alguém que planeja, pesquisa, coordena e gerencia esses projetos de aprimoramento do interior de um edifício para obter um ambiente mais saudável e esteticamente agradável para as pessoas que usam o espaço. Mas o que é, de fato, Design de Interiores?
TECLA, 3D Printed Habitat by WASP and Mario Cucinella Architects. Image Courtesy of WASP
Jorge Drexler canta, em uma de suas músicas, que “Siempre miramos al río, pensando en la otra rivera”. Fazer uma retrospectiva do ano, mais do que entender o que foi feito, pode servir para tentar ter alguma pista sobre o futuro. Durante o ano de 2021 publicamos mais de 160 artigos na seção Materials & Products cobrindo os mais diversos temas. De conceitos complexos como Impressão 4D ou materiais muito pouco processados como o Hempcrete e o bambu, traçar uma retrospectiva dos assuntos abordados e entender o que mais despertou interesse dos nossos leitores é um exercício interessante para arriscar algumas tendências para o futuro do campo da construção. Observando os artigos mais visualizados, pudemos perceber três grandes grupos de temas. São eles: Impressão 3D, pré-fabricação e renovação de interiores. Abaixo, compilamos sobre cada um destes, trazendo uma reflexão sobre o que podemos nos atrever a afirmar sobre as tendências da indústria da construção em 2022.
Em Her, filme de 2013 dirigido por Spike Jonze, um solitário escritor desenvolve uma relação de amor com a assistente virtual de um sistema operacional. Admirável Mundo Novo, livro escrito em 1932 pelo inglês Aldous Huxley, fala de uma sociedade cujo culto à eficiência, racionalização e à máquina desencadeou uma humanidade que desconhece o esforço e a dor, mas também reprime o amor e a liberdade. Já em Frankenstein, livro de 1823, considerado o primeiro romance de ficção científica, uma vida é criada artificialmente, produzindo um monstro com características humanas: vontades, desejos e medos. Seja, respectivamente, em relação ao receio com a inteligência artificial, as incertezas com a industrialização ou os limites da ciência, obras de ficção científica nos revelam muito mais que apostas certeiras do futuro – no tempo em que foram criadas, falam sobre os temores e anseios da época.
Quando exploramos as visões urbanas do passado sobre o futuro, é comum encontrarmos exemplos exagerados e até engraçados. Acerca das promessas da arquitetura e, consequentemente, das nossas cidades, também não é tarefa fácil apontar caminhos com clareza. Observando as tendências no campo e usando toda a nossa imaginação, será que podemos afirmar como as cidades se parecerão em dezenas ou centenas de anos? Seus materiais, sua aparência, a maneira de construir e pensar? Este futuro será mais minimalista e impoluto ou mais orgânico e complexo? Como as novas tecnologias e materiais de construção afetarão a forma, a estética e a prosperidade das cidades de amanhã?
É difícil começar qualquer texto de retrospectiva de 2020 sem cair em clichês. O ano de 2020 nos ensinou, a duras penas, que a humanidade pode ser mais frágil do que imaginávamos. O mundo tem enfrentado um inimigo invisível que alterou o cotidiano de todos. Por outro lado, os edifícios são compostos por materiais, que têm peso, cheiro, textura e custos. Eles dependem de recursos naturais, processos de produção, mão-de-obra, transporte etc. Ainda é muito cedo para dizer como a crise causada pela Covid-19 mudará o mundo e, mais especificamente, a arquitetura. Mas será que nossa percepção do que é boa arquitetura mudou durante este ano? E nossa relação com a tectônica das construções se alterou com todas os impedimentos que tivemos?
Nossos parceiros da Melón compartilharam conosco um material interessante relacionado com execução, concretagem e posterior cuidado das paredes de concreto aparente.
Ao executar uma obra em concreto aparente, sua tonalidade e textura final não dependerão apenas do tipo de moldagem e desmoldante utilizado ou da qualidade da vibração, mas também do tempo de desmolde, a cura e toda a mão de obra envolvida. Para obter um resultado satisfatório é essencial realizar uma “amostra real” in loco antes de executar a concretagem, para observar o funcionamento dos materiais e os procedimentos a serem utilizados.
Para entender mais, revise o processo detalhado a seguir.
A busca por segurança na arquitetura está ligada, entre outros aspectos, à criação de interiores resguardados que nos permitam realizar as atividades diárias com conforto e sem imprevistos. No entanto, os desafios envolvidos na proteção de pessoas e propriedades mudaram drasticamente nos últimos anos. Hoje, procuramos sentir-nos seguros onde quer que estejamos e, numa arquitetura cada vez mais aberta e transparente, o material da sua envolvente torna-se cada vez mais relevante, principalmente nas suas zonas envidraçadas.
Que parâmetros devemos considerar ao escolher um vidro de segurança? Conversamos com os técnicos da Cristales Dialum, que desenvolveram soluções com diversos níveis de resistência para vidros simples e duplos.
Ladrilhos hidráulicos são revestimentos produzidos de forma completamente artesanal, com matéria prima à base de cimento. Trata-se de uma opção bastante versátil pois ele é frequentemente utilizado em áreas públicas, como praças e calçadas; mas também pode ser utilizado em áreas específicas como bordas de piscinas e/ou rampas de estacionamento, por exemplo. Também se faz cada vez mais presente como revestimento de interiores residenciais de alto padrão aplicado como revestimento de piso, parede ou até mesmo de mobiliários. Isso se deve ao seu alto poder de personalização de cores e modelos, conferindo unidade e exclusividade à cada projeto.
O Museu Casa de la Memoria está localizado no distrito de Boston em Medellín e foi desenvolvido em comemoração aos 200 anos de independência da Colômbia. Liderado por Juan David Botero, como coordenador da equipe de design, o projeto foi concebido desde o início como um edifício reconhecível para a comunidade e visitantes, assumindo sua forma plástica de habitações de duas águas tradicionais. "É um museu para vítimas de violência e, como tal, tivemos que torná-lo um espaço para tudo; uma casa, a casa onde a memória ganha vida", diz Botero.
O equipamento cultural de 3.800 m² inclui salas de exposições, oficinas, arquivos, escritórios e um auditório. Sua envoltória funciona como uma pele dobrada, incorporando uma câmara de ar que absorve o ar frio, o injeta pela fachada e o expele como ar quente na parte superior. Este efeito chaminé permite controlar os 30ºC de temperatura, típica da região no verão, garantindo uma temperatura interna estável e confortável. Vamos revisar em detalhes essa solução térmica e acústica.
Com climas cada vez mais extremos em todo o mundo, brises-soleil e revestimentos perfurados são opções eficazes para criar uma segunda pele nas fachadas de nossos projetos, protegendo seus interiores e criando ambientes especiais ao lidar com luz e sombra.
Cada orientação de edifício e fachada exige soluções diferentes - fixas, móveis e de materiais diferentes -, mas existem algumas recomendações gerais que podem nos ajudar a escolher a solução certa. Conversamos com os especialistas da Hunter Douglas para conhecer as considerações mais importantes.
A madeira é um material muito nobre e fácil de trabalhar, permitindo que construtores profissionais e amadores fabriquem objetos e estruturas simples sem maiores problemas. No entanto, ao pensarmos em habitações ou edifícios de maior escala, é importante tomar certas precauções que assegurem a boa qualidade e o bom comportamento da construção. Nesse sentido, é fundamental avaliar cada projeto especificamente e analisar qual sistema de conexão acomoda-se da melhor maneira aos requisitos estruturais e estéticos.
Conversamos com os especialistas da Simpson Strong Tie, empresa líder em conectores estruturais, ancoragens e sistemas de fixação, para aprender mais sobre esses temas. A seguir, apresentamos importantes lições e conselhos para construir casas e edifícios de madeira mais seguros e resistentes.
Materiais, produtos e sistemas construtivos estão em constante evolução e seguem novas tecnologias, descobertas e tendências de mercado. No âmbito do nosso tópico de outubro, “Inovação”, nos perguntamos: que produtos ou materiais poderíamos usar para que nossos projetos façam contribuições relevantes para a maneira como estamos habitando nosso planeta?
Os forros oferecem uma oportunidade para design criativo e integração técnica. Eles desempenham um papel fundamental na criação de espaços interiores e agregam valor somando conforto por meio de acústica, acabamentos e outras soluções integradas às intenções do projeto. Do projeto estrutural ao conforto geral do espaço, são um aspecto fundamental de qualquer projeto arquitetônico.
As fachadas translúcidas são painéis leves usados nos exteriores de edifícios, protegendo-os de intempéries climáticas, umidade e erosão. Sua composição de microcélulas de policarbonato fornece uma luz suave e naturalmente difusa, com uma ampla gama de cores, brilho e opacidades disponíveis.
Ao fixá-las no lugar, com juntas ocultas, é possível ocultar elementos de construção desagradáveis e ajudar a proteger as pessoas dos raios UV prejudiciais, garantindo também a condução térmica máxima. Os indivíduos que os utilizam perceberão uma redução nas contas de energia uma vez que a luz natural do sol poderá aquecer e iluminar edifícios, criando condições ambientais internas muito atraentes para diferentes usos.
Uma vez terminada a obra pesada, é a hora de instalar os revestimentos que formarão as faces visíveis nos espaços internos. Papéis de parede podem ser uma opção eficiente para dar cor e design aos espaços, especificados de acordo com os metros quadrados que queremos cobrir. Para iniciar, devemos calcular a área de cada superfície com grande precisão.
Essa tarefa pode ser fácil em paredes claras e dimensões padrão, mas pode levar a contratempos mais complexos ou despesas desnecessárias. Apresentamos algumas dicas para fazer uma estimativa o mais precisa e eficiente possível.
Orbis Façade / ARM (Ashton Raggatt McDougall). Image Courtesy of Shapeshell
Criado inicialmente para fins aeroespaciais, os materiais baseados em tecnologia avançada de termofixos reforçados com fibras estão sendo cada vez mais considerados não apenas para fabricar elementos específicos de construção, mas também para mudar a forma como os edifícios são concebidos, projetados e construídos. Apesar de serem incrivelmente resistentes - quase seis vezes mais fortes que o aço - os materiais reforçados com fibras são leves e fáceis de manusear, permitindo a criação de projetos arquitetônicos complexos, mas eficientes.
Conversamos com especialistas da ShapeShift, os criadores do produto ShapeShell, para aprofundar nossa compreensão dessa tecnologia e aprender mais sobre como podemos aproveitar suas possibilidades em nossos futuros projetos.
Fundado por Norman Foster em 1967, o estúdio Foster+Partners desenvolve projetos que integram arquitetura e engenharia com design de interiores e de objetos. Numa colaboração especial com a Porcelanosa - especialistas na fabricação de móveis e acessórios em pedra, cerâmica, latão, madeira e KRION® -, projetaram uma coleção de peças de banheiro de formas simples e minimalistas, destacando a honestidade dos materiais e o ofício de sua fabricação.
A coleção foi denominada TONO e os seus objetos podem ser misturados e adaptados a diferentes tipologias, desde interiores residenciais a espaços comerciais e escritórios.
A fachada ventilada é uma solução construtiva perimetral que considera um duplo fechamento distanciado um do outro por meio de uma estrutura de suporte, gerando uma câmara de ar que permite a sua ventilação. Esta operação cria o chamado efeito chaminé, que ativa as correntes de ar por convecção, melhorando o isolamento acústico e térmico do edifício e aumentando sua eficiência energética.
Devido à sua natureza e fabricação de prensagem laminada, o porcelanato de 3,5 mm é uma excelente escolha para revestimentos de fachadas ventiladas. Sua alta resistência às intempéries, estabilidade dimensional e leveza reduzem os requisitos da estrutura de suporte. Pesa 3 vezes menos que um porcelanato tradicional e permite grandes formatos, até 3,6 metros, reduzindo o número de juntas. Também oferece alta estabilidade de cor, resistência a impactos e baixa manutenção ao longo do tempo.