Duo Dickinson

Um arquiteto que constrói edifícios e escreve.

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

O futuro da visualização pode ser o passado

Lidamos com edifícios todos os dias. Nós dormimos neles, trabalhamos neles, vivemos nossas vidas usando suas acomodações. Mas como uma música ou uma pintura, uma pessoa geralmente ajuda a criá-los, juntamente com quem os usa e constrói. Mas antes de serem construídos, os edifícios são apenas ideias.

Competição HOME 2022, Brian Neagle, Universidade de Hartford. Imagem cortesia de Duo DickinsonModelo e Fotografia. Imagem cortesia de Duo DickinsonChrist Church Cathedral Hartford, CT Modelo: Duo Dickinson Foto: Dave Adams. Imagem cortesia de Duo DickinsonModelo e Fotografia. Imagem cortesia de Duo Dickinson+ 7

Casas "autossuficientes" e os princípios morais do marketing

Quase ninguém compra um automóvel pelo preço indicado com dinheiro em mãos, aqueles que procuram comprar um carro olham também para o custo mensal de possuir um. As casas são nosso maior investimento, e a maioria dos proprietários tem tanto orgulho de sua casa quanto de seu carro e igualmente têm medo do custo de manutenção. Portanto, não é de surpreender que as casas “autossuficientes” usem a mesma tática de vendas, provando seu valor na promessa de não pagar contas mensais de energia.

2021, um ano que pode definir o futuro da arquitetura

Alguns anos acabam se tornando marcos de mudanças culturais. O ano de 2021 foi um desses, com a pandemia do Covid-19 sendo a primeira ameaça real à nossa cultura desde a Segunda Guerra Mundial. Como consequência, a arquitetura irá mudar e pode evoluir passando a valorizar as motivações individuais como um fator para entendê-la, em oposição à valorização de sua forma como justificativa estética.

Edifício Humphrey (Sede HHS) Washington DC. Imagem © CivicArtCorte do Condado de Wilson, Wilson NC. Imagem: Wikimedia CommonsMuseu de Solomon R. Guggenheim, Frank Lloyd Wright, NYC 1959. Imagem: cortesia da revista Smithsonian.Edifício do Seguro de Vida Nacional da Região Noroeste, por Minoru Yamasaki and Associates, 1964. Imagem: Wikimedia Commons+ 6

Convertendo o sagrado em profano

Cotidianamente nos deparamos com imagens de edifícios históricos que foram recentemente modernizados, ressignificados e trazidos de volta à vida. O contraste entre passado e presente, entre memória e a história viva de um determinado lugar ou edifício e a tensão entre estas duas coisas é algo que muito contribui para com a experiência da arquitetura e do espaço construído. E mais do que isso, a reabilitação de estruturas históricas pode ter um significado ainda mais profundo, principalmente quando tratamos da vida das pessoas que habitam estes lugares. Neste sentido, a arquitetura pode ser vista como um contentor de memórias coletivas compartilhadas, e o seu desenvolvimento, um livro que narra a própria história da humanidade, seus desafios, conquistas e traumas.

A impossibilidade da equidade na arquitetura

“Equidade” é um termo tão amplo quanto fugaz, e isso também se extende para o campo da arquitetura. Embora muitos arquitetos e arquitetas reafirmem constantemente seu desejo por uma maior equidade em nossa disciplina, motivações não são suficientes para alcançar resultados na prática. Além disso, há uma série de problemas históricos que contribuem e muito para que esses anseios ainda pareçam muito distantes de serem alcançados.

Local pode ser universal

No século XIV, Geoffrey Chaucer escreveu “Familiaridade gera desprezo”. Por definição, “local” é “familiar”. Por que os humanos ficam tão entusiasmados em ir além do familiar, do local e buscar o que é novo, universal e redentor? A palavra “local” tem o peso do verdadeiro valor, como “densidade” ou “sustentável”. Mas a atração da conexão entre todos os humanos é poderosamente sedutora, e esse desejo de conectar quase sempre fica aquém de nossas esperanças.

Cortesia de Duo Dickinson Cephas Housing, Yonkers, Nova York© Henry-Fussell Hitchcock, Jr e Philip JohnsonCortesia de Weißenhof­sied­lung StuttgartCortesia de Bauhaus, Dessau, Alemanha+ 7

Antes do “colonial” havia a arquitetura do imigrante: a gênese da arquitetura norte-americana

Antes mesmo que o estilo colonial se estabelecesse nos Estados Unidos—como em muitas outras colônias do novo mundo—já haviam edifícios sendo construídos. Digamos que antes do “colonial” havia a arquitetura do imigrante. Como um exercício de sobrevivência, a arquitetura do imigrante é aquela feita com aquilo que se tem à mão, com o que se pode encontrar e com o principal objetivo de ter um teto sobre o qual protege-se dos perigos do desconhecido. Depois de um certo tempo e distanciamento, é comum romantizarmos sobre o estilo de arquitetura colonial do país em que crescemos, afinal, somos todos imigrantes não é mesmo? Edifícios simples e honestos, representativos de quem somos e de onde viemos. Estruturas simétricas e de uma sobriedade avassaladora, de pequenos acréscimos e infinitos desdobramentos. Mas acontece que a arquitetura “colonial” não necessariamente é aquela construída com ânsia pelas mãos do imigrante em busca de um teto para morar.

Como o ensino da arquitetura pode se manter relevante em tempos de mudanças?

Este artigo foi publicado originalmente em Common Edge.

No artigo do Commom Edge desta semana, Duo Dickinson faz uma análise de seu percurso como arquiteto, das salas de aula à prática profissional e finalmente, a volta à escola de arquitetura como professor. Explorando a fundo as transformações na prática da arquitetura ao longo destes anos, Dickinson afirma que “ninguém mais acredita que as nossas escolas de arquitetura estejam hoje preparadas para educar os profissionais que a arquitetura precisará daqui a dez anos”. Nesta jornada, o autor explica como o ensino da arquitetura evoluiu ao longo do tempo, apontando possíveis direções para garantir que o ensino da arquitetura permanece relevante no futuro. 

A religião da cidade: carros, transporte coletivo e Coronavírus

A religião é uma realidade exclusivamente humana. Assim como as cidades. À medida que emergimos de nosso isolamento, as cidades silenciosas e locais de adoração serão novamente humanizados, em comparação com a triste memória do que já foram.

Vamos nos recuperar dessa estranha realidade, a pandemia e, quando o fizermos, seremos forçados a responder a algumas questões. Antes deste século, o automóvel já foi visto como a forma como os americanos podiam criar uma nova realidade: uma enorme classe média que podia controlar sua vida usando a liberdade que os carros lhes davam para ir onde quisessem, quando quisessem e viver onde eles quisessem viver. Entretanto, antes do isolamento, essa visão do que os carros significavam para nossa cultura estava mudando - especialmente nas cidades.

2020: O fim do século XX na arquitetura

Toda vez que nos aproximamos do final do ano ouvimos as pessoas dispararem aos quatro ventos: “o mundo já não é mais o mesmo”. Acontece que, no epílogo do ano de 2020, esta profecia parece enfim, soar como algo verdadeiro. Embora tenhamos visto centelhas de esperança ao longo dos últimos meses, a pandemia de coronavírus definitivamente está provocando uma mudança de paradigma na arquitetura.

Na minha opinião, 2020 representará o fim do século XX na arquitetura. Isso porque mudanças radicais na nossa disciplina nunca coincidem com datas exatas e números redondos. O modernismo, como exemplo máximo disso, nasceu em um momento onde as monarquias ocidentais estavam em queda e com a efervescência de um mundo imerso em plena revolução industrial. É importante lembrar que o modernismo na arquitetura é uma decorrência deste contexto e não a sua razão.

A pandemia levantou uma questão: por que projetamos edifícios?

Este artigo foi publicado originalmente na Common Edge.

Não é nenhuma novidade que a recente pandemia provocou mudanças em quase todos os aspectos de nossas vidas. E quais foram as consequências disso para a arquitetura e a indústria da construção? Estive em meu escritório em 135 dos 140 dias que se passaram desde que o governador do Estado de Connecticut, Ned Lamont, declarou que a indústria da construção era essencial (e todos os ofícios relacionados), e como tal, não deveria parar neste momento de crise. Ao longo de praticamente dois meses eu trabalhei sozinho, os funcionários foram voltando aos poucos, ainda que a grande maioria deles continue trabalhando remotamente desde casa. Seja como for, o escritório nunca chegou a parar.

Os heróis da arquitetura não estão apenas no passado

Este artigo foi originalmente publicado pelo Common Edge.

Toda disciplina tem seus heróis. Na arquitetura, não são poucos os personagens que costumam ser celebrados e exaltados como figuras ilustres. Frank Lloyd Wright e Louis Kahn podem ser considerados uns dos maiores ícones da arquitetura do século XX. Mais recentemente, Zaha Hadid chegou a ser tão exaltada quanto suas próprias criações, ela se tornou uma “stararchitect” (para usar um termo bem específico e tão em voga atualmente) e sua morte prematura apenas colaborou para elevar ainda mais o seu status. Mas os nossos heróis são feitos de carne e osso, isso significa que após à morte, nem todos tem um lugar garantido em nosso panteão. Embora nossos heróis sejam todos mortais, suas contribuições tendem a perdurar ao logo dos séculos.

Estamos matando nosso planeta com o ar condicionado?

Este artigo foi originalmente publicado na Common Edge.

Neste verão, o governo federal americano divulgou uma estatística surpreendente: 87% dos lares americanos agora estão equipados com ar condicionado. Como o mundo está ficando inegavelmente mais quente, suponho que isso não seja tão surpreendente, mas lembre-se de que um grande número dessas casas refrigeradas mecanicamente localizam-se em climas razoavelmente temperados. Portanto, minha pergunta é simples: quando o ar condicionado nos Estados Unidos se tornou um requisito, e não um complemento?

Estilo e beleza: as duas palavras mais perigosas na arquitetura

Este artigo foi originalmente publicado na Common Edge.

"Eu odeio essa coisa toda de 'beleza' ", diz um amigo arquiteto e professor profundamente talentoso, reagindo a uma onda emergente da época.Ele não está sozinho. Palavras são perigosas. Desde a Segunda Guerra Mundial, tem havido um consenso geral na arquitetura: o cânone modernista. Mas a mudança está chegando na profissão — e em nossa cultura.

Os verdadeiros crentes se encolerizam com a palavra “beleza” como critério de projeto.Eles também descartam a palavra “estilo”. Como todas as ortodoxias, há simplesmente "certo" e "errado". As realidades do "errado" estão na ortodoxia arquitetônica: "errado" é qualquer coisa que se refere a qualquer coisa que não seja o próprio cânon. Uma racionalização que se retroalimenta dá conforto aos condenados.

10 anos após a recessão dos EUA, uma geração resiliente encontra caminhos para prosperar na arquitetura

Este artigo foi originalmente publicado em CommonEdge como "The Kids are Alright."

Economia e tecnologia afetam todas as profissões. Mas, desde a Segunda Guerra Mundial, talvez nenhuma profissão tenha experimentado mais mudanças tecnológicas do que a arquitetura. Essas mudanças ocorreram, paradoxalmente, dentro de um modelo profissional bem estabelecido de desenvolvimento pessoal: a estrutura tradicional de aprendizado na academia, e o posterior estágio para o licenciamento, tem sido a estrutura da prática há quase dois séculos nos Estados Unidos.

Foi-se o tempo que os edifícios eram construídos a partir de desenhos feitos por homens brancos, a partir de uma folha mestre de especificações. E apenas isso era o mercado da arquitetura.

Esse mundo não existe mais.

Arquitetura sem arquitetos: a tipologia "copy-paste" que tomou os Estados Unidos

Este artigo foi originalmente publicado no CommonEdge como "When Buildings Are Shaped More by Code than by Architects."

As decisões que um arquiteto toma ao longo de um projeto são freqüentemente orientadas por questões que vão muito além de suas inclinações estéticas ou até mesmo os anseios e desejos de seus clientes. Em um determinado grau, somos reféns das ferramentas e materiais disponíveis assim como das infinitas limitações legais impostas à cada contexto específico. Atualmente, os Estados Unidos estão encarando uma dura realidade no campo prático da arquitetura devido à difusão de um novo código bastante restritivo ao que se refere à liberdade criativa dos arquitetos.

Arquitetura e crítica: pelas pessoas, para as pessoas?

Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge como "Crítica arquitetônica que não é apenas para arquitetos".

Caso você não tenha percebido, o mundo está indo do papel para os pixels. Você está lendo isso, aqui. Tudo está mudando e isso inclui como falamos, pensamos e escrevemos sobre arquitetura.