Pavilhão da Estônia na Bienal de Veneza de 2021 explora a importância dos espaços públicos para o futuro das cidades

Pavilhão da Estônia na Bienal de Veneza de 2021 explora a importância dos espaços públicos para o futuro das cidades

O Pavilhão da Estônia para a próxima edição da Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza acaba de ser apresentado. Com projeto curatorial desenvolvido pelos arquitetos estonianos Jiří Tintěra, Garri Raagmaa, Kalle Vellevoog, Martin Pedanik e Paulina Pähn, o pavilhão foi batizado de “Square! Positively Shrinking” e será instalado no complexo do antigo Arsenal da marinha veneziana. Segundo a equipe de curadores, o Pavilhão da Estônia deste ano irá “explorar o papel dos espaços públicos no desenvolvimento futuro de cidades que atualmente estão passando por um processo de despovoamento [...] desencadeando um amplo debate sobre um efeito pouco explorado dos projetos de reurbanização de pequenas cidades ao redor do mundo”.

Põlva central square ©Tõnu Tunnel. Image Courtesy of The Estonian Centre for ArchitectureKuressaare central square ©Tiit Veermäe. Image Courtesy of The Estonian Centre for ArchitectureRapla central square ©Siim Solman. Image Courtesy of The Estonian Centre for ArchitectureRakvere central square ©Tõnu Tunnel. Image Courtesy of The Estonian Centre for Architecture+ 21

O Estonian Centre for Architecture (ECA), encarregado pelo projeto do Pavilhão da Estônia na Bienal de Veneza deste ano, é uma instituição sem fins lucrativos criada em 2008 pela Academia de Artes da Estônia e pelo Sindicato dos Arquitetos da Estônia. Com o principal objetivo de promover a arquitetura em um cenário mais abrangente, conscientizando a população sobre a importância dos espaços públicos para a vida cotidiana, o ECA acaba de apresentar o projeto do Pavilhão da Estônia para a edição da Bienal de Veneza deste ano. Intitulado “Square! Positively Shrinking”, que poderia ser traduzido como “Praça! Encolhendo Positivamente”, o pavilhão chama a atenção para o fenômeno de despovoamento de muitas pequenas cidades do leste da Europa como uma consequência direta das transformações sociais, econômicas e políticas pelas quais estes países passaram após o colapso do chamado Bloco de Leste.

Võru central square ©Tõnu Tunnel. Image Courtesy of The Estonian Centre for Architecture
Võru central square ©Tõnu Tunnel. Image Courtesy of The Estonian Centre for Architecture

A dissolução da União Soviética e a consequente independência da Estônia em 1991 teve um impacto significativo na organização e distribuição da população no território do país. Desde o ano 2000, das 47 cidades e povoados que compõe a estrutura urbana do país, 45 delas perderam uma porcentagem significativa de habitantes, marcando um amplo processo migratório do interior para a cidade grande—neste caso Tallin e Tartu, as duas maiores cidades da Estônia. Com curadoria de Jiří Tintěra, Garri Raagmaa, Kalle Vellevoog, Martin Pedanik e Paulina Pähn, o pavilhão da Estônia para a 17ª Edição da Exposição Internacional da Bienal de Veneza procura chamar a atenção para as causas e consequências deste recente processo de abandono das pequenas cidades. Além disso, “Square! Positively Shrinking” busca apresentar soluções e estratégias capazes de reverter esta situação, como a reutilização de edifícios desocupados ou em estado de abandono, o incentivo à políticas de habitação social e o desenvolvimento de projetos de revitalização de espaços públicos.

Rakvere central square ©Tõnu Tunnel. Image Courtesy of The Estonian Centre for Architecture
Rakvere central square ©Tõnu Tunnel. Image Courtesy of The Estonian Centre for Architecture

Embora a maioria das pequenas cidades ao redor do mundo estejam passando por um processo bastante similar, as consequência do despovoamento do interior variam muito de país para país. Uma das principais formas de combater essa tendência é promovendo a qualidade de vida e a consciência de identidade e pertencimento nestas cidades. Nossa intenção com a proposta para o Pavilhão da Estônia desde ano é conscientizar as pessoas de que o espaço público pode desempenhar um papel fundamental neste sentido, e que nós, arquitetos e urbanistas, somos os principais responsáveis por operar estas mudanças. -- Comenta a equipe de curadores do Pavilhão da Estônia.

Tõrva central square ©Tiit Veermäe. Image Courtesy of The Estonian Centre for Architecture
Tõrva central square ©Tiit Veermäe. Image Courtesy of The Estonian Centre for Architecture

Apresentando uma série de vídeos documentais sobre projetos de reurbanização e revitalização de 15 pequenas cidades do país, desenvolvidos no contexto do Programa Nacional de Arquitetura 100, o Pavilhão da Estônia deste ano celebra o início da retomada da qualidade de vida nas pequenas cidades. Entre os projetos destacados estão o redesenho das praças centrais de Tõrva, Põlva, Valga e Rapla, inauguradas em 2018, o projeto de reurbanização dos espaços públicos de Võru e Kuressaare, inaugurados em 2019, e o projeto de revitalização dos centros de Elva e Rakvere concluídos em 2020. Por fim, procurando responder ao mote da bienal, deste ano, “How Will We Live Together?”, os curadores explicam que para responder à esta pergunta, “o importante é investir em espaços públicos de qualidade e convivência, não importa onde e como.” Neste contexto, “Square! Positively Shrinking” procura “chamar a atenção para a importância e a responsabilidade do trabalho do arquiteto para a promoção da qualidade de vida em pequenas cidades.”

Põlva central square ©Tõnu Tunnel. Image Courtesy of The Estonian Centre for Architecture
Põlva central square ©Tõnu Tunnel. Image Courtesy of The Estonian Centre for Architecture

Costumamos dar valor as coisas que temos apenas depois de perdê-las. As atuais circunstâncias nos mostram o quão importante é o contato e o convívio com outras pessoas, e o papel dos espaços públicos como o indutor destas relações. -- Raul Järg, encarregado do Pavilhão da Estônia.

Square! Positively Shrinking

  • Localização: Arsenale - La Biennale di Venezia (Sestiere Castello, Campo della Tana 2169/F)
  • Curadores: Jiří Tintěra, Garri Raagmaa, Kalle Vellevoog, Martin Pedanik, Paulina Pähn
  • Encarregado: Raul Järg (Estonian Centre for Architecture)
  • Produção: Eve Arpo, Maria Kristiin Peterson (Estonian Centre for Architecture)
  • Expositores: Mari Rass, Ott Alver, Alvin Järving, Kaidi Põder (Projeto da Praça de Tõrva), Helen Rebane, Egon Metusala, Kaie Kuldkepp, Liis Uustal, Vilve Enno (Projeto da Praça de Põlva), Gianfranco Franchi, Chiara Tesi, Rea Sepping (Projeto da Praça de Valga); Siiri Vallner, Indrek Peil (Projeto da Praça de Rapla), Villem Tomiste (Projeto da Praça de Võru); Häli-Ann Tooms, Mari-Liis Männik (Projeto da Praça de Kuressaare); Ülle Maiste, Diana Taalfeld, Anne Saarniit, Roomet Helbre, Taavi Kuningas (Projeto da Praça de Elva); Risto Parve, Kai Süda (Projeto da Praça de Rakvere), Liisa Hirsch, Patrick Tubin McGinley (música e som); Anna Hints, Joosep Matjus, Ants Tammik, Tushar Prakash, Urmas Reisberg, Kairid Laks (filme)

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Sobre este autor
Cita: Harrouk, Christele. "Pavilhão da Estônia na Bienal de Veneza de 2021 explora a importância dos espaços públicos para o futuro das cidades" [Estonian Pavilion at the Biennale Architettura 2021 Explores the Role of Urban Space in the Future of Small Towns] 08 Abr 2021. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/959694/pavilhao-da-estonia-na-bienal-de-veneza-de-2021-explora-a-importancia-dos-espacos-publicos-para-o-futuro-das-cidades> ISSN 0719-8906

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