Coronavírus, desigualdade e acesso ao SUS: onde vivem os mais vulneráveis

Coronavírus, desigualdade e acesso ao SUS: onde vivem os mais vulneráveis

A pandemia de COVID-19 tem causado rápido crescimento do número de internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Brasil, e deverá causar grave sobrecarga na capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS). As cidades de maior porte já têm casos confirmados em populações mais vulneráveis do ponto de vista social. Neste contexto, é crucial para o planejamento de saúde identificar onde moram os grupos sociais vulneráveis com dificuldade de acesso ao SUS, e quais são os estabelecimentos de saúde que deverão enfrentar gargalo mais severo para atender à demanda de internações de pacientes em estado grave.

Para contribuir com o tema, o Ipea e o ITDP Brasil publicam uma Nota Técnica que tem como objetivo estimar quantas são e onde moram as pessoas mais vulneráveis (baixa renda e acima de 50 anos de idade) com maior dificuldade de acessar equipamentos de saúde nas vinte maiores cidades brasileiras. O estudo traz ainda algumas estimativas do número de leitos de UTI adulto e respiradores por habitante na zona de captação de cada hospital.

Dentre alguns dos resultados apontados no estudo, obteve-se que, nas vinte maiores cidades do Brasil, cerca de 230 mil pessoas moram a mais de 30 minutos de caminhada de um estabelecimento de saúde que poderia fazer triagem e dar encaminhamento para pacientes com suspeita de COVID-19. Além disso, nesses mesmos municípios, cerca de 1,6 milhão de pessoas moram a distâncias maiores do que 5 Km de carro até um hospital com capacidade para internação, em UTI, de pacientes em estado grave.

Outro dado importante se refere ao número de UTIs capazes de atender às necessidades geradas pela doença. O número médio de leitos de UTI adulto com respiradores mecânicos é de 1,11 para cada 10 mil habitantes, valor próximo do mínimo recomendado em situações de normalidade, mas que pode ser considerado insuficiente em uma situação grave de epidemia. A disponibilidade de leitos por habitante tende a ser consideravelmente menor nas periferias das grandes cidades, onde uma combinação de fatores como baixa renda, adensamento urbano e piores condições de saneamento criam um cenário de alerta sobre a propagação do COVID-19 e a baixa capacidade de atendimento do sistema de saúde.

Leia a nota técnica completa aqui.

Sobre este autor
Cita: ITDP Brasil. "Coronavírus, desigualdade e acesso ao SUS: onde vivem os mais vulneráveis" 23 Abr 2020. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/938151/coronavirus-desigualdade-e-acesso-ao-sus-onde-vivem-os-mais-vulneraveis> ISSN 0719-8906

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