
Cidades trazem oportunidades, diversidade e ganhos de escala, que eventualmente atraem mais moradores e motivam retroativamente seu crescimento. Apesar de, há décadas, preverem o fim das cidades em virtude do telefone, da internet, das videoconferências ou da realidade virtual, cidades e encontros presenciais continuam crescendo. Grandes áreas urbanas continuam atraindo cada vez mais gente. Motivado não apenas pelo turismo, a indústria de viagens também tem crescido ano após ano, mostrando o quanto as pessoas querem estar presencialmente onde as coisas estão acontecendo, seja em reuniões, eventos, shows ou simplesmente para encontrar amigos e familiares.
Nas últimas semanas, esse conceito parece ter sido colocado em xeque. Grandes cidades, densas, interativas e conectadas, parecem ser o campo perfeito para a rápida disseminação de epidemias ou pandemias como a do COVID-19. A Cruz Vermelha, falando sobre surtos virais urbanos, diagnostica que, “como atores nestas epidemias, os ambientes urbanos prestam um duplo papel de ajudar a transmissão e, em seguida, dificultando a resposta a ela”. Embora um recente relatório sobre o COVID-19 do Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul tenha relatado que a “densidade demográfica não parece ter efeitos sobre a taxa de expansão do vírus”, a comparação foi feita entre países, e não cidades. Estudando o efeito da densidade populacional sobre epidemias, os autores Li, Richmond e Roehner concluíram que a densidade demográfica pode sim ter efeito na intensidade da disseminação e taxa de mortalidade de epidemias como influenza e pneumonia.





