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O processo criativo de quatro pioneiros da arquitetura moderna

O processo criativo de quatro pioneiros da arquitetura moderna
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O domínio da arquitetura sempre esteve dividido entre o cosmos artístico e o racional. Durante nossos anos de estudo em arquitetura, raramente nos é oferecida uma metodologia específica com a qual podemos desenvolver um projeto, gerando diversos resultados e métodos diferentes. No entanto, para descobrirmos o método que melhor funciona para nós, precisamos entender o modo de pensar e projetar dos grandes pioneiros que influenciaram a arquitetura antes de nós.

Le Corbusier, Mies van der Rohe, Frank Lloyd Wright e Louis Kahn são quatro dos arquitetos mais influentes da história. A seguir, descubra o processo criativo desses quatro mestres da arquitetura moderna e por que seus projetos e métodos ainda seguem relevantes.

Le Corbusier e o Programa

© IISG licença CC BY-SA 2.0
© IISG licença CC BY-SA 2.0

Le Corbusier, talvez o arquiteto modernista mais famoso, disse uma vez: "Uma casa é uma máquina para se viver". O arquiteto tinha uma abordagem muito científica e racional em relação ao início de seu processo criativo. Sem influência prévia de ensinamentos de sua época, o arquiteto autodidata sempre começava com um método semelhante: ele refletia sobre o programa do projeto.

Villa Savoye de Le Corbusier. Imagem © Yo Gomi licença CC BY-SA 2.0
Villa Savoye de Le Corbusier. Imagem © Yo Gomi licença CC BY-SA 2.0

O arquiteto suíço-francês acreditava que “criar arquitetura é colocar em ordem. Colocar o que em ordem? Função e objetos”. De fato, Le Corbusier tentou distinguir e definir o que chamou de "órgãos", ou funções em outros termos. Essas entidades singulares se uniriam para eventualmente compor o planta baixa.

Além disso, seu processo não parou por aí. Ele também determinou a circulação e a estrutura como elementos. O terreno, segundo ele, fazia parte de todo o programa. Onde quer que o projeto estivesse ou qualquer que fosse o resultado final, Le Corbusier sempre iniciava seu raciocínio lógico discernindo as três principais entidades: órgãos, estrutura e circulação.

Suprema Corte de Chandigarh, India, de Le Corbusier. Imagem © GB Pandey licença CC by-SA 2.0
Suprema Corte de Chandigarh, India, de Le Corbusier. Imagem © GB Pandey licença CC by-SA 2.0

Mais tarde, o raciocínio do arquiteto cresceu drasticamente com a introdução de seus famosos 5 pontos da arquitetura. "A vida moderna exige, e está esperando por um novo tipo de planta", disse Le Corbusier. As paredes estruturais foram removidas e substituídas por pilotis, liberando o piso térreo e a paisagem. Esse movimento garantiu grande flexibilidade ao espaço interno, oferecendo opções intermináveis para a composição do espaço e, consequentemente, do envelope. Um jardim no terraço substituiu o chamado "espaço perdido" no nível térreo. Finalmente, também por causa da liberação das paredes estruturais, as janelas da fachada foram ampliadas e cresceram horizontalmente, garantindo bastante luz natural. Segundo Le Corbusier, "a luz cria ambiência e senso de lugar, bem como a expressão de uma estrutura".

Mies van der Rohe e a Constante Busca pela Verdade

Mies van der Rohe com fumaça, 1957; fotografado para Life magazine. Imagem © Frank Scherschel/Time & Life Pictures/Getty Images
Mies van der Rohe com fumaça, 1957; fotografado para Life magazine. Imagem © Frank Scherschel/Time & Life Pictures/Getty Images

Ludwig Mies van der Rohe influenciou as massas. O arquiteto germano-americano teve uma longa vida produtiva, onde foi capaz de influenciar opiniões e a arquitetura. Ele mudou sua forma de projetar pelo menos 5 vezes ao longo de sua carreira, resultando em diferentes tipos de arquitetura.

Ele começou cedo defendendo a padronização, passou por períodos de minimalismo, épocas de glorificação da matéria como o centro do projeto arquitetônico e terminou com um método muito espiritual e filosófico. A única consistência é sua busca contínua pela questão ou pelo problema de sua época. Ele estava sempre tentando resolver os problemas atuais e encontrar soluções do que chamou de verdade da época. "Arquitetura é a vontade de uma época traduzida no espaço", disse o arquiteto. Essa alteração implacável em sua reflexão está enraizada em sua busca interminável pela verdade. Os tempos mudaram, os problemas mudaram e o questionamento do arquiteto mudou. Para o veterano, as respostas para um problema existente no tempo podem ser obtidas através da arquitetura.

Mies van der Rohe, Chicago Federal Center, Chicago. Imagem © BM. Propriedade Pública
Mies van der Rohe, Chicago Federal Center, Chicago. Imagem © BM. Propriedade Pública

Ao reduzir a arquitetura em sua forma mais pura, Mies van der Rohe observou de longe o contexto mais amplo. Embora muito racional, ele afirmou que se trata de um conceito filosófico, relacionado ao timing do contexto. “Não é uma conquista da arquitetura que faz com que as estruturas do passado nos pareçam tão cheias de significado, mas a circunstância de que os templos antigos, as basílicas romanas e até as catedrais da Idade Média não são obras de personalidades únicas, mas criações de toda uma época”, ele admitiu.

Casa Farnsworth, de Mies van der Rohe. Imagem © Propriedade Pública. Library of Congress, Prints & Photographs Division
Casa Farnsworth, de Mies van der Rohe. Imagem © Propriedade Pública. Library of Congress, Prints & Photographs Division

A arquitetura é alcançada a partir de um todo e não apenas através de uma planta baixa, o que significa que estrutura e forma são peças interligadas. Assim, sua abordagem teórica era sobre a ligação dos elementos da composição: “A arquitetura começa quando você junta cuidadosamente dois tijolos. Aí então que começa: autenticidade da forma, valor da função, essência do material."

Frank Lloyd Wright e a Integração Espaço-Tempo

Frank Lloyd Wright. Imagem © Propriedade Pública. the United States Library of Congress's Prints and Photographs division
Frank Lloyd Wright. Imagem © Propriedade Pública. the United States Library of Congress's Prints and Photographs division

Em uma entrevista a Mike Wallace em 1957, Frank Lloyd Wright explicou sua visão e afirmou que “a resposta está dentro de você. Dentro da natureza do que você representa, como você mesmo. E Jesus disse isso, acho que quando ele disse: 'O reino de Deus está dentro de você. É por isso que a arquitetura existe, é aí que está a humanidade, é aí que está o futuro que vamos ter.' A arquitetura orgânica foi apresentada pela primeira vez por ele. Derivando do mundo natural, foi uma reinterpretação e não uma imitação através da lógica que criou o espaço natural.

Fallingwater, de Frank Lloyd Wright  Imagem © Pablo Sanchez Martin licença CC BY 2.0
Fallingwater, de Frank Lloyd Wright Imagem © Pablo Sanchez Martin licença CC BY 2.0

Segundo o arquiteto, a arquitetura orgânica é uma estrutura que possui racionalidade específica por trás de seu desenvolvimento, conectada ao seu espaço e tempo. Assim como um sistema, ela tem todas as suas partes conectadas, ou seja, o edifício e o terreno são entidades de interseção com uma continuidade espacial inquebrável, que só pode se desfazer quando uma entidade é removida da composição.

Para aquele que “acredita em Deus, mas chama de Natureza”, a arquitetura deve ser integrada ao seu terreno como um organismo vivo. E um edifício deve ser integrado à sua época, seja lá qual for a época, para que seja conveniente para o ser humano que ocupa o espaço. Isso só é possível através da criação de um vínculo com o local.

Home Studio de Frank Lloyd Wright. Imagem © Propriedade Pública Library of Congress, Prints and Photograph Division, Historic American Building Survey
Home Studio de Frank Lloyd Wright. Imagem © Propriedade Pública Library of Congress, Prints and Photograph Division, Historic American Building Survey

O método criativo de Wright determina basicamente uma abordagem orgânica para qualquer projeto. “Uma boa planta baixa é o começo e o fim, porque toda boa planta é orgânica. Isso significa que seu desenvolvimento em todas as direções é inerentemente inevitável” - o que significa que não há processo fora da arquitetura orgânica. O edifício, portanto, atua como um organismo que é parte do meio ambiente, que só pode existir em circunstâncias específicas e que não pode ser desmontado ou remontado em nenhum outro lugar, divergindo totalmente do antigo know-how de seu tempo e da filosofia da padronização.

Louis Kahn e o Valor Espiritual

Louis Kahn. Imagem © Lionel Freedman. Yale University Art Gallery
Louis Kahn. Imagem © Lionel Freedman. Yale University Art Gallery

Depois de se concentrar em sua trajetória acadêmica e pesquisas durante a maior parte de sua vida, Louis Kahn iniciou sua carreira relativamente tarde. Seus primeiros estudos de arquitetura foram ditados por um professor francês, o que lhe permitiu dominar os conceitos das Belas-Artes. Sua educação em arquitetura o encorajou a encontrar inspiração na história. Enquanto alguns o consideram o último dos modernistas, outros o consideram o primeiro pós-modernista. Contudo, Kahn reinterpretou o passado e não o copiou.

Louis Kahn Jatiyo Sangshad Bhaban, Dhaka, Bangladesh. Imagem © licença Creative Commons Erkännande-Dela Lika 3.0 Generisk
Louis Kahn Jatiyo Sangshad Bhaban, Dhaka, Bangladesh. Imagem © licença Creative Commons Erkännande-Dela Lika 3.0 Generisk

O método Kahn consiste em tirar conclusões para propor uma nova arquitetura que "faça sentido", com base nos ensinamentos do passado. Ele sempre usou o material como ele é e da forma mais honesta possível. O arquiteto sempre começou com um quadrado como base para sua criação conceitual. Ele explicou que “eu uso o quadrado para começar minhas soluções porque o quadrado é, na verdade, uma não-escolha. Ao longo do desenvolvimento, busco as forças que invalidariam a forma quadrada...”. Seu processo era, portanto, iniciado pela forma do quadrado e, quando em dúvida, trabalhado para reativar sua criatividade.

De fato, o caminho de desenvolvimento de Louis Kahn pode ser traduzido através da escolha de uma forma simples, um material autêntico, uma sucessão metódica de espaços e da modelagem com a luz natural. Para gerar espaços com características muito específicas, Kahn introduziu sistemas arquitetônicos, volumes no centro da composição. Finalmente, para Kahn, a arquitetura é uma composição de elementos simples, reagindo juntos, existindo através de sua reflexão da luz.

Louis Kahn Indian Institute of Management Ahmedabad. Imagem © Cemal Emden
Louis Kahn Indian Institute of Management Ahmedabad. Imagem © Cemal Emden

Por outro lado, Kahn explicou que o ambiente é “o começo da arquitetura. É o lugar da mente. Você no ambiente, com suas dimensões, estrutura, luz, responde a seu caráter, sua aura espiritual, reconhecendo que tudo o que o ser humano propõe e faz se torna uma vida. A estrutura de um ambiente deve ser evidente no próprio ambiente. Estrutura que acredito ser a doadora de luz. Um ambiente quadrado pede que sua própria luz possibilite ler o quadrado. Seria esperado que a luz viesse de cima ou de seus quatro lados através de janelas ou entradas”. Esse valor espiritual que o espaço parecia ter na abordagem de Kahn foi o fator determinante para os materiais utilizados, as aberturas criadas, as cores escolhidas, as distâncias entre os elementos, a proporção, etc. Era uma questão de valor e qualidade da função.

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Sobre este autor
Cita: Harrouk, Christele. "O processo criativo de quatro pioneiros da arquitetura moderna" [The Creative Process of the Four Pioneers of Modern Architecture] 04 Nov 2019. ArchDaily Brasil. (Trad. Moreira Cavalcante, Lis) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/927555/o-processo-criativo-de-quatro-pioneiros-da-arquitetura-moderna> ISSN 0719-8906

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