
Essa frase chamou a atenção durante a palestra de Neil Thomas no curso Bamboo U, que ocorreu no mês de novembro de 2017 em Bali. Neil é diretor do atelier one, escritório de engenharia estrutural de Londres, que entre seus projetos de destaque estão palcos e cenografias para Rolling Stones, Pink Floyd e U2; instalações de arte de Anish Kapoor e Marc Quinn; o Gardens by the Bay, em Singapura, entre tantos outros. De alguns anos para cá, o engenheiro tem se aprofundado no estudo sobre o bambu, suas propriedades estruturais e suas mais diversas potencialidades.
Segundo ele, o bambu se aproxima muito de um material estrutural ideal. E isso começa com sua forma tubular. Uma seção aberta, como um canal, é mais fraca do que uma fechada, porque a borda pode se curvar com muito mais facilidade. É só pensar numa folha de papel e como ela torna-se mais forte quando enrolamos ela como um tubo, evitando que ela amasse tanto. Além disso ele tem outra característica que melhora sua resistência. O bambu possui fibras longitudinais que saem de sua base até o topo, que são chamadas de feixes vasculares. Quanto mais próximo do exterior da parede dos colmos, esses feixes apresentam uma maior densidade, o que torna a peça mais resistente naturalmente. Portanto a parte mais forte da seção está mais afastada do seu centroide radialmente, tornando a peça mais resistente. E essa é a principal diferença em relação a um tronco de madeira, cuja parte mais forte está justamente no centro de sua seção. Outra particularidade é sua velocidade de crescimento. Diferente de uma madeira dura, que pode demorar mais de 30 anos para poder ser explorada, o bambu pode ser cortado e utilizado entre 3 e 5 anos, voltando a crescer depois.
